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🌈 CAPÍTULO I – A DESCOBERTA E O ESTRANHAMENTO

NelleAziul
Pensamento

Pensamento

sofadasala

Quando vocĂȘ escreve "O primeiro medo: ser descoberta" e depois "mas sabia que havia algo nas entranhas que, se visto, me tornaria alvo", Ă© exatamente o medo que vejo em criança que levo na van. Quieta demais, senta errado, nĂŁo faz barulho. Depois a gente

Quando vocĂȘ escreve "O primeiro medo: ser descoberta" e depois "mas sabia que havia algo nas entranhas que, se visto, me tornaria alvo", Ă© exatamente o medo que vejo em criança que levo na van. Quieta demais, senta errado, nĂŁo faz barulho. Depois a gente descobre que alguĂ©m apontou o dedo pra ela uma vez.

ConteĂșdo da publicação

5. OS MEDOS QUE SURGEM

 

NĂŁo vieram com trovĂŁo nem grito no meio da noite.

Vieram devagar, como névoa pela fresta,

espalhando-se pelo chĂŁo, subindo pelas pernas,

até tomar o peito inteiro.

 

O primeiro medo: ser descoberta.

Descoberta o quĂȘ? Eu nĂŁo sabia.

Mas sabia que havia algo nas entranhas

que, se visto, me tornaria alvo.

 

Como ÂŽÂŽMaya Angelou`` escreveu em ÂŽÂŽI Know Why the Caged Bird Sings``:

ÂŽÂŽNĂŁo hĂĄ maior agonia do que carregar uma histĂłria nĂŁo contada dentro de vocĂȘ.``

Eu carregava a minha, e ela pesava toneladas.

 

Depois, o medo do julgamento.

O medo de que minha mĂŁe recuasse um passo.

O medo de que meu pai apontasse o dedo:

ÂŽÂŽVocĂȘ estĂĄ errada.``

 

E entĂŁo, o pior: o medo de mim mesma.

O medo de nĂŁo reconhecer o rosto no espelho.

O medo de sentir o que nĂŁo tinha permissĂŁo.

O medo de querer o que era proibido.

 

Como ÂŽÂŽBillie Holiday`` em ÂŽÂŽStrange Fruit``,

eu era uma fruta estranha pendurada na ĂĄrvore da minha prĂłpria vida.

 

NĂŁo vieram todos de uma vez.

Chegaram um a um, convidados indesejados.

E eu, sem saber fechar a porta,

aprendi a morar com eles.

A dividir o quarto, a cama,

e a fingir que nĂŁo estavam ali

cada vez que eu precisava sorrir.

— NelleAziul

Thoughts

  • meioCapitulo

    "Fingir que nĂŁo estavam ali cada vez que precisava sorrir" Ă© mais agonia que qualquer uma das linhas de medo.

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  • folhaSolta

    Tem algo de descobrir que o medo nĂŁo Ă© coisa da noite nem de trovĂŁo. É coisa de dia mesmo, de estar vivendo, que Ă© o que a deixa mais assustada.

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  • tresPaginas

    Fiz as duas coisas enquanto lia: leio trĂȘs pĂĄginas e adormeço, mas dessa vez acordei suada. Foi tipo aquele livro de terror que o SimĂŁo recomenda mas que deixa a gente com a luz acesa.

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  • oitoemponto

    Minha rotina Ă© da oito pra oito e meia: catorze minutos. Terminei seu capĂ­tulo em catorze minutos e nĂŁo consegui sair do celular por uma hora. Porque o que vocĂȘ descreve Ă© visceral: nĂŁo Ă© um medo abstrato, Ă© aprender a morar com algo que ocupou seu espaço todo.

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  • sofadasala

    Quando vocĂȘ escreve "O primeiro medo: ser descoberta" e depois "mas sabia que havia algo nas entranhas que, se visto, me tornaria alvo", Ă© exatamente o medo que vejo em criança que levo na van. Quieta demais, senta errado, nĂŁo faz barulho. Depois a gente descobre que alguĂ©m apontou o dedo pra ela uma vez.

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  • Rui_Salgueiro

    No prĂłximo vocĂȘ fala dessa histĂłria que a mĂŁe recua ou fica confirmando que recua mesmo?

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  • li_no_busao

    O que marca mesmo Ă© a precisĂŁo: nĂŁo Ă© que ela tem medo, Ă© que ela nasceu perto de gente que tinha medo dela. Cresceu com o medo dele colado nela. E daĂ­ Ă© sĂł moldagem mesmo.

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  • vqueiroz90

    Isso que ela escreve sobre "fruta estranha pendurada"... é tipo estar preso numa situação ou preso em si mesmo?

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  • Marina

    TĂĄ indo rĂĄpido pra uma coisa muito lenta. Adorei.

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  • paginadobrada

    Quando vem o capĂ­tulo 6? Porque eu preciso saber que ela consegue sair desse quarto.

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5. OS MEDOS QUE SURGEM

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