Voltei a este ontem à noite e dei por uma coisa que me tinha escapado: ela escreve o convite todo formal de propósito, para não dar espaço a mais nada. E mesmo assim ele reconhece-a pela maneira de falar.
CAPÍTULO 10 — QUANDO O CAMINHO CRUZOU DE NOVO
Depois de tudo o que havia acontecido, ela tomou uma decisão.
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Pensamento
Voltei a este ontem à noite e dei por uma coisa que me tinha escapado: ela escreve o convite todo formal de propósito, para não dar espaço a mais nada. E mesmo assim ele reconhece-a pela maneira de falar.
Conteúdo da publicação
Depois de tudo o que havia acontecido, ela tomou uma decisão.
Não queria mais ficar presa ao passado.
Começou por fora, mas a mudança foi muito maior por dentro. Cortou o cabelo, mudou o estilo das roupas e começou a enxergar as coisas de outra maneira.
Ela estava mudando.
Sua mente estava mudando.
E, pela primeira vez em muito tempo, ela estava tentando seguir em frente sem esperar que alguém voltasse.
Até que um dia, durante um culto na igreja, surgiu a necessidade de convidar um cantor para participar.
Ela começou a procurar alguns nomes.
Foi então que, de repente, uma lembrança apareceu:
“Ismael é cantor.”
Ela parou.
Por alguns segundos, pensou em ignorar aquela possibilidade.
Ela não queria falar com ele.
Não depois de tudo.
Mesmo assim, conseguiu o contato dele através de uma conhecida e passou o número para sua dirigente.
Só que sua dirigente teve outra ideia.
— Minha linda, já que você conhece ele, convide você por mim.
Ela pensou imediatamente em dizer não.
Mas então veio o pedido:
— Por favor...
Ela respirou fundo.
— Tá bom. Vou ver e lhe aviso.
Dois dias se passaram.
Ela estava com duas amigas quando contou o que tinha acontecido. As duas, obviamente, apoiaram a ideia da dirigente.
— Manda logo a mensagem!
Depois de muita insistência, ela pegou o celular.
Abriu a conversa.
Pensou um pouco.
E escreveu de maneira extremamente formal, tentando deixar claro que aquela mensagem não tinha nada de pessoal.
“Boa noite, paz do Senhor, Ismael! Venho em nome da direção perguntar se você tem disponibilidade para vir cultuar conosco na sexta-feira?”
Ela enviou.
Agora era só esperar.
Do outro lado...
Ismael recebeu a mensagem.
Mas havia um detalhe.
O contato estava salvo como “Ray”.
Ele olhou para a tela, estranhou e pensou:
“Quem é essa Ray?”
Mesmo sem saber exatamente quem era, respondeu:
“Amém! Eu não poderei, tenho outro compromisso.”
A resposta chegou.
“Tá certo, Deus abençoe.”
Foi aí que ele ficou ainda mais curioso.
Aquela forma de falar...
Aquela maneira de escrever...
Alguma coisa naquela conversa fez uma suspeita surgir.
“Será que é Jheniffer?”
Ele decidiu arriscar.
“Jheniffer é você?”
Do outro lado, ela olhou para a mensagem sem entender muito bem.
“Pois não?”
Ele insistiu.
“É você, Jheniffer?”
Ela ficou confusa.
“Perdão?”
Percebendo que poderia ter confundido a pessoa, ele recuou:
“Me desculpa, confundi você com outra pessoa.”
E então veio a resposta que provavelmente ele não esperava:
“Sou eu mesma.”
Talvez naquele momento nenhum dos dois soubesse, mas aquela simples conversa tinha acabado de abrir uma pequena porta que estava fechada havia algum tempo.
Depois disso, as coisas começaram a acontecer devagar.
Ela postava seus status.
Ele via.
Ela percebia.
Às vezes, ele curtia alguma coisa.
Ela via a curtida.
Mas fingia que não ligava.
E assim os dias foram passando.
Sem grandes declarações.
Sem conversas profundas.
Apenas pequenas interações que, pouco a pouco, começaram a diminuir a distância entre os dois.
Até que, depois de tanto tempo, aconteceu algo que ela talvez não esperasse mais:
eles voltaram a conversar.
Não foi como antes.
Ainda havia muita coisa não dita.
Muitas perguntas.
Muitas lembranças.
E talvez até um pouco de medo.
Mas, de alguma forma, depois de tudo aquilo, os dois estavam novamente falando um com o outro.
E ela começou a perceber uma coisa:
às vezes, quando a gente decide seguir em frente, não significa necessariamente que algumas pessoas deixam de fazer parte da nossa história.
Algumas simplesmente encontram um jeito diferente de voltar.
E aquela conversa que começou com um simples convite para um culto...
Talvez tivesse sido apenas o começo de um novo capítulo entre eles.
Thoughts
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PermalinkCoitado do gajo.
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PermalinkEle a desconfiar e ela a fazer-se de desentendida duas vezes seguidas. Que agonia, pá.
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PermalinkA dirigente a empurrar o convite para as mãos dela é a parte mais verdadeira do capítulo. Há sempre alguém assim por perto, que não sabe de nada e resolve tudo sem querer.
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PermalinkVoltei a este ontem à noite e dei por uma coisa que me tinha escapado: ela escreve o convite todo formal de propósito, para não dar espaço a mais nada. E mesmo assim ele reconhece-a pela maneira de falar.
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PermalinkEla escrever o convite no tom mais formal possível pra deixar claro que aquilo não tinha nada de pessoal me fez pensar nas mensagens que a gente reescreve três vezes antes de mandar. Aposto que ela ficou olhando pro celular depois de enviar, fingindo que não estava esperando resposta.
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PermalinkO que me prendeu foi ele ter o número dela guardado como Ray e não fazer ideia de quem era. Quer dizer que alguém lhe passou aquele contacto noutra altura e ficou ali esquecido, com o nome trocado. Fico a pensar na conhecida que arranjou o número, que mexeu a história toda sem saber que estava a mexer em coisa nenhuma.
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