Boa tarde. Esse foi o capítulo mais pé no chão até agora: ele se fechando quando algo preocupa, ela criando perguntas antes do problema existir. Casal de verdade é bem isso, cada um descobrindo o defeito do outro e resolvendo se aguenta conviver com ele. Meu palpite é que a conversa sobre a filha vai testar os dois mais do que qualquer mensagem demorada.
Capitulo 3- Nem tudo era como eu lembrava
Pensamento
Boa tarde. Esse foi o capítulo mais pé no chão até agora: ele se fechando quando algo preocupa, ela criando perguntas antes do problema existir. Casal de verdade é bem isso, cada um descobrindo o defeito do outro e resolvendo se aguenta conviver com ele.
Conteúdo da publicação
CAPÍTULO 3
NEM TUDO ERA COMO EU LEMBRAVA
Depois da primeira semana, comecei a perceber que o reencontro não seria feito apenas de descobertas bonitas.
E, de certa forma, isso me assustou.
Porque era fácil gostar dele quando tudo parecia familiar.
Era fácil sorrir quando ele dizia alguma coisa que me lembrava o garoto de dezessete anos.
Era fácil acreditar que, depois de tantos anos, finalmente estávamos vivendo aquilo que um dia não conseguimos viver.
O difícil começou quando eu descobri que ele também tinha mudado.
E que algumas dessas mudanças não combinavam comigo.
Ele tinha manias que eu não lembrava.
Jeitos de pensar que me incomodavam.
Algumas vezes parecia guardar as coisas para si quando eu queria conversar imediatamente.
Em outras, tomava decisões considerando primeiro as próprias responsabilidades, e eu precisava me lembrar de que a vida dele não tinha começado novamente no dia em que nos reencontramos.
Aquilo me incomodava.
Talvez mais do que deveria.
Porque, em algum lugar dentro de mim, ainda existia aquela menina que queria finalmente ser escolhida.
A menina que um dia sentiu que havia ficado para trás.
E ela tinha medo.
Muito medo.
Medo de que, depois de toda aquela espera, eu estivesse novamente ocupando o mesmo lugar.
O segundo.
Talvez por isso algumas coisas pequenas começassem a parecer maiores do que realmente eram.
Uma mensagem que demorava.
Um encontro que precisava ser adiado.
Um dia em que ele estava ocupado demais.
Eu tentava ser racional.
Dizia a mim mesma que ele tinha uma vida, responsabilidades, compromissos.
Mas meu coração nem sempre entendia a lógica.
Certa noite, depois de uma conversa que começou tranquila e terminou estranha, eu finalmente falei.
— Posso te perguntar uma coisa?
Ele me olhou.
— Pode.
Respirei fundo.
— Eu estou com medo.
Ele não respondeu imediatamente.
— De quê?
— De voltar a ser a segunda opção.
A expressão dele mudou.
Não parecia irritação.
Parecia preocupação.
— Você realmente acha que eu estou fazendo isso?
— Não sei.
Foi difícil admitir.
— E é justamente isso que me assusta. Eu não quero descobrir daqui a algum tempo que interpretei tudo errado.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
— Eu entendo.
— Entende mesmo?
— Acho que começo a entender.
Ele respirou fundo.
— Mas você precisa saber de uma coisa. Eu não voltei para você porque a minha vida deu errado. E também não quero que você esteja comigo porque eu voltei a olhar para o passado.
Aquilo me fez levantar os olhos.
— Então por quê?
Ele demorou um pouco para responder.
— Porque eu conheci a mulher que você se tornou. E quero descobrir se existe espaço para nós dois na vida que temos hoje.
Não foi uma promessa.
E talvez fosse justamente por isso que eu consegui acreditar.
Eu precisava aprender que ser escolhida não significava ocupar todos os espaços da vida de alguém.
E ele precisava aprender que me escolher também significava me fazer sentir segura nessa escolha.
Era uma construção dos dois lados.
Nos dias seguintes, começamos a conversar mais sobre aquilo.
Não apenas sobre o que sentíamos.
Mas sobre o que esperávamos.
Sobre aquilo que nos incomodava.
Sobre as pequenas coisas que cada um tinha dificuldade de aceitar.
Descobri, por exemplo, que ele podia ser extremamente fechado quando alguma coisa o preocupava.
Ele descobriu que eu podia pensar demais.
