A voz de miúda a subir a escada, com os toques espaçados e a respiração antes, é a parte que me deixou de pé atrás no capítulo todo. Aposto que a Sétima Lua e a menina de vestido branco da visão são a mesma, e que o espaço vazio na parede foi a própria Helena que o deixou assim naquela noite.
Capítulo 2 — A Primeira Lua
Pensamento
A voz de miúda a subir a escada, com os toques espaçados e a respiração antes, é a parte que me deixou de pé atrás no capítulo todo. Aposto que a Sétima Lua e a menina de vestido branco da visão são a mesma, e que o espaço vazio na parede foi a própria He
Conteúdo da publicação
Helena abriu os olhos lentamente.
A primeira coisa que sentiu foi frio.
Um frio profundo, que parecia atravessar sua pele e chegar aos ossos.
Ela tentou se mexer, mas seu corpo estava pesado.
Por alguns segundos, não conseguiu lembrar onde estava.
Então ouviu um relógio.
Tic... tac...
Tic... tac...
Helena virou o rosto.
Estava deitada em um sofá antigo, coberto por um tecido vermelho escuro.
Acima dela havia um enorme lustre de cristal.
Algumas velas estavam acesas ao redor da sala.
Ela se sentou rapidamente.
— Onde eu estou?
A lembrança voltou de uma vez.
A floresta.
Nox.
A mansão.
As sete luas.
E aquela sombra sem rosto.
Helena levantou-se.
— Nox?
Nenhuma resposta.
— Nox!
Silêncio.
Ela caminhou até a porta.
Estava trancada.
Helena tentou a maçaneta novamente.
Nada.
— Ótimo...
Uma risada suave veio do outro lado da sala.
Helena congelou.
— Quem está aí?
A risada parou.
Então uma voz feminina respondeu:
— Você sempre foi impaciente.
Helena virou-se.
O retrato que havia visto no corredor estava ali.
Mas agora a mulher não estava mais dentro da pintura.
Ela estava sentada em uma poltrona próxima à janela.
Era exatamente como no retrato.
Cabelos negros e longos.
Vestido antigo.
Pele muito pálida.
E uma pequena marca de lua crescente no pescoço.
Helena deu alguns passos para trás.
— Você...
A mulher sorriu.
— Sim.
— Amara?
— Amara.
Helena olhou para a porta.
Depois para Amara.
— Onde está o gato?
— Nox?
— Sim.
Amara levantou uma sobrancelha.
— Ele está onde sempre esteve.
— E onde é isso?
Amara apontou para o corredor.
— Entre os mundos.
Helena ficou em silêncio.
— Isso não faz sentido.
— Nesta casa, quase nada faz.
Amara levantou-se.
Seus pés não faziam nenhum som contra o chão.
Ela caminhou até Helena.
— Você se parece muito com ela.
Helena franziu a testa.
— Com quem?
Amara não respondeu.
Em vez disso, passou a mão sobre o rosto de Helena.
No instante em que seus dedos tocaram sua testa, Helena teve outra visão.
Uma menina correndo pela floresta.
Era noite.
Ela usava um vestido branco.
Atrás dela havia uma mulher.
A mesma mulher do retrato.
Amara.
A menina correu até uma porta.
Antes de entrar, virou-se.
Helena viu seu próprio rosto.
— Não...
A visão desapareceu.
Helena caiu de joelhos.
— Essa menina...
Amara ficou em silêncio.
— Era você — disse finalmente.
Helena levantou os olhos.
— Não.
— Era.
— Eu nunca estive aqui.
Amara se aproximou.
— Você diz isso porque não se lembra.
— Então me faça lembrar!
A voz de Helena ecoou pela sala.
As velas tremularam.
Amara ficou séria.
— Não posso.
— Por quê?
— Porque foi você quem pediu para esquecer.
Helena sentiu o sangue gelar.
— Eu pedi?
Amara assentiu.
— Naquela noite, você descobriu o que existia dentro desta casa.
— O quê?
