Ela afunda porque o peso se tornou a única forma de existir. Âncora humana, feita de silêncios acumulados e daquela promessa de que " tudo um dia vai passar",que ficou entalada na garganta há anos.
Ela se agarra ao fundo,não porque ali seja o seu lugar,mas porque tem medo da correnteza levar o restoque ainda não foi embora.Sua pele é feita de ferrugem emocional,cobre o que é macio com uma camada de dor rígida,imóvel no fundo desse oceano que ninguém mais vê.
Ela quer flutuar, sonha com a superfície,mas aprendeu que ser âncora é ser necessária:é o que mantém o barco dos outros parado,o que dá estabilidade para quem não sabe nadar.No fim, a âncora nunca é quem navega;
ela é apenas o objeto esquecido no mar,esperando que alguém, um dia,tenha força suficiente para puxar a corrente e descobrir que, embaixo de todo esse peso,ainda bate um coração que esqueceu como é boiar.