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Capítulo 13: Os ecos do éter

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Pensamento

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RafaS22

A briga da roupa kkkk

A briga da roupa kkkk

Conteúdo da publicação

Aras despertou com o cheiro suave de ervas e pedra aquecida.

Quando abriu os olhos, encontrou Amme já desperta, sentada perto da janela, separando cuidadosamente várias peças de roupa sobre a cama.

Nenhuma lembrava um vestido humano.

Os tecidos pareciam líquidos, mudando discretamente de cor conforme a luz esverdeada que atravessava os cristais do teto.

Havia faixas translúcidas, mantos presos apenas por pequenos cristais vivos e adornos que pareciam crescer lentamente, como se respirassem.

Amme sorriu ao notar que Aras acordara.

— Bom dia!

Aras piscou algumas vezes.

— Você... está animada?

— Muito. — Ela ergueu um dos mantos. — Hoje você vai conhecer Eferin.

Aras observou o tecido.

— Isso é... uma roupa?

— Claro.

— Falta metade dela.

— Não falta.

— Falta.

Amme inclinou a cabeça, confusa.

— Humanos realmente gostam de esconder o corpo?

— Acho que temos vergonha.

— Ah... — A eteriana pareceu refletir seriamente sobre aquilo. — Faz sentido, suas estruturas são estranhas.

Aras arqueou uma sobrancelha.

— As nossas?

— Sim. — Amme aproximou-se, observando-a com a mesma curiosidade de um estudioso diante de uma descoberta. — Vocês são muito... rígidos.

— Rígidos?

— Os ossos são pesados, as articulações têm pouco movimento... tudo parece feito para suportar impacto.

Aras cruzou os braços.

— É porque vivemos em um mundo físico. Gravidade, frio, calor, quedas... nossos corpos precisam resistir.

Amme assentiu, interessada.

— Faz sentido. Sabe, os primeiros eterianos eram diferentes. — Ela tocou o próprio antebraço. — Nossos corpos não nasceram para suportar guerra. Foram feitos para acompanhar a Luz.

— Como assim?

— Eram leves. Muito leves. Os ossos eram finos; alguns nem eram completamente sólidos e, em certos indivíduos, simplesmente não existiam. Havia partes do corpo que mudavam conforme o Éter ao redor.

Aras inclinou discretamente a cabeça.

— Então eram frágeis?

— Contra espadas? Sim. — Amme sorriu. — Mas nem sequer existiam espadas. — Ela caminhou até a janela. — Não precisávamos lutar entre nós. Nosso corpo foi moldado para criar, construir, viajar e sentir.

Aras aproximou-se.

— O nosso foi moldado para sobreviver.

Então Amme voltou a encará-la, enquanto a princesa se apoiava na parede ao lado.

— É curioso...

— O quê?

— Mesmo assim... — Os olhos dourados da eteriana percorreram Aras dos pés à cabeça. — Você lembra um pouco os antigos.

Aras soltou um pequeno suspiro.

— Ontem você disse que eu era uma salvadora. Hoje pareço uma eteriana antiga. Amanhã vai dizer que nasci aqui?

Amme abriu um sorriso.

— Eu ainda não descartei essa possibilidade.

Aras levou uma das mãos ao rosto.

— Claro que não.

A eteriana riu baixinho.

Depois, aproximou-se mais uma vez e, com delicadeza, segurou a mão de Aras.

Virou-a para cima, observando sua palma.

— Veja. — Aras acompanhou seu olhar. — Os humanos têm a pele mais espessa nas mãos. Trabalham, empunham ferramentas, armas... tudo deixa marcas. Até uma caneta mal segurada. — Amme então mostrou a própria mão. A pele parecia lisa como vidro. Sob ela, pequenos filamentos luminosos pulsavam lentamente. — Nós conduzíamos Éter por quase todo o corpo. Não precisávamos desenvolver calos para sobreviver.

Aras comparou as duas mãos por alguns segundos.

— Então a guerra mudou vocês por dentro... e por fora?

O sorriso de Amme tornou-se mais discreto.

— Sim. — Ela fechou lentamente a própria mão. — A corrupção endureceu nossos corpos. Criou placas, chifres, garras... tudo aquilo que antes não existia. Foi como se o mundo nos obrigasse a aprender a sobreviver da pior maneira possível.

