O Luiz vendo por dentro o luto do tio pela Aylla vira o Constantino de cabeça pra baixo neste capítulo. Meu palpite é que o Rei dos Bruxos do Sul tem a mão na morte dela também, e que o Luiz chega no Sul sabendo de coisa que nem a Hadria sabe.
Capítulo 47: A Escolha no Sangue
Pensamento
O Luiz vendo por dentro o luto do tio pela Aylla vira o Constantino de cabeça pra baixo neste capítulo. Meu palpite é que o Rei dos Bruxos do Sul tem a mão na morte dela também, e que o Luiz chega no Sul sabendo de coisa que nem a Hadria sabe.
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livro (trinta dias para a última lua)
Constantino atirou a cabeça para trás e gargalhou, o som ecoando rico e macabro pelas paredes frias do salão.
— Você achou mesmo que eu deixaria vocês irem embora assim? Crianças... tão ingênuas. — Ele riu novamente, mas a diversão esvaziou-se de seus olhos, dando lugar a uma frieza abissal.
— Você... — Luiz ergueu-se de um salto, os olhos cravados no espaço vazio onde o portal estava há poucos segundos. O pânico começou a asfixiá-lo, retorcendo suas entranhas. — Você não a enviou para o meu castelo. Para onde você a mandou?
— Para onde ela sempre esteve destinada a ir, querido sobrinho. O Rei dos Bruxos do Sul a quer.
Tomado por uma fúria cega, Luiz avançou. Ele quebrou a barreira do som, os punhos cerrados com a intenção clara de arrancar a cabeça de Constantino. Mas a escolta de elite foi muito mais rápida.
Antes que Luiz pudesse alcançar o lorde, um impacto brutal o atingiu pelas costelas, lançando-o violentamente contra a parede de pedra. O som de ossos se partindo ecoou alto no salão. Luiz rosnou, o sangue de dragão e vampiro fervendo em suas veias, e tentou revidar. Ele girou, desferindo um soco no rosto de um dos guardas, mas os puros-sangues o cercaram.
Era um massacre coreografado. Golpes de uma força letal e precisão milimétrica choveram sobre ele. Garras afiadas rasgaram suas costas; um chute esmagou seu abdômen, tirando todo o ar de seus pulmões. Luiz lutava com desespero animal, impulsionado pelo pavor de perder Hadria, mas foi brutalmente subjugado e prensado contra o mármore gelado. O sangue quente escorria por sua boca, e cada respiração era uma agonia dilacerante.
Constantino o observava do alto, intocável, o rosto esculpido em uma máscara de indiferença.
— Você não sabe absolutamente nada de política — disse o lorde. — Não é com força bruta que se arranca um rei do trono; são com as conexões e com o que você está disposto a sacrificar para ter o poder.
Ele deu um longo suspiro, como se o peso de milênios desabasse repentinamente sobre seus ombros, revelando uma fadiga profunda.
— Tudo tem um preço. Há muito tempo, seu pai estava prestes a perder a coroa. Mas ele foi astuto. Fez uma aliança improvável com uma Bruxa do Sul, tecendo uma rede podre de mentiras que resultou na morte... na morte da única mulher que um dia fez o meu coração bater. — Constantino sorriu, mas o gesto era carregado de uma tristeza devastadora e incurável.
No chão, Luiz tentava se erguer. Seu corpo implorava por trégua, os músculos rasgados latejando enquanto ele cuspia sangue, recusando-se a ficar de joelhos.
— Eu tenho uma dívida de sangue incalculável com o seu pai — continuou Constantino. — Mas também tenho uma dívida de sangue com Aylla. Eu enviei Hadria direto para as garras do reino do Sul. Contudo... eu vou lhe dar a oportunidade de escolher.
Constantino abaixou-se graciosamente ao lado do sobrinho. Com um movimento rápido e impiedoso, cravou as próprias presas no pulso. Ele agarrou o queixo de Luiz com força e espremeu o ferimento, obrigando o sangue ancestral a escorrer direto para dentro da boca do garoto.
Luiz engasgou, mas a essência do tio invadiu seu sistema. No mundo das trevas, quando um vampiro sorvia o sangue do outro, ele via a verdade absoluta de sua alma. O sangue nunca mente.
Em um clarão agonizante, a mente de Luiz foi invadida por memórias que não eram suas: a traição repugnante e os acordos sujos feitos por seu próprio pai, e a dor crua, infinita e rasgante de Constantino ao perder Aylla. Ele sentiu o amor e o luto do tio queimarem em seu próprio peito.
Constantino soltou o rosto de Luiz e recuou um passo, deixando-o processar a verdade.
— Você quer morrer aqui e agora, ou quer ir para o reino do Sul tentar salvar a sua amiga?
Luiz tossiu, engasgando com o sangue compartilhado e com o peso das revelações. Com um esforço sobre-humano, ele ergueu o braço trêmulo e apontou firmemente para o espelho de pedra.
— Tudo bem. Você quer ir, e eu vou honrar a sua escolha.
Usando a própria mão manchada de sangue, Constantino traçou os caracteres arcanos na superfície opaca. Com um som de sucção violento, o vidro rasgou-se, abrindo o vórtice negro.
Constantino fez um leve movimento de cabeça para a escolta. Dois dos vampiros de elite agarraram Luiz pelos braços e pernas como se ele fosse um fardo sem peso e o arremessaram sem piedade para dentro da escuridão rodopiante do portal.
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