Tchê, aquele momento onde ela tá esperando e o relógio parece brincar, aquilo ali é ansiedade pura. Reconheço cada segundo arrastado.
Capitulo 2 - A Resposta
Oi. Tudo bem?
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Pensamento
Tchê, aquele momento onde ela tá esperando e o relógio parece brincar, aquilo ali é ansiedade pura. Reconheço cada segundo arrastado.
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Capítulo 2 — A resposta
Oi. Tudo bem?
Escrevi aquelas três palavras devagar.
Parecia simples.
Mas não era.
Antes de apertar o botão de enviar, respirei fundo.
Por alguns segundos, fiquei olhando para a tela.
A menina de dezessete anos que ainda existia em algum lugar dentro de mim teria feito diferente.
Ela teria se feito de fria.
Teria deixado a mensagem sem resposta.
Talvez passasse dias sem responder, apenas para que ele sentisse um pouco da espera que um dia eu havia sentido.
Mas aquela menina já não estava no comando.
Eu tinha trinta e dois anos.
E a mulher que eu havia me tornado não queria mais viver de jogos.
Não queria fingir indiferença quando sentia curiosidade.
Não queria transformar orgulho em proteção.
E, principalmente, não queria perder uma oportunidade de ouvir aquilo que talvez estivesse escondido por trás de um simples:
Oi. Tudo bem?
Então deixei o ego de lado.
Deixei a frieza de lado.
E enviei.
Foram necessários apenas alguns minutos para que ele respondesse.
Quanto tempo, hein?
Meu coração acelerou.
Continuei lendo.
Vi você na academia aquele dia. Tive medo e insegurança de me aproximar. Mas fiquei te olhando, te observando. Você está cada dia mais linda.
Parei.
Li novamente.
E mais uma vez.
Como assim?
Era realmente ele quem estava escrevendo aquilo?
A mesma pessoa que, tantos anos atrás, parecia tão distante?
Aquele homem que eu havia aprendido a acreditar que nunca mais olharia para mim daquela maneira?
As lágrimas que minutos antes ameaçavam cair agora haviam desaparecido.
No lugar delas, surgiu um sorriso.
Um daqueles sorrisos que a gente tenta esconder, mesmo estando sozinha.
Balancei a cabeça.
Era realmente impressionante.
Depois de tantos anos, ele ainda sabia exatamente como me deixar sem graça.
Respondi tímida, tentando não demonstrar o quanto aquelas palavras tinham mexido comigo.
Mas, por dentro, meu coração fazia perguntas que eu ainda não sabia responder.
Por que ele havia ficado me observando?
Por que não se aproximou?
Medo de quê?
Insegurança por quê?
Será que ele também sentiu alguma coisa naquele momento?
Eu ainda estava tentando organizar meus pensamentos quando uma nova mensagem chegou.
E, então, ele perguntou como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo:
“A gente se vê na academia hoje?”
Meu coração disparou.
Fiquei alguns segundos olhando para aquela frase.
Ele realmente quer me ver?
Era uma pergunta simples.
Mas, para mim, carregava quinze anos.
Quinze anos de distância.
Quinze anos de perguntas sem resposta.
E agora ele queria me ver.
Ali.
Naquele lugar.
Naquele dia.
Uma parte de mim queria responder imediatamente.
Outra queria parar tudo e perguntar o que aquilo significava.
O que ele estava procurando?
Por que agora?
Por que depois de tanto tempo?
Eu poderia passar horas tentando encontrar respostas.
Mas talvez algumas respostas só pudessem ser encontradas olhando nos olhos de quem fazia as perguntas.
Então respondi:
Sim. Nos vemos lá.
Pouco depois, outra mensagem apareceu.
Dessa vez, havia hesitação nas palavras.
Será que depois do treino a gente poderia sair para conversar?
Meu coração parou por um instante.
Conversar.
Era só isso.
Conversar.
Mas quantas vezes, aos dezessete anos, eu havia desejado exatamente aquilo?
Quantas vezes quis sair com ele?
Não precisava ser nada grandioso.
Eu só queria sua companhia.
Queria sentar em algum lugar, conversar, rir das coisas mais bobas, descobrir seus pensamentos, saber como ele enxergava o mundo.
Queria simplesmente ter tempo para conhecê-lo.
Mas, naquela época, eu sempre tive a sensação de que era sua segunda opção.
E talvez essa fosse uma das feridas que mais tempo levaram para cicatrizar.
Agora ele estava me convidando.
Depois de todos aqueles anos.
E eu precisava me perguntar:
Eu realmente estava pronta para aceitar?
Não o convite.
