O Arlen mandando cuidar do filho primeiro, com o prisioneiro mais importante do reino no chão do salão, foi o momento mais de pai da história até aqui. Meu palpite: o rei de Eferin desce pra cela sem ninguém saber quem ele é, e quando descobrirem ele já vai ter acordado.
Capítulo 24 : O rei nas masmorras
Pensamento
O Arlen mandando cuidar do filho primeiro, com o prisioneiro mais importante do reino no chão do salão, foi o momento mais de pai da história até aqui. Meu palpite: o rei de Eferin desce pra cela sem ninguém saber quem ele é, e quando descobrirem ele já…
Conteúdo da publicação
Enquanto isso...
A noite já começava a perder força.
Muito além das Montanhas Negras, a floresta dava lugar às antigas estradas que levavam aos reinos humanos.
Yal caminhava sem parar.
Aras permanecia desacordada em seus braços.
Oden seguia sobre um de seus ombros, preso por grossas cordas reforçadas com Ruton.
A cada quilômetro percorrido, a substância amarela espalhava-se ainda mais sob a pele de Yal.
Veias douradas pulsavam por seu pescoço e desciam pelos braços como raízes luminosas.
Sua respiração tornava-se cada vez mais pesada.
As mãos tremiam.
O Ruton estava sendo usado muito além do limite seguro.
Mesmo assim, ele não diminuía o passo.
Só mais um pouco...
Só preciso levá-la para casa...
Quando o primeiro clarão da madrugada surgiu no horizonte, os enormes portões de Hagar apareceram envoltos pela névoa.
Do alto das muralhas, um sentinela estreitou os olhos.
— Tem alguém vindo!
Outro aproximou-se rapidamente.
— Sozinho?
— Não... Está carregando duas pessoas!
Os arqueiros imediatamente ergueram os arcos.
À medida que a figura se aproximava, um dos guardas arregalou os olhos.
— Esperem...
Então, um grito ecoou.
— É o príncipe Yal!
Outro soldado levou a mão à boca.
— Pela Luz...
Os portões começaram a se abrir.
Quando Yal atravessou a entrada do reino, todos os guardas permaneceram imóveis.
Seu uniforme estava rasgado.
Havia sangue seco espalhado pelas roupas.
Seu rosto estava extremamente pálido.
Mas o que realmente causava espanto era sua pele.
Linhas amarelas pulsavam sob ela como rios de luz viva.
Cada respiração fazia aquelas marcas brilharem com mais intensidade.
A substância parecia percorrer seu corpo como se tivesse vontade própria.
Um dos médicos militares, chamado às pressas, empalideceu.
— Ele abusou do Ruton...
Outro soldado sussurrou:
— Nunca vi alguém sobreviver usando tanto.
Yal não respondeu.
Continuou caminhando.
Os olhos permaneciam fixos apenas à frente.
— Abram caminho.
Sua voz saiu rouca.
Os guardas obedeceram imediatamente.
Foi então que perceberam quem ele carregava.
— A princesa...
Um murmúrio percorreu o pátio.
— A princesa voltou...
Mas o alívio durou apenas um instante.
Os olhares voltaram-se para o homem desacordado sobre o ombro de Yal.
Era alto, de porte imponente. Os longos cabelos negros estavam presos em um coque baixo, de onde escapavam algumas mechas sobre o rosto.
Havia cicatrizes nos cantos da boca, enquanto os olhos prateados permaneciam fechados pela inconsciência.
À primeira vista, parecia apenas um homem.
Então alguns soldados perceberam suas vestes.
O tecido escuro.
Os adornos característicos e muito conhecidos pelas fofocas dos guardas das antigas prisões.
O estranho Éter que ainda parecia envolver seu corpo.
— Um eteriano...
Outro guarda deu um passo para trás.
— Como isso é possível...?
As espadas foram desembainhadas quase ao mesmo tempo.
— Façam-no prisioneiro!
— Matem-no antes que acorde!
Yal parou.
Mesmo à beira do colapso, sua voz cortou o pátio.
— Ninguém toca nele! Ele fica vivo.
Os soldados trocaram olhares confusos.
— Alteza... ele é um eteriano...
