Ontem, mais ou menos nesse horário, minha filha número 5, a Manuela, me mandou uma mensagem falando que o pai dela havia falecido, de overdose, tirou a própria vida.
Então bateu-me a tristeza, ansiedade e também um sentimento de culpa por não estar ao lado dela nesse momento difícil
O pai da Manuela e eu, saímos uma única vez, e tivemos a Manu. Ela a reconheceu como filha aos 2 anos e meio de idade. A partir daí ele se tornou presente na vida dele. Quando ele ia visitá-la ou buscá-la, meus outros filhos o esperavam com alegria, pois ele amava criança e os tratava bem.
A família dele, se tornou nossa também. Os meus filhos o chamavam de tio, a irmã mais velha dele se tornou uma irmã para mim, a tia não só da Manuela, mas de todos. Meu filho número 2, o Maicon o convidou para ser padrinho de Crisma, ele aceitou.
Cada um tinha sua vida, mas o respeito um pelo outro era grande. Eu casei com o pai do Gabriel e ele com a sua ex esposa. Ele e eu fui só uma vez!
Fomos convidados para o casamento dele, Manuela foi aia.
Ele foi na minha formatura de magistério. A ex esposa dele quem foi minha fotografa. Sempre que fazíamos algum evento, as famílias participavam. Até alguns sobrinhos meus também o consideravam.
Mas aí a vida meio que nos surpreende. Foram acontecendo algumas coisas, ele fez algumas escolhas, foi decaindo e ontem se entregou para a depressão.
E pensar que há um mês atrás eu também estava pensando em desistir da vida?!
Eu escrevi aqui inclusive que estava difícil seguir, que pensava em dormir e não acordar mais, mas aí com a chegada do Arthur Henrique que ainda não conheço, me levantava, orava, seguia e sigo. Mas ontem, ao receber a notícia sobre a sua morte, fiquei imaginando a dor da minha filha, do filho dele, dos irmãos e do pai dele. Senti até um pouco de raiva por ele ter feito isso, parece que foi egoísta, que não pensou nos filhos. Não verá nossa Manu formada em ODONTO, não verá netos, não realizou sonhos, enfim desistiu. Mas aí eu lembrei que também pensei em fazer a mesma coisa, também queria morrer, largar tudo. Não estou julgando. Estou triste. Triste por isso, por não poder dar aquele abraço na minha filha.
E como eu não desisti, eu sigo, um dia bom e outro bom, outro mais ou menos, mas sigo. Sei que nem todos tem o mesmo psicológico, a mesma coragem e força. 30 dias se passaram e as coisas foram mudando. Iniciei a terapia, mas a terapia que me faz me sentir bem é estar aqui, é escrever aqui. Usar a escrita. Escrever!!
E a partir de agora vou me agarrar na escrita. E através dela quero ajudar pessoas a mudar, tirar esses pensamentos ruins, ver que a vida vale a pena.
Agora mais que tudo preciso dar um jeito de descer no Sul. Conhecer meu neto, abraçar a Rafa por ser mãe e abraçar, dar colo à Manuela, para que saiba que tem todo o meu amor. E que são por eles que eu não desisti e não desistirei!!!
Renato, descanse em paz!!