15. O PRIMEIRO BEIJO DE VERDADE
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JĂĄ tinha beijado antes.
Beijos frios, ensaiados,
feitos para cumprir cota, para provar algo,
para esconder o que realmente pulsava.
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O primeiro beijo de verdade nĂŁo foi planejado.
NĂŁo houve mĂșsica romĂąntica ao fundo,
nĂŁo houve jantar Ă luz de velas.
Houve apenas um encontro de olhares
que demorou um segundo a mais.
E o mundo parou.
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Como a cena de ÂŽÂŽO Beijo da Mulher Aranha``,
onde dois homens se beijam na prisĂŁo
e o mundo inteiro parece desabar.
Como ÂŽÂŽChavela Vargas`` cantando ÂŽÂŽLa Llorona``,
cada nota era um pedido de perdĂŁo pelo amor.
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Quando os lĂĄbios se tocaram, nĂŁo foi sĂł um beijo.
Foi reconhecimento.
Foi minha alma encontrando a resposta
para todas as perguntas do CapĂtulo I.
Tudo o que eu temia sentir se tornou certeza.
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Naquele instante, meu corpo deixou de ser estranho.
Minhas mĂŁos encontraram lugar seguro.
Meu peito se abriu.
Meu coração gritou.
E eu soube, finalmente, o que era estar viva.
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NĂŁo foi um beijo na boca.
Foi um beijo em todo meu passado de negação.
Um beijo que apagou as dĂșvidas
e incendiou o futuro.
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Foi o primeiro passo para fora da mĂĄscara.
Como ÂŽÂŽLorde`` em ÂŽÂŽLiability``,
eu era uma garota que ninguém queria amar
e de repente, alguém disse sim.
â NelleAziul
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