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Capitulo 15- Não quero o Passado

AllyneMaia
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Ele ainda esperava pela minha resposta.

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academiadobairro

Errei feio no capítulo 13, achei que ele ia contar da separação e o que veio foi ela dizendo tudo de uma vez. Meu palpite agora é que a filha aparece no 16 e é ela quem decide se esse devagar funciona 😬

Errei feio no capítulo 13, achei que ele ia contar da separação e o que veio foi ela dizendo tudo de uma vez. Meu palpite agora é que a filha aparece no 16 e é ela quem decide se esse devagar funciona 😬

Conteúdo da publicação

Ele ainda esperava pela minha resposta.

A pergunta continuava entre nós:

“E hoje? Você ainda me ama?”

Dessa vez, eu não precisei procurar uma resposta no passado.

Olhei para o homem sentado diante de mim.

Não para o garoto de dezessete anos.

Não para aquele rosto que minha memória havia guardado durante tantos anos.

Olhei para ele.

Para o homem que estava ali agora.

E percebi que, talvez, essa fosse a diferença entre aquilo que eu sentia naquela época e aquilo que eu queria sentir agora.

Respirei fundo.

— Eu não quero apenas amar aquele rapaz de dezessete anos.

Ele me olhou atentamente.

— Eu quero aprender a amar esse homem que está na minha frente também.

A expressão dele mudou.

Continuei:

— Porque você não é mais aquele garoto.

Pensei por alguns segundos.

— E eu também não sou mais aquela menina.

Ele permaneceu em silêncio.

— Eu quero conhecer você de verdade. Quero conhecer o homem que você se tornou depois de tudo o que viveu. Quero conhecer suas qualidades, seus defeitos, seus medos, seus sonhos... até as partes que talvez você ainda não saiba mostrar.

Parei.

— Porque hoje eu sei que não posso me apaixonar por uma lembrança.

Aquela frase pareceu atravessar nós dois.

— Eu não quero amar uma história que não aconteceu.

Olhei para ele.

— Quero descobrir se consigo amar a história que podemos construir daqui para frente.

Ele respirou fundo.

E eu continuei.

— Mas existe uma coisa que eu preciso deixar muito clara.

Minha voz ficou mais firme.

— Eu não vou aceitar ser sua segunda opção novamente.

Não havia raiva na minha voz.

Apenas certeza.

— Não quero disputar espaço com ninguém. Não quero ficar esperando você decidir se eu faço parte da sua vida. Não quero voltar a ser aquela mulher que precisa se perguntar o tempo todo qual é o lugar dela.

Ele assentiu lentamente.

— Mas também não quero exigir que eu seja o centro da sua vida.

Fiz uma pequena pausa.

— Você tem uma filha. E ela sempre terá um lugar importante na sua vida. Eu jamais pediria que fosse diferente.

Olhei para ele.

— O que eu quero é outra coisa.

— Quero que você compartilhe sua vida comigo.

Ele permaneceu atento.

— Quero saber como foi seu dia. Quero conhecer seus planos. Quero saber quando alguma coisa estiver te preocupando. Quero estar presente nas coisas boas e também nas difíceis.

Sorri de leve.

— E quero poder fazer o mesmo.

— Quero compartilhar minha vida com você.

Não queria pressa.

Não queria promessas feitas naquela noite sob o efeito da saudade.

Queria tempo.

Queria descobrir.

— Quero que a gente vá devagar.

— Sem medo do amanhã.

— Sem tentar recuperar quinze anos em algumas semanas.

— Sem criar expectativas baseadas em uma história que nunca aconteceu.

Olhei para ele.

— Quero começar uma história nova.

A frase ficou suspensa entre nós.

Uma história nova.

Não uma continuação forçada do passado.

Não uma tentativa de descobrir como teria sido nossa vida se tivéssemos escolhido um ao outro aos dezessete anos.

Uma história diferente.

Com duas pessoas adultas.

Com duas vidas que já haviam acontecido.

Com cicatrizes.

Com aprendizados.

Com responsabilidades.

Com escolhas.

E talvez fosse justamente isso que tornava tudo mais verdadeiro.

— E tem mais uma coisa.

Ele sorriu de leve.

— Estou começando a achar que essa lista vai ser grande.

Ri.

— Talvez seja.

Então fiquei séria novamente.

— Eu quero que a gente converse.

— Sobre tudo.

— Sobre qualquer assunto que aparecer.

— Mesmo quando for difícil.

— Principalmente quando for difícil.

Ele ficou me olhando.

— Não quero mais silêncio entre nós quando alguma coisa estiver incomodando.

— Não quero que a gente volte a interpretar atitudes sem perguntar.

— Se alguma coisa machucar, a gente conversa.

— Se alguma coisa incomodar, a gente conversa.

— Se surgir uma dúvida, a gente pergunta.

Respirei fundo.

— Quero confiança.

— Reciprocidade.

— E, principalmente, companheirismo.

Talvez eu estivesse pedindo muito.

Mas, depois de tudo o que havia vivido, eu sabia que não queria menos.

Não queria um amor baseado apenas em intensidade.

Queria um amor que soubesse permanecer quando a intensidade diminuísse.

Um amor que soubesse conversar.

Que soubesse ouvir.

Que soubesse respeitar.

Que soubesse dividir a vida.

Olhei para ele e sorri.

— Então...

Fiz uma pequena pausa.

— Acha que eu respondi à sua pergunta?

Ele ficou alguns segundos sem dizer nada.

Apenas me olhando.

E naquele silêncio eu percebi que talvez aquela tivesse sido a primeira vez em muitos anos que eu não estava esperando que alguém me escolhesse.

Eu estava apenas dizendo quem eu era.

O que eu queria.

E o que eu não aceitava mais.

Ele finalmente sorriu.

Mas, antes que pudesse responder, desviou o olhar para a água.

Ficou alguns segundos pensando.

Então voltou a olhar para mim.

— Respondeu.

Fez uma pausa.

— Mas agora você me fez perceber que eu também preciso responder uma pergunta.

— Qual?

Ele respirou fundo.

— Se eu estou realmente preparado para ser o homem que essa mulher merece.

E, pela primeira vez naquela noite, fui eu quem ficou sem resposta.

Porque talvez aquela fosse a pergunta que realmente importava.

Não se ainda nos amávamos.

Mas se éramos capazes de transformar aquele sentimento em alguma coisa madura o suficiente para sobreviver à realidade.

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  • academiadobairro

    Errei feio no capítulo 13, achei que ele ia contar da separação e o que veio foi ela dizendo tudo de uma vez. Meu palpite agora é que a filha aparece no 16 e é ela quem decide se esse devagar funciona 😬

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