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Capítulo 5 — A Porta do Passado

SamanthaBruxa

Conteúdo da publicação

A voz continuava cantando.

Baixa.

Lenta.

Quase como uma canção de ninar.

Helena permaneceu parada no corredor.

Nox estava diante dela, olhando para a porta que havia acabado de se abrir.

— É a voz da minha mãe — Helena sussurrou.

Nox não respondeu.

— Nox?

O gato caminhou até a porta.

Parou.

Olhou para Helena.

— Você quer respostas.

— Quero.

— Então entre.

Helena respirou fundo.

— E se eu não voltar?

Nox piscou lentamente.

— Você já voltou uma vez.

Helena não entendeu.

Mas entrou.


Do outro lado da porta não havia um quarto.

Havia uma casa.

Uma casa pequena, simples e iluminada pelo sol.

Helena parou.

— Isso não é a mansão.

Nox atravessou a porta.

— Não.

— Onde estamos?

Antes que ele pudesse responder, uma mulher apareceu no corredor.

Helena congelou.

Era sua mãe.

Mas estava mais jovem.

Muito mais jovem.

Ela carregava um bebê nos braços.

Helena sentiu os olhos se encherem de lágrimas.

— Minha mãe...

A mulher não conseguia vê-la.

Ela caminhou até uma janela.

E começou a cantar.

A mesma música que Helena havia ouvido na mansão.

Nox sentou-se ao lado dela.

— Essa lembrança aconteceu antes de você nascer.

Helena olhou para o bebê.

— Quem é a criança?

Nox não respondeu.

A mulher colocou o bebê em um pequeno berço.

Helena se aproximou.

Olhou para o rosto da criança.

E sentiu o coração parar.

Era ela.

Ela mesma.

Um bebê.

— Mas... eu não deveria lembrar disso.

— Você não lembra.

— Então por que estou vendo?

Nox olhou para ela.

— Porque alguém quer que você veja.

A porta da casa se abriu.

Um homem entrou.

Helena imediatamente o reconheceu.

Era o Homem das Sombras.

Mas dessa vez ele tinha um rosto.

Um rosto humano.

Ele era jovem.

E parecia assustado.

A mãe de Helena correu até ele.

— Você demorou.

— Tive problemas no caminho.

Ele olhou para o bebê.

— Ela nasceu?

A mulher assentiu.

— Sim.

O homem se aproximou do berço.

Sorriu.

E tocou delicadamente a mão do bebê.

Helena ficou confusa.

— Quem é ele?

Nox respondeu:

— Seu pai.

Helena levou a mão à boca.

— Meu pai?

Nox assentiu.

— Mas eu nunca conheci meu pai.

— Eu sei.

— Então por que ele está aqui?

Nox olhou para a cena.

— Porque essa é a noite em que tudo começou.

A mãe de Helena começou a chorar.

— Ela não pode ficar conosco.

O homem ficou sério.

— Eu sei.

— Eles vão encontrá-la.

— Eu sei.

— Então precisamos levá-la para a mansão.

Helena arregalou os olhos.

— Não.

Nox olhou para ela.

— Sim.

A mãe pegou o bebê no colo.

— Ela precisa ser protegida.

O homem segurou a mão dela.

— E as Sete Luas?

A mulher respondeu:

— Elas já sabem.

Um vento forte atravessou a casa.

As janelas bateram.

O bebê começou a chorar.

Então uma voz surgiu do lado de fora.

— Ela nasceu.

A mãe de Helena ficou pálida.

— Não...

Outra voz respondeu:

— A Sétima Lua voltou.

Helena sentiu um arrepio.

— Quem está lá fora?

Nox ficou em silêncio.

A porta da casa começou a se abrir lentamente.

Uma sombra apareceu do outro lado.

O pai de Helena pegou alguma coisa escondida dentro do casaco.

Era um pequeno medalhão.

No centro havia uma lua crescente.

Ele colocou o medalhão no pescoço do bebê.

— Quando ela crescer, isso vai ajudá-la a encontrar o caminho.

A mãe chorava.

— E se ela descobrir?

— Ela vai descobrir.

— E se a Sétima Lua acordar?

O homem olhou para o bebê.

— Então eu volto.

Helena sentiu as lágrimas escorrerem.

— Você prometeu...

O homem virou-se.

