O que se faz quando sabemos que alguém está prestes a partir?
Se tem uma coisa que é completamente certa nessa vida, é a morte. Mas, por mais certeira que seja, é incrível como ninguém a espera. A morte sempre leva alguém com desculpas, às vezes, as desculpas mais toscas possíveis.
Recentemente, recebi uma notícia que, sinceramente, me deixou desolada há duas semanas. A pessoa em questão está viva ainda, mas é estranho isso.
A desculpa da vez: um nódulo pulmonar que crescia relativamente lento disparou o crescimento, a ponto de encostar no coração, comprimindo a artéria pulmonar, juntamente a um derrame pericárdico que vem aumentando cada vez mais. Então, sim, o que era um nódulo, descobrimos que era mesmo um tumor maligno, que, em questão de tempo, agora é inoperável, pois a “vítima” em questão é uma idosa de idade avançada.
Quando cuidamos de alguém, esperamos melhoras rápidas e positivas, mas, quando cuidamos de alguém para ela morrer, você sente que vai morrer um pouco de você com essa pessoa. Cuidados paliativos são um sofrimento tanto para quem está sendo cuidado quanto para quem está cuidando.
Quando sabemos que essa “hora” está chegando, tentamos aproveitar o máximo de tempo. Amamos mais, cuidamos mais, a paciência dobra.
Ver alguém sofrer sem poder fazer nada, eu considero algo mais angustiante do que o próprio falecimento. Sentir-se com as mãos e os pés amarrados em uma luta eterna consigo mesmo.
Tentar deixar tudo mais leve, nesse momento, sinto como se só piorasse. Nesse período de duas semanas desde o diagnóstico, tento transmitir essa tranquilidade, paz e harmonia que não tenho a ela. Mas ontem, uma plena segunda-feira, precisei sentir tudo isso por mim mesma.
À noite, minha nova cama chegou. Então usei lençóis, travesseiros e um pijama de seda, todos novos. Acabei o livro que amei (O Conde Enfeitiçado, dos Bridgertons, de Julia Quinn), com direito ao meu filme conforto (Orgulho e Preconceito) e ao meu sushi favorito.
Por um momento, eu me senti tão bem. Eu dormi tão bem. Mas, no próximo dia, eu teria de acordar e enfrentar toda a luta externa e o sofrimento interno novamente.
Esse pode até não ser o pior texto que escrevo, mas, para mim, está sendo. Escrevo-lhes na esperança de me sentir melhor, até porque escrever e ler são minhas válvulas de escape.
Agradeço a cada um que ler o mesmo.