Sabe quando você olha para o céu e, de repente, é como se alguns momentos do passado voltassem em flashes tão vivos que quase parecem acontecer outra vez?
É assim que me sinto quando olho para o céu.
Eu me lembro de um momento lindo. Mágico.
Alguns dias depois de terminar com Luisa, eu estava ali, me apaixonando ainda mais por cada parte de Emma.
Depois de tantas caminhadas pela faculdade, tantos sorrisos bobos e olhares que diziam muito mais do que qualquer palavra, fomos para a laje do prédio onde Emma morava.
Sentamos no chão e ficamos olhando para o céu.
Conversamos sobre sonhos, pensamentos, medos, desejos… sobre tudo e, ao mesmo tempo, sobre nada.
E, enquanto ela falava, eu olhava para Emma.
Lembro dos olhos dela brilhando sob a luz do luar.
E naquele momento eu sentia um desejo quase impossível de controlar: dizer que a amava.
Sabe quando você sente vontade de gritar aos sete cantos da Terra que ama alguém?
Era exatamente aquilo.
E o mais curioso é que, depois de quatro anos, esse sentimento ainda vive em mim.
A diferença é que hoje eu não posso mais gritar.
Então escrevo.
Escrevo cada lembrança que ainda permanece viva dentro de mim.
Naquela noite, eu tentei falar várias vezes.
Eu queria dizer, mas sentia um nó na garganta. As palavras pareciam grandes demais para caber na minha boca.
Até que, finalmente, criei coragem.
— Eu quero muito te dizer uma coisa…
Mas não consegui terminar.
Ela me disse que sentia o mesmo.
Que também queria dizer algo, mas não sabia como.
Então me contou sobre uma frase que tinha visto em uma série: “Eu te lobo.”
Era uma história sobre um casal que havia se apaixonado e se amava, mas achava cedo demais para dizer “eu te amo”.
E aquela frase parecia perfeita para nós.
Então, naquele dia, nasceu o nosso jeito de dizer aquilo que ainda não tínhamos coragem de dizer.
Eu te lobo.
E durante muito tempo, foi assim.
Eu te lobo.
Como a lua ama o sol.
Hoje, eu sou a lua.
E cada parte de mim ainda parece atraída pelo meu sol.
Hoje, eu a lobo de longe.
Distante.
Sem poder alcançá-la.
Mas ainda assim, a lobo.
Talvez seja por isso que eu tenha tatuado um lobo uivando para a lua.
Para lembrar de onde tudo começou.
Para lembrar daquela noite.
Para lembrar que, mesmo quando parecia cedo demais para dizer, eu já a amava.
Eu a encontrei debaixo do céu.
E, de alguma forma, foi também debaixo dele que uma parte de mim ficou para sempre.
Eu encontrei Emma.
Encontrei o meu amor.
Debaixo da lua.