Tenho cartas.
Cartas de pessoas que se foram,
cartas que escrevi enquanto o sono não existia,
cartas que nunca chegaram ao seu devido lugar.
Letras atrás de letras,
canções que as pessoas jamais vão escutar.
Isso me faz pensar:
quanta arte se esvaiu pelo ar?
Quantas pessoas talentosas não tiveram a chance de estar sob o sol?
Não importa.
Um dia eu mesma vou apagar
e não vou conhecer quem estará nos holofotes.
A vida é movimento,
e até uma pequena célula em meu peito
já faz arte ao me manter inteira.
Há conforto na impermanência,
na ideia de singularidade,
em saber que todos acabam sendo semelhantes
por alguma razão.
E é ridículo pensar tanto
sobre algo que não cria uma ação.
Dito isso, onde parei na narração?
Ah, sim.
Cartas, canções, paixões e, enfim...
Espero que as pessoas certas se aproximem de mim.
(Autoral de Sids)