Ela me respondeu!
Quando apareceu a resposta, senti uma mistura de alívio e nervosismo.
Oi. Tudo bem.
Ela havia respondido.
Talvez para qualquer pessoa fosse uma resposta comum.
Para mim, não.
Eu sabia que poderia ter sido ignorado.
Talvez até merecesse.
Mas ela respondeu.
E aquilo me deu coragem para continuar.
Escrevi:
Quanto tempo, hein?
Eu queria dizer muito mais.
Queria dizer que a tinha visto na academia.
Que fiquei pensando se deveria me aproximar.
Que tive medo.
Mas acabei escrevendo.
Vi você na academia aquele dia. Tive medo e insegurança de me aproximar. Mas fiquei te olhando, te observando. Você está cada dia mais linda.
Assim que enviei, fiquei pensando se tinha ido longe demais.
Mas era verdade.
Eu tinha visto.
E tinha ficado olhando.
Não porque quisesse invadir o espaço dela.
Mas porque havia alguma coisa estranha em ver aquela pessoa do passado diante de mim depois de tantos anos.
Ela estava diferente.
Mais segura.
Mais mulher.
E eu percebi que estava tentando reconhecer naquela pessoa a garota que um dia conheci.
Mas não era mais a mesma garota.
Era outra mulher.
E talvez eu também não fosse mais o mesmo homem.
Perguntei:
A gente se vê na academia hoje?
Na verdade, eu queria vê-la.
Queria descobrir o que aconteceria quando estivéssemos frente a frente.
Ela aceitou.
Então tomei coragem para fazer uma segunda pergunta.
Será que depois do treino a gente poderia sair para conversar?
Eu não queria simplesmente reencontrá-la por alguns minutos.
Eu queria conversar.
Precisava.
Porque quinze anos eram tempo demais.
Havia coisas que eu nunca disse.
Coisas que ela provavelmente interpretou de uma maneira que não correspondia ao que realmente aconteceu.
E eu também carregava perguntas.
Queria saber como ela havia vivido todos aqueles anos.
Queria saber se alguma vez havia pensado em mim.
Queria saber se aquela história havia significado para ela o mesmo que significou para mim.
Mas, principalmente, queria conhecê-la novamente.
Sem o passado decidindo por nós.
Ela respondeu que sim.
Fiquei olhando para aquela pequena resposta durante alguns segundos.
Um sorriso apareceu no meu rosto.
Eu não sabia o que aquela noite significaria.
Não sabia se seria apenas uma conversa.
Não sabia se seria uma despedida.
Não sabia se existia alguma possibilidade de uma nova história.
Mas eu sabia de uma coisa:
Eu queria vê-la.