Que, quando algo me deixava insegura, eu criava perguntas antes mesmo de existir um problema.
Ele achava que eu precisava confiar mais.
Eu achava que ele precisava falar mais.
E, pela primeira vez, percebemos que talvez amar alguém não significasse gostar de tudo naquela pessoa.
Significava também descobrir como conviver com aquilo que não gostávamos.
Sem tentar transformar o outro em alguém diferente.
Uma noite, enquanto conversávamos, ele me contou algo que me fez perceber que havia outra preocupação por trás de tudo.
— Tem uma coisa que eu quero conversar com você.
— O quê?
Ele hesitou.
— Minha filha.
Meu coração apertou.
Não por medo dela.
Mas pelo significado daquela conversa.
Ele continuou:
— Eu não quero te apresentar a ela de qualquer maneira.
Fiquei quieta.
— Ela é uma parte muito importante da minha vida. E eu quero fazer isso com responsabilidade.
Eu assenti.
— Eu respeito isso.
— Eu também não quero que você sinta que precisa ocupar algum lugar que não é seu.
Aquelas palavras me tocaram.
— Eu nunca quis ocupar o lugar de ninguém.
— Eu sei.
Ele sorriu discretamente.
— E também não quero que você pense que, por ela existir, você sempre estará do lado de fora da minha vida.
Aquilo era exatamente o que eu precisava ouvir.
— Eu não quero competir com ela — respondi. — Só quero saber se existe um lugar para mim na sua vida.
Ele me olhou durante alguns segundos.
— Existe.
Dessa vez, ele não disse aquilo como quem faz uma promessa bonita.
Disse como quem estava tentando construir uma verdade.
E eu percebi que aquele reencontro estava ficando muito diferente do que eu havia imaginado.
Porque eu não estava mais conhecendo apenas o homem que um dia amei.
Estava conhecendo suas responsabilidades.
Suas imperfeições.
Seus limites.
E ele estava conhecendo os meus.
Talvez aquela fosse a parte menos romântica do começo.
Mas também poderia ser a mais verdadeira.
Eu tinha passado anos imaginando como seria ser escolhida por ele.
Agora precisava descobrir se conseguia confiar na escolha dele sem abandonar a minha própria.
E talvez essa fosse a maior diferença entre a menina que eu fui e a mulher que eu havia me tornado.
Eu não queria mais apenas ser escolhida.
Eu queria ser escolhida com clareza.
E queria ter liberdade para escolher também.
Thoughts
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PermalinkQuando entra filha de outro relacionamento, a história muda de tamanho. Agora não são só os dois, tem a mãe da menina, rotina, visita dividida. Meu palpite é que a ex ainda vai aparecer e bagunçar essa calma.
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PermalinkEsperei uma cena de ciúme e veio uma conversa adulta sobre a filha dele. Ela já estava planejada desde o começo ou surgiu enquanto você escrevia?
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PermalinkMenina, ela admitir que cria perguntas antes do problema existir foi onde mais acreditei nela. Aposto que é esse jeito que vai pesar quando a filha dele entrar em cena.
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PermalinkEle a pensar primeiro nas responsabilidades dele e ela a sentir-se outra vez em segundo lugar. Se calhar os dois têm razão, e é isso que torna a coisa difícil.
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PermalinkBoa tarde. Esse foi o capítulo mais pé no chão até agora: ele se fechando quando algo preocupa, ela criando perguntas antes do problema existir. Casal de verdade é bem isso, cada um descobrindo o defeito do outro e resolvendo se aguenta conviver com ele. Meu palpite é que a conversa sobre a filha vai testar os dois mais do que qualquer mensagem demorada.
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PermalinkEpá, a filha.
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PermalinkA filha só apareceu agora. Aposto que vai ser ela a dar mais trabalho aos dois do que o passado todo.
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PermalinkA menina que queria ser escolhida virando uma mulher que também quer escolher me fez pensar que o reencontro de verdade começa aqui, quando os defeitos aparecem e ninguém sai correndo. Aposto que a conversa com a filha dele vai ser o primeiro teste real disso. Que bom ver O Agora crescendo por aqui!
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PermalinkGostei muito de ele não prometer nada e ela acreditar justamente por isso. Essa história tá ficando massa.
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Depois da primeira semana, comecei a perceber que o reencontro não seria feito apenas de descobertas bonitas.