— Eu sei exatamente quem ele é.
Um capitão aproximou-se.
— Então, por quê?
Yal respirou com dificuldade.
— Ele fez algo com minha esposa. Até que eu descubra o que é e como quebrar, ele ficará vivo!
Passos apressados ecoaram pelos corredores internos do palácio.
A notícia havia atravessado as paredes de pedra rapidamente.
As grandes portas do salão principal foram abertas de uma vez.
O primeiro a surgir foi Orian.
Ainda vestia apenas parte das roupas reais, como se tivesse saído da cama sem sequer terminar de se preparar.
Seu olhar encontrou imediatamente Aras desacordada nos braços de Yal.
Por um instante, toda a postura de imperador desapareceu.
Ele apenas correu.
— Aras...
Parou diante da filha.
A mão trêmula afastou uma mecha de seu cabelo.
Ela respirava.
O peito subia e descia lentamente.
Nenhum ferimento grave.
Os ombros de Orian finalmente cederam.
Durante aqueles dois dias, ele havia imaginado o pior.
Agora ela estava ali.
Viva.
Poucos passos atrás, Arlen também chegava às pressas.
Assim que viu o filho, seu semblante mudou completamente.
As marcas douradas haviam avançado até os vasos sanguíneos dos olhos de Yal, assim como as veias luminosas que tomaram parte de seu rosto.
Arlen aproximou-se imediatamente.
— O que você fez consigo mesmo?
Yal tentou responder.
Nenhuma palavra saiu.
Apenas respirou com dificuldade.
Arlen segurou um de seus ombros para impedir que caísse.
Então, seus olhos encontraram o homem preso pelas cordas de Ruton.
Franziu a testa.
— Um... eteriano?
Os médicos também olharam.
Ninguém o reconhecia.
Era apenas um homem de aparência incomum.
Mas, mesmo desacordado, transmitia uma presença difícil de ignorar.
Um dos capitães aproximou-se.
— O príncipe encontrou um eteriano vivo, Majestade.
Arlen permaneceu observando o prisioneiro durante alguns segundos.
— Ele atacou vocês?
Yal fez um pequeno movimento negativo com a cabeça.
— ...Depois.
Foi tudo o que conseguiu dizer.
Orian ergueu lentamente os olhos.
Seu alívio pela filha deu lugar à preocupação.
— Foi ele quem levou Aras?
Yal respirou fundo.
— Não sei... mas eu o encontrei... com ela.
Os olhares voltaram-se para o eteriano.
Orian aproximou-se alguns passos.
Observou cuidadosamente seu rosto.
Tentou lembrar se já o tinha visto em algum antigo registro da Guerra de Profén.
Nada.
Era completamente desconhecido.
— Levem este homem para as celas subterrâneas.
Um dos guardas fez uma reverência.
— Devemos interrogá-lo quando despertar?
Orian assentiu.
— Sim.
Seu olhar endureceu.
— Quero saber como atravessaram nossas fronteiras. Como sequestraram minha filha e tudo o que sabem sobre Eferin.
Arlen voltou-se para os médicos.
— Meu filho primeiro. Agora.
O médico militar já preparava instrumentos e frascos.
— O excesso de Ruton pode provocar ruptura dos canais de energia. Se demorarmos mais...
Ele não terminou a frase.
Arlen compreendeu.
Olhou novamente para Yal.
O príncipe mantinha os olhos fixos apenas em Aras.
Como se todo o sofrimento da viagem só tivesse valido a pena porque ela respirava.
Arlen apertou de leve o ombro do filho.
— Você cumpriu sua promessa.
Pela primeira vez desde que atravessara as Montanhas Negras, um pequeno alívio passou pelo rosto de Yal.
Então sua consciência finalmente cedeu.
Seu corpo perdeu as forças.
Os médicos o ampararam antes que atingisse o chão.
Enquanto isso, quatro soldados erguiam cuidadosamente o eteriano inconsciente para levá-lo às masmorras.
Nenhum deles imaginava que o homem preso por cordas de Ruton não era apenas um guerreiro inimigo.
Era o próprio líder de Eferin, o rei de todo o povo eteriano.
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