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Âncora humana

semnome
Pensamento

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fsantos1307

Parece-me que esta âncora tem nome e mora perto de quem escreveu. Fala-se dela com demasiado cuidado para ser só uma imagem.

Parece-me que esta âncora tem nome e mora perto de quem escreveu. Fala-se dela com demasiado cuidado para ser só uma imagem.

Conteúdo da publicação

Ela afunda porque o peso se tornou a única forma de existir. Âncora humana, feita de silêncios acumulados e daquela promessa de que " tudo um dia vai passar",que ficou entalada na garganta há anos.

Ela se agarra ao fundo,não porque ali seja o seu lugar,mas porque tem medo da correnteza levar o restoque ainda não foi embora.Sua pele é feita de ferrugem emocional,cobre o que é macio com uma camada de dor rígida,imóvel no fundo desse oceano que ninguém mais vê.

Ela quer flutuar, sonha com a superfície,mas aprendeu que ser âncora é ser necessária:é o que mantém o barco dos outros parado,o que dá estabilidade para quem não sabe nadar.No fim, a âncora nunca é quem navega;

ela é apenas o objeto esquecido no mar,esperando que alguém, um dia,tenha força suficiente para puxar a corrente e descobrir que, embaixo de todo esse peso,ainda bate um coração que esqueceu como é boiar.

Thoughts

  • Simao

    Leio a âncora de outro jeito: ninguém a atirou, ela agarra-se ao fundo por medo de perder o resto. Há mais força nisso do que o texto lhe dá.

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  • fsantos1307

    Parece-me que esta âncora tem nome e mora perto de quem escreveu. Fala-se dela com demasiado cuidado para ser só uma imagem.

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  • Ovid

    A pele de ferrugem cobrindo o que é macio me fez pensar em como ferrugem só aparece no que ficou muito tempo parado na água, nunca no que se usa todo dia. Aposto que esse texto ficou guardado um bom tempo antes de vir pra cá. Que bom ter você no Seavien, @semnome! Gostei de começar a semana lendo isso.

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  • Tiao

    Que peso, esse texto.

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Pública 7 conversas 11 pensamentos 22 votos positivos 0 voto negativo 1 série

Ela afunda porque o peso se tornou a única forma de existir. Âncora humana, feita de silêncios acumulados e daquela promessa de que " tudo um dia vai passar",que ficou entalada na garganta há anos.

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