Capitulo 10 Investigação
Devido a uma noite de agitação, de tanta gente dizendo a verdade, a polícia foi chamando a vizinhança para testemunhar.
Por incrível que pareça, dentro de cada testemunha uma palavra não era diferente. Diziam assim:
- Acho que isto tem a ver com o Júlio.
- O Júlio é boca aberta, ou será outra coisa?
- Cuidado com o Júlio, nem a fofoqueira deu conta.
- Júlio é um estraga-paquera.
- Soube que ele levou um choque, o que tem o choque?
De tanto falarem do Júlio, a polícia foi até a porta dele. Batendo na porta, a polícia pergunta:
- O Júlio está?
Lá de dentro da casa vem a resposta:
- Estou, já estou indo.
Enquanto isso, um policial conversava com o outro: "O que este Júlio tem para falarem dele?" O outro policial responde:
- Pode ser só intriga.
Júlio sai e diz:
- No que posso ajudar?
O policial responde:
- Houve um ocorrido ontem que num raio de 15 metros ninguém conseguia mentir, somente falar a verdade. Onde você estava? Você viu algo incomum?
Júlio, olhando para um policial, se distrai da pergunta e pensa alto:
- Não é aquele policial que nem troca de farda e já está tomando uma.
O policial dá uma tossida e faz uma pergunta para Júlio:
- O que você estava fazendo quando aconteceu? Você também foi afetado e falou a verdade?
Júlio pensando alto:
- Eu vim ajeitar uma TV, mas me deram um baita choque na antena. Isso não se faz.
Júlio então responde à polícia:
- Eu estava em casa.
Os dois policiais olham para o Júlio e perguntam:
- Tem certeza? Não aconteceu nada, não viu?
Júlio pensa alto:
- Se eu disser que depois de descer do telhado um daqueles amigos da onça me confessou a armação, aí vai enrolar.
Júlio responde à polícia:
- Senti a língua coçando, mas nada incomum, dormi feito criança.
Os dois policiais, virando de costas e sorrindo, disseram bem baixo:
- Parece que tem algo aí. Será que a gente conta pra ele que mentiu pra gente de cara lavada?
E voltando para Júlio disseram:
- Peço que nos acompanhe.