Amara olhou para a janela.
Lá fora, a floresta estava completamente silenciosa.
— Nós.
Helena respirou fundo.
— As Sete Luas?
— Sim.
Amara caminhou até a parede.
Com um movimento da mão, uma parte dela desapareceu, revelando uma passagem escondida.
— Venha.
Helena hesitou.
— Para onde?
— Para o lugar onde tudo começou.
— E se eu não quiser?
Amara olhou para ela.
— Você vai querer.
A passagem revelou uma escadaria que descia para a escuridão.
Helena segurou a pequena lanterna que encontrou sobre uma mesa.
— Isso é uma péssima ideia.
Amara sorriu.
— Você costumava dizer isso antes de fazer exatamente a mesma coisa.
Helena olhou para ela.
— Antes?
Amara não respondeu.
As duas começaram a descer.
Um degrau.
Depois outro.
A cada passo, o ar ficava mais frio.
Na parede havia desenhos antigos.
Sete mulheres.
Cada uma segurava uma lua diferente.
Helena iluminou um dos desenhos.
— Essas são vocês?
— Sim.
Ela apontou para a primeira mulher.
— Você.
Depois para a segunda.
— Selene.
A terceira.
— Morgana.
A quarta.
— Isolde.
A quinta.
— Luna.
A sexta.
— Eva.
Helena continuou olhando.
Havia um espaço vazio.
— E a sétima?
Amara parou.
O sorriso desapareceu de seu rosto.
— Não diga o nome dela.
Helena sentiu um arrepio.
— Por quê?
Amara respondeu quase sussurrando:
— Porque ela pode ouvir.
Um ruído veio do fundo da escadaria.
Toc.
Helena olhou para baixo.
Toc.
Algo estava subindo.
Amara segurou o braço de Helena.
— Não olhe.
— O que é?
— Não olhe.
Toc.
Toc.
Helena ouviu uma respiração.
Então uma voz infantil surgiu da escuridão:
— Helena...
Ela arregalou os olhos.
Amara apertou seu braço.
— Não responda.
A voz chamou novamente.
— Helena...
Era a voz de uma criança.
Uma voz familiar.
Helena sentiu lágrimas surgirem nos olhos.
— Eu conheço essa voz.
Amara ficou pálida.
— Impossível.
— Eu conheço.
— Helena, não diga mais nada.
A voz voltou.
Dessa vez, mais próxima.
— Você prometeu que voltaria para mim.
Helena olhou para Amara.
— Quem é ela?
Amara demorou alguns segundos para responder.
Então disse:
— Você.
Helena ficou imóvel.
— O quê?
Amara apontou para o fundo da escada.
— Essa é a sua voz quando você era criança.
Helena sentiu o coração disparar.
A voz infantil começou a rir.
As velas se apagaram uma por uma.
Amara puxou Helena para trás.
— Agora você precisa se lembrar.
— Lembrar do quê?
Amara encarou a escuridão.
— Da noite em que você matou a Sétima Lua.
Helena ficou sem respirar.
— Eu... matei alguém?
Amara respondeu:
— Não.
Uma sombra passou rapidamente atrás delas.
— Você matou uma parte de si mesma.
No mesmo instante, todas as portas da mansão bateram ao mesmo tempo.
BAM!
E, no andar de cima, Nox começou a miar desesperadamente.
Helena olhou para Amara.
— O que está acontecendo?
Amara sussurrou:
— Ela acordou.
— Quem?
Amara olhou diretamente para Helena.
— A Sétima Lua.
Thoughts
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PermalinkFui à última frase antes de tudo e fiquei a achar que o Nox sabe mais do que toda a gente nesta casa.
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PermalinkA voz de miúda a subir a escada, com os toques espaçados e a respiração antes, é a parte que me deixou de pé atrás no capítulo todo. Aposto que a Sétima Lua e a menina de vestido branco da visão são a mesma, e que o espaço vazio na parede foi a própria Helena que o deixou assim naquela noite.
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