E essa pessoa que morreu na floricultura? Ninguém tá explicando nada... tu vais contar?
Capítulo 3 -O Silêncio das Flores
Capítulo 3 — O Caminho de Volta
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E essa pessoa que morreu na floricultura? Ninguém tá explicando nada... tu vais contar?
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Capítulo 3 — O Caminho de Volta
— Senhorita...
A voz de John a trouxe de volta à realidade.
Nina piscou algumas vezes, como se só naquele instante percebesse que continuava parada diante da fita de isolamento.
— Acho melhor voltar para a prefeitura — disse ele, em um tom calmo. — Não há mais nada que a senhora possa fazer aqui.
Ela apenas concordou com um leve movimento de cabeça.
Antes de se virar, lançou um último olhar para o portão da floricultura.
Havia algo naquele lugar que insistia em prendê-la.
Algo que ela ainda não conseguia explicar.
Então respirou fundo e começou o caminho de volta.
Durante todo o caminho de volta para a prefeitura, tentou convencer a si mesma de que aquilo era apenas o choque da situação.
"Qualquer pessoa ficaria abalada."
Mas, no fundo, sabia que não era só isso.
Havia algo naquele lugar.
Algo que ela não conseguia explicar.
Quando chegou à prefeitura, tudo parecia exatamente como sempre.
Computadores ligados.
Telefones tocando.
Conversas pelos corredores.
Como se, do outro lado da cidade, uma vida não tivesse acabado naquela manhã.
Nina caminhou até sua mesa.
A prancheta continuava onde ela acreditava tê-la deixado.
Sentou-se.
Abriu a folha da vistoria.
Tentou voltar ao trabalho.
Mas sua mente se recusava a sair da floricultura.
A imagem daquela cena continuava voltando.
O portão fechado.
As flores espalhadas.
A sensação estranha de que aquele lugar escondia algo que ela ainda não conseguia entender.
Sua mente voltava, repetidas vezes, para a mesma pergunta.
"Quem era aquela pessoa?"
E, sem perceber, outra pergunta surgiu logo depois.
"Por que isso mexeu tanto comigo?"
Ela não fazia ideia.
Mas, naquele momento...
Também não imaginava que aquela seria a primeira de muitas perguntas que mudariam completamente a sua vida.
Capítulo 4 — Ecos do Silêncio
Na manhã seguinte, Nina acordou com a mesma sensação incômoda.
Era como se tivesse esquecido alguma coisa importante.
Algo que estava bem na sua frente, mas que ela não conseguia alcançar.
Tentou afastar o pensamento enquanto se arrumava para o trabalho.
Talvez fosse apenas cansaço.
O que havia acontecido na floricultura ainda ocupava sua mente.
Quando chegou à Prefeitura, caminhou pelos corredores de sempre.
Alguns colegas conversavam perto da copa.
— Bom dia! — disse ela, com um sorriso discreto.
Alguns pareceram olhar em sua direção.
Mas ninguém respondeu.
Outros continuaram conversando, como se sua voz tivesse se perdido no meio dos outros sons.
Nina não deu importância.
Talvez estivessem distraídos.
Entrou na sala e colocou a bolsa sobre a mesa.
Poucos minutos depois, a porta se abriu.
— Bom dia, Nin!
Cláudia entrou carregando uma pilha de documentos e um copo de café.
Como fazia quase todas as manhãs.
— Trouxe café para você.
Nina sorriu.
— Você me salva todos os dias.
Cláudia riu.
— Alguém precisa cuidar de você. Se depender desse trabalho, você esquece até de comer.
As duas riram.
Era uma amizade que todos na Prefeitura conheciam.
Ou pelo menos era assim que Nina lembrava.
Sempre almoçavam juntas.
Organizavam os eventos lado a lado.
E, sempre que havia um problema, uma procurava a outra primeiro.
Cláudia colocou os documentos sobre a mesa.
— Precisamos revisar a lista do evento antes da reunião.
Nina assentiu.
— Claro.
Enquanto folheava os papéis, percebeu algo estranho.
Seu nome não aparecia em uma das listas.
— Ué... acho que esqueceram de colocar meu nome aqui.
Cláudia olhou rapidamente.
Por um instante, sua expressão mudou.
Parecia surpresa.
Parecia tristeza.
Mas logo disfarçou.
— Devem ter impresso errado.
Depois fazemos outra.
Nina concordou.
Mas aquela pequena sensação de estranheza permaneceu.
No horário do almoço, caminhou até a recepção.
A mulher organizava algumas encomendas.
— Bom dia.
Nina esperou uma resposta.
Mas a recepcionista continuou mexendo nos papéis.
Como se não tivesse ouvido.
Nina ficou parada por alguns segundos.
Então tentou sorrir.
Talvez ela apenas estivesse ocupada.
Enquanto voltava pelo corredor, passou diante da porta de vidro da entrada.
Sem querer, olhou para o reflexo.
Por um instante...
Teve a impressão de que sua imagem demorou um segundo para acompanhá-la.
Piscou.
Tudo voltou ao normal.
Ela respirou fundo.
Talvez fosse apenas o cansaço.
Ou talvez sua mente ainda estivesse presa àquela estranha sensação que começou na floricultura.
Sem perceber, Cláudia observava Nina do outro lado do corredor.
Com um sorriso discreto.
Um sorriso que parecia apenas o de uma amiga preocupada.
Mas que escondia uma culpa que Nina ainda não conseguia enxergar.
...
Thoughts
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PermalinkGostei da cena do espelho. Aquele segundo atrasado... isso é tipo criar medo de forma correta.
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PermalinkMas o que é que vai acontecer agora? Porque isto tá muito estranho.
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PermalinkAquela parte do espelho, cara... arrepia.
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PermalinkEssa coisa toda tá cheirando a conspiração. Alguém morre, agora ninguém vê a Nina... é tipo um castigo.
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PermalinkE essa pessoa que morreu na floricultura? Ninguém tá explicando nada... tu vais contar?
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PermalinkA Cláudia tá sabendo de algo, né? Aquele sorriso de culpa no final foi tipo spoiler já.
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PermalinkAquela cena de ninguém responder nada pra ela, de passar perto da recepcionista... isso tá pesado.
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PermalinkVocê acha que ela tá morrendo, ou é tipo ela tá virando fantasma de verdade? Porque aquele espelho...
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