Sou o fantasma interior do meu obscuro passado.
Descanso nas trevas das manhãs sem aurora.
Exposto ao vento de lamentações e lágrimas.
Perdido nos fragmentos de um amor despedaçado.
Sou um anjo de pedra aos pés de uma fria lápide.
No silêncio dilacerante de uma oração eterna.
Mas nunca tive resposta ...só tempestades.
Gotas de orvalho nas cinzas de um coração ressecado.
Nos meus olhos cerrados...desespero e mágoa.
No quadro a musa sorri imortal e emoldurada.
E o adeus inevitável jaz na névoa naufragado.
A paixão e o delírio são ruínas de sonhos esquecidos.
Os lábios da amada foram doces cálices de absinto.
Mesmo acorrentado nestes amargos dias de novembro.
Ainda alçarei o vôo derradeiro com minhas asas machucadas.