Aras percebeu que os traços considerados monstruosos pelos humanos talvez não fossem a verdadeira aparência dos eterianos, apenas as cicatrizes deixadas por séculos de sofrimento.

Tentando mudar de assunto, a princesa puxou a própria mão e se aproximou das vestes em cima da cama.

— São tantas opções. Qual devo vestir?

Amme afastou alguns mantos até encontrar um conjunto de tecidos claros, presos por pequenos cristais vivos.

— Este.

Aras ergueu a peça.

— E... como isso fica preso?

— Eu mostro.

Poucos minutos depois, a princesa já estava vestida.

Os tecidos pareciam estranhos em suas mãos, mas, curiosamente, confortáveis sobre o corpo.

Amme deu alguns passos para trás.

— Agora falta o mais difícil.

— O quê?

— Aprender a ser uma eteriana.

Aras arqueou uma sobrancelha.

— Achei que bastasse vestir roupas diferentes.

— Não. Humanos ocupam espaço de outra maneira. — A eteriana caminhou até o centro do quarto. — Vocês caminham empurrando o chão. Cada passo afirma que o corpo é pesado.

Ela então deslizou pelo aposento.

Não parecia exatamente um passo.

Era como se o corpo inteiro acompanhasse o movimento, sem interrupções.

— Nós seguimos o Éter. Nunca contra ele.

Aras observou alguns segundos.

Depois tentou.

Deu apenas três passos.

Amme permaneceu imóvel.

Piscou.

— ...

Aras olhou para ela.

— Fiz errado?

— Faça de novo.

A princesa repetiu o movimento.

Os pés tocavam o chão com leveza, os ombros permaneciam relaxados e o corpo parecia acompanhar naturalmente o fluxo do ambiente.

Não era perfeito.

Mas era... familiar.

Amme aproximou-se lentamente.

— Quem ensinou isso?

— Ninguém.

— Tem certeza?

— Absoluta.

A eteriana começou a andar ao redor dela, analisando sua postura.

— Isso levaria meses para um humano aprender.

Aras deu de ombros.

— Talvez seja porque sou sotniana.

Amme permaneceu quieta.

— Os sotnianos são mais leves.

— Hm.

— Nossa ligação com o Éter também é maior.

— Hum.

— Então deve ser isso.

Amme sorriu.

“Não...”, pensou.

“Nem os antigos sotnianos caminhavam assim.”

Ela resolveu mudar de exercício.

— Há outra coisa.

Aras voltou a encará-la.

— Entre nós quase não interrompemos uns aos outros quando conversamos.

— Porque são educados?

Amme riu.

— Não exatamente. — Ela levou dois dedos à própria testa. — Antigamente percebíamos pequenas mudanças no fluxo do Éter. Antes mesmo de alguém falar, já sabíamos quando desejava continuar ou terminar uma frase.

— Como uma telepatia?

— Não. Mais... uma empatia compartilhada.

Aras refletiu.

— Humanos observam expressão, respiração, postura...

— Nós observávamos isso também. Mas era muito mais difícil esconder uma intenção quando o Éter a revelava antes das palavras. — Amme fez um gesto. — Vamos tentar?

Ela permaneceu completamente em silêncio.

Não fazia sinais.

Depois de alguns segundos, Aras respondeu espontaneamente:

— Você quer que eu caminhe até a janela.

Amme congelou.

— ...Como soube?

Aras piscou.

— Não sei. — Ela realmente não sabia. — Só... parecia óbvio.

O coração de Amme acelerou.

Ela repetiu o teste.

Pensou apenas em apontar para uma cadeira.

Antes que qualquer gesto fosse feito, Aras caminhou até a mesma cadeira.

— E pra mim levar até você ou me sentar?

Silêncio.

Amme respirou devagar.

“Isso não é possível...”

Nem mesmo muitos eterianos modernos conseguiam interpretar tão bem os ecos do Éter.

Thoughts

  • turismoDeQueixa

    Gostei da Amme ensinando a Aras a andar e ela errando de primeira, as duas se acostumando uma com a outra aos pouquinhos.

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  • gastoInvisivel

    A Aras foi até a cadeira antes do gesto e ainda perguntou se era pra levar ou sentar. A Amme vai contar isso pra alguém hoje mesmo

    Permalink
  • RafaS22

    A briga da roupa kkkk

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