Por um instante, pareceu olhar diretamente para Helena adulta.

Como se pudesse vê-la.

— Eu sempre cumpro minhas promessas.

Helena congelou.

— Ele me viu?

Nox respondeu:

— Talvez.

A porta da casa se abriu completamente.

Uma rajada de vento atravessou o corredor.

Tudo começou a desaparecer.

A mãe.

O pai.

O bebê.

A casa.

Helena tentou segurá-los.

— Esperem!

Mas a lembrança se desfez.


Helena abriu os olhos.

Estava de volta à mansão.

Nox estava sentado diante dela.

— Meu pai está vivo?

O gato desviou o olhar.

— Nox.

— Não sei.

— Você sabe.

Silêncio.

Helena segurou o medalhão que agora estava em seu próprio pescoço.

Ela não havia percebido quando ele apareceu.

A lua no centro do medalhão começou a brilhar.

Então uma voz masculina ecoou pela mansão.

— Helena.

Ela congelou.

Nox levantou-se.

— Não.

— Quem é?

A voz veio novamente.

— Minha filha.

Helena começou a chorar.

— Pai?

A mansão inteira estremeceu.

Os retratos das Seis Luas começaram a se mover.

Amara apareceu no corredor.

Selene surgiu atrás dela.

Morgana saiu de uma porta.

Isolde apareceu nas sombras.

Luna e Eva surgiram logo depois.

Todas olhavam para Helena.

Amara disse:

— Ele encontrou você.

— Quem?

Antes que alguém pudesse responder, o Homem das Sombras surgiu no final do corredor.

Mas agora Helena podia ver seu rosto.

Era o mesmo homem da lembrança.

Seu pai.

Ele caminhou lentamente até ela.

— Você cresceu.

Helena não conseguia falar.

— Por que você nunca voltou?

Ele baixou os olhos.

— Porque eu estava tentando impedir que encontrassem você.

— Quem?

O pai de Helena olhou para as Sete Luas.

— Aqueles que criaram a mansão.

Helena franziu a testa.

— Mas foram vocês que criaram as Sete Luas.

Ele balançou a cabeça.

— Não.

— Então quem criou?

O pai de Helena ficou sério.

— A Sétima Lua.

Nesse momento, todas as luzes da mansão se apagaram.

Uma risada feminina ecoou pelos corredores.

E a voz dentro da cabeça de Helena sussurrou:

— Ele está mentindo.

Helena fechou os olhos.

Duas vozes começaram a falar ao mesmo tempo.

A voz de seu pai.

E a voz da Sétima Lua.

E, pela primeira vez, Helena percebeu que talvez nenhuma das duas estivesse dizendo toda a verdade.

Então o relógio da mansão bateu meia-noite.

Uma badalada.

Duas.

Três.

Até chegar à sétima.

Na sétima badalada, uma porta apareceu no chão.

Uma porta que não existia antes.

Amara empalideceu.

— Não...

Helena olhou para ela.

— O que foi?

Amara respondeu:

— A Câmara da Lua Negra.

Nox mostrou os dentes.

— E ninguém deveria entrar lá.

Helena olhou para a porta.

Do outro lado, alguém estava batendo.

Toc.

Toc.

Toc.

E então uma voz infantil chamou:

— Helena...

— Abra.

Helena reconheceu a voz.

Era a pequena versão dela mesma.

Mas dessa vez havia algo diferente.

A criança estava chorando.

— Por favor... me tire daqui.

Helena se aproximou da porta.

Colocou a mão na maçaneta.

E ouviu a voz de Nox atrás dela:

— Helena...

Ela parou.

— Não abra.

Helena olhou para trás.

— Por quê?

Nox respondeu:

— Porque quando essa porta abrir...

Ele olhou para o medalhão.

— A Sétima Lua poderá sair.

Thoughts

  • GasparRibeiro

    Há uma conta que não fecha: o medalhão foi posto ao bebé naquela noite e a Helena só dá por ele agora. Alguém o guardou estes anos todos, e o meu palpite é a mãe.

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  • Simao

    Eu já não confiava no pai e agora confio ainda menos. Quem anda anos feito sombra pelos corredores e aparece a dizer que te estava a proteger tem muito para explicar. Aposto que a Sétima Lua é a única a falar verdade.

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A voz continuava cantando.

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