Mas tudo o que poderia vir junto com ele.
Será que eu estava pronta para conhecer essa nova versão dele?
E ele?
Será que estava pronto para conhecer a mulher que eu havia me tornado?
Ou será que estava procurando a menina que um dia conheceu?
Aquela menina que esperava.
Que se emocionava com pouco.
Que acreditava que um olhar poderia significar uma promessa.
Eu não era mais aquela menina.
E não queria voltar a ser.
Eu queria descobrir quem ele era agora.
Sem fantasias.
Sem expectativas impossíveis.
Sem transformar aquela conversa em uma história antes mesmo que ela começasse.
Por isso, respondi apenas:
Sim.
E acrescentei um emoji.
Era apenas um pequeno símbolo na tela.
Mas, naquele momento, parecia carregar um significado enorme.
Depois que enviei, coloquei o celular sobre a mesa.
E fiquei olhando para ele.
Um fio de esperança havia surgido dentro de mim.
Pequeno.
Delicado.
Perigoso.
Mas real.
Nós iríamos nos encontrar.
Depois de tantos anos.
E, de repente, o relógio pareceu decidir brincar comigo.
As horas não passavam.
Três horas pareceram três dias.
Eu olhava para o relógio.
Depois para o celular.
Depois para o relógio novamente.
Tentei trabalhar.
Tentei me distrair.
Tentei agir como se aquele encontro não fosse nada demais.
Mas era.
Pelo menos para mim, era.
Minha mente criava perguntas atrás de perguntas.
O que eu diria quando o visse?
Será que ele me abraçaria?
Será que nossos olhos se encontrariam como antigamente?
Será que eu sentiria novamente aquela mesma sensação?
Ou será que, diante dele, perceberia que tudo aquilo havia sido apenas uma lembrança bonita demais para continuar existindo na realidade?
Não.
Eu não podia criar fantasias.
Não dessa vez.
Eu precisava me lembrar de quem eu era.
Precisava me lembrar de tudo o que havia vivido.
De tudo o que havia aprendido.
Não iria para aquele encontro como uma menina esperando finalmente ser escolhida.
Eu iria como uma mulher.
Uma mulher que queria conversar.
Que queria ouvir.
Que também queria ser ouvida.
Uma mulher que tinha perguntas.
Muitas.
Mas que não precisava de nenhuma resposta para saber o próprio valor.
Finalmente, seis da tarde.
Fechei o que precisava fechar.
Peguei minhas coisas.
E respirei fundo.
O encontro que, durante tantos anos, eu havia imaginado de tantas formas finalmente estava prestes a acontecer.
Mas dessa vez eu não queria imaginar.
Queria viver.
Sem escrever antecipadamente o final.
Sem transformar um olhar em promessa.
Sem transformar uma conversa em destino.
Apenas nós dois.
Um homem e uma mulher.
Duas histórias que haviam seguido caminhos diferentes.
Duas pessoas que haviam crescido longe uma da outra.
E talvez, depois de tantos anos, finalmente teríamos a oportunidade de descobrir quem éramos agora.
Saí.
E, enquanto caminhava para encontrá-lo, uma única frase passou pela minha cabeça:
Talvez o verdadeiro reencontro não fosse com ele.
Talvez fosse comigo mesma.
Thoughts
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PermalinkGostei demais de como tu escreveu a parte do relógio parecendo brincar com ela, esperando pra encontrar de novo. E tem aquele final, aquele 'talvez o verdadeiro reencontro fosse comigo mesma': é tipo um fio que tu tira errado e muda toda a trama.
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PermalinkEntendo esse conflito tipo, você quer responder de um jeito mas também quer proteger, sabe. Tipo quando alguém que importou volta e a gente tem medo de confiar de novo.
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PermalinkAquela parte onde ela responde só 'sim' com um emoji: é isso. Sem parafraseado, sem justificação. A mulher que ela virou sabe o que quer e o diz.
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PermalinkLemos muito disso: o momento que a gente escolhe deixar o ego de lado e responder. E é sempre tão pequeno quando acontece de verdade, sabe.
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PermalinkQue escrito lindo. Vai postar a continuação desta série?
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PermalinkA gente carrega coisas assim sem falar, esperando no silêncio. Aquelas quinze letras de ferida fechando, sabe. A cicatriz que demora pra aparecer.
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PermalinkTchê, aquele momento onde ela tá esperando e o relógio parece brincar, aquilo ali é ansiedade pura. Reconheço cada segundo arrastado.
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PermalinkSério que o texto todo é ela medindo a distância entre a menina e a mulher, essa diferença que é toda temporal, não é mesmo!
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PermalinkSim! 💔
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