Nós
Não houve uma grande cena.
Não houve música.
Não houve plateia.
Houve apenas uma conversa.
Nós dois sentados diante de tudo aquilo que havíamos construído.
— Então é isso? — ela perguntou.
— O quê?
— Nós.
Sorri.
— Acho que sim.
Ela riu.
— "Acho"?
— Estou tentando não prometer demais.
Ela balançou a cabeça.
— Depois de tudo, você ainda consegue me irritar.
Rimos.
Depois ficamos sérios.
— Eu escolho você — falei.
Ela me olhou.
— Mesmo sabendo de tudo?
— Principalmente sabendo de tudo.
Ela segurou minha mão.
— Eu também escolho você.
Não porque precisasse.
Não porque tivesse medo de ficar sozinha.
Não porque estivéssemos tentando compensar o passado.
Mas porque, depois de conhecerem as próprias vidas, os próprios sonhos, os próprios defeitos e os desafios que ainda viriam, ainda havia uma vontade comum.
Construir.
Juntos.
Naquele momento, não precisávamos de mais nenhuma resposta.
A pergunta que nos acompanhara por tantos anos finalmente havia mudado.
Já não era:
E se?
Era:
E agora?
E agora nós escolheríamos.