Há dias em que eu desapareço,
não do mundo,
mas da memória das pessoas.
Ninguém pergunta como estou.
Ninguém envia um simples "bom dia".
Nenhum "oi, tudo bem?" atravessa a distância.
O silêncio chega primeiro,
senta ao meu lado
e permanece.
Mas basta surgir uma necessidade,
um problema,
uma urgência,
e meu nome volta a existir.
Sou lembrada quando precisam das minhas mãos,
dos meus conselhos,
da minha força.
Mas quando sou eu quem fraqueja,
quando a dor me derruba,
quando o corpo adoece e a alma pede socorro,
parece que ninguém percebe.
É estranho descobrir
que algumas pessoas conhecem o caminho até você
apenas quando precisam de algo,
mas se perdem completamente
quando você precisa de companhia.
E dói.
Dói mais do que a ausência de mensagens.
Dói mais do que um telefone que não toca.
Dói perceber que, para alguns,
você é porto seguro,
mas nunca destino.
Enquanto você oferece presença,
recebe esquecimento.
Enquanto cuida,
permanece sem cuidado.
E nos dias em que a febre sobe,
em que o coração pesa,
em que tudo o que você precisava era ler:
"Como você está?"
o silêncio responde por todos.
Talvez a maior tristeza não seja estar sozinha.
É descobrir que sua falta não é sentida
por quem você jamais esqueceu.
E mesmo assim,
você continua.
Porque aprendeu a se levantar sem ser procurada,
a se curar sem ser cuidada,
a sobreviver sem ser lembrada.
Mas, no fundo,
ainda existe uma parte sua
que sonha encontrar alguém
que não apareça apenas quando precisar,
e sim quando simplesmente quiser ficar.