Quinze anos à espera e o gajo ainda fica a pensar de mais na praia! Ela tem razão, tinha era de desligar a cabeça.
Capitulo 11- Quando deixamos de ter medo
Eu nunca imaginei que uma cozinha bagunçada pudesse me ensinar tanto sobre nós.
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Quinze anos à espera e o gajo ainda fica a pensar de mais na praia! Ela tem razão, tinha era de desligar a cabeça.
Conteúdo da publicação
QUANDO DEIXAMOS DE TER MEDO
Eu nunca imaginei que uma cozinha bagunçada pudesse me ensinar tanto sobre nós.
Ela reclamava do jeito que eu cortava os ingredientes.
Eu reclamava que ela queria mandar em tudo.
No final, nós dois ríamos.
E eu gostava daquela versão da nossa relação.
Porque não precisava impressioná-la.
Não precisava ser o homem perfeito.
Podia simplesmente ser eu.
Ela também havia começado a fazer isso.
A falar quando estava incomodada.
A perguntar quando tinha dúvidas.
A rir das próprias inseguranças.
A confiar um pouco mais.
E eu estava aprendendo a fazer o mesmo.
Foi assim que começamos a conversar sobre a viagem.
Praia.
Alguns dias juntos.
Sem a rotina que nos mantinha ocupados.
Eu fiquei animado.
Mas também preocupado.
Porque sabia que uma viagem mostraria muito mais do que os nossos encontros rápidos.
Quando se passa alguns dias com alguém, você conhece os hábitos que não aparecem nos encontros.
Descobre o que irrita.
O que diverte.
O que cansa.
E eu queria descobrir tudo isso.
Quando chegamos à praia, percebi que ela estava feliz.
Não aquela felicidade ansiosa do nosso reencontro.
Era uma felicidade tranquila.
Nós caminhamos muito.
Conversamos sobre coisas que nunca havíamos conseguido conversar antes.
Ela me contou sonhos.
Eu contei alguns dos meus.
Falamos sobre família.
Sobre futuro.
Sobre medos.
E, em determinado momento, ela perguntou:
— Você se arrepende de alguma coisa?
Parei de caminhar.
— Algumas.
Ela me olhou.
— De quê?
Pensei.
— De ter deixado o medo decidir por mim.
Ela segurou minha mão.
— Eu também.
Ficamos algum tempo em silêncio.
Dessa vez, o silêncio não era distância.
Era conforto.
Mais tarde, já perto da noite, caminhamos novamente pela areia.
Eu olhei para ela e pensei em tudo que havia acontecido desde aquela primeira mensagem.
Quinze anos.
Uma vida inteira.
E agora estávamos ali.
Não como os adolescentes que um dia fomos.
Como duas pessoas que haviam aprendido, cada uma à sua maneira, a sobreviver sem a outra.
E que agora escolhiam descobrir se conseguiriam viver juntas.
— Você está pensando demais — ela disse.
Eu ri.
— Como sabe?
— Porque você fica com essa expressão.
— Que expressão?
— Essa de quem está tentando resolver a vida inteira dentro da cabeça.
Ela começou a rir.
— Talvez eu esteja.
— Então para.
— É fácil falar.
— Eu posso ajudar.
— Como?
— Não pensando junto.
Ela riu.
E continuamos andando.
Mais tarde, quando ficamos sozinhos, percebi que havia uma calma diferente entre nós.
Não havia mais aquela necessidade de perguntar para onde tudo estava indo.
Nós sabíamos.
Estávamos construindo.
Devagar.
Com cuidado.
E havia algo que ambos havíamos decidido desde o começo: não deixaríamos que a pressa roubasse aquilo que poderia ser especial.
Por isso, quando aquele momento chegou, não foi planejado como uma obrigação.
Não foi consequência de uma promessa.
Foi apenas uma escolha compartilhada.
Um momento de carinho, confiança e proximidade que ambos haviam esperado até se sentirem preparados.
Eu a olhei e perguntei se estava tudo bem.
Ela sorriu.
E aquele sorriso respondeu mais do que qualquer palavra.
O beijo daquela noite carregava uma história inteira, mas não tentava repeti-la.
Era um beijo do presente.
Do homem que eu havia me tornado.
Da mulher que ela havia se tornado.
Da confiança que construímos durante aqueles meses.
Depois, ficamos algum tempo simplesmente juntos, sem precisar transformar aquele momento em discurso.
Eu pensei que, talvez, tivesse sido exatamente assim que deveria acontecer.
Sem pressa.
Sem comparação.
Sem tentar compensar o que perdemos.
Apenas vivendo aquilo que, finalmente, era nosso.
Naquela noite, não prometi que nunca teríamos problemas.
Não prometi que nunca sentiríamos ciúmes.
Não prometi que a vida seria fácil.
Prometi apenas, com as atitudes que havíamos aprendido a ter, que continuaria conversando.
Continuaria ouvindo.
Continuaria escolhendo ficar quando fosse mais fácil fugir.
Na manhã seguinte, acordei antes dela.
Olhei pela janela.
O mar estava tranquilo.
E pensei em como havia passado tantos anos imaginando uma segunda chance.
Agora eu entendia que não era uma segunda chance.
Era uma história completamente nova.
Uma história que não precisava ser perfeita.
Precisava ser verdadeira.
E, naquele momento, olhando para tudo o que havíamos construído em poucos meses, percebi que finalmente estávamos fazendo aquilo que não conseguimos aos dezessete anos:
não apenas sentir.
Mas conversar.
Não apenas desejar.
Mas escolher.
Não apenas começar.
Mas permanecer.
Thoughts
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PermalinkEste capítulo promete menos do que os anteriores e por isso segura melhor. Ele jura uma coisa só, que continua a conversar, e essa é uma promessa que dá para cumprir. Fico à espera de a ver posta à prova, porque até aqui a série só a testou em terreno calmo.
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PermalinkLi esse capítulo em voz alta ontem e, na parte em que ela manda ele parar de pensar, minha mãe riu e disse que homem é tudo igual. As falas curtas dos dois soam bem melhor ditas que lidas.
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PermalinkQuinze anos à espera e o gajo ainda fica a pensar de mais na praia! Ela tem razão, tinha era de desligar a cabeça.
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PermalinkMenino, desde o capítulo da discussão feia eu tava esperando esses dois chegarem nessa calma. Esse silêncio que virou conforto na areia me trouxe à cabeça gente que só se entende depois de muito tempo apanhando. Tu já tinha essa viagem à praia pensada desde o começo da história?
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PermalinkO mar continuar igual na manhã seguinte e eles não, isso me fez pensar em como a gente só nota uma mudança pelo que ficou parado em volta. Aposto que este capítulo vai ser o mais relido da série, porque é o primeiro em que eles param de correr atrás do que perderam. Obrigado por continuar contando!
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PermalinkO melhor desse capítulo pra mim foi ela dizendo que ele fica com cara de quem tenta resolver a vida dentro da cabeça. Aposto que essa fala saiu de alguém de verdade, ninguém inventa uma dessas.
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