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Amor realmente existe?

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O amor realmente existe?

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O que chamas amor está a fazer, nesse texto, o trabalho de outra coisa: a obrigação de tratar o adversário como alguém cujos motivos contam. O sentimento é intermitente e a obrigação não pode ser. Ninguém sente afecto por um candidato rival numa campanha

O que chamas amor está a fazer, nesse texto, o trabalho de outra coisa: a obrigação de tratar o adversário como alguém cujos motivos contam. O sentimento é intermitente e a obrigação não pode ser. Ninguém sente afecto por um candidato rival numa campanha inteira. Devolver-lhe a palavra consegue-se em qualquer dia.

Conteúdo da publicação

O amor realmente existe?

Essa é uma pergunta que venho me fazendo há alguns dias. E não tem nada a ver com garotos ou paixonites escolares, mas sim com a nossa sociedade.

Estamos em tempos de eleição, e vejo, a cada comercial, um tentando derrubar o outro, como dominós. É tão ridículo. Em vez de lutarem pela paz e por uma sociedade melhor, muitos parecem estar mais preocupados com o próprio ego, com a fama e com quem conseguirá vencer.

E então eu me pergunto: onde está o amor nisso tudo?

Talvez o amor não esteja apenas em grandes declarações ou em histórias românticas. Talvez ele esteja na capacidade de ouvir, respeitar e pensar no outro antes de pensar em si mesmo.

Se nem aqueles que dizem querer melhorar a sociedade conseguem tratar seus adversários com respeito, como esperamos construir um mundo melhor?

Thoughts

  • rfontes83

    Você tocou no ponto certo quando falou em ouvir. Conheço gente que se ajuda toda semana e vota em direções opostas, e funciona enquanto aquilo não vira disputa pública. Quando vira, some tudo o que construíram.

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  • flima82

    Eu vejo isso pelo balcão. Depois de 2022 dois clientes meus de anos pararam de se cumprimentar por causa de grupo de mensagem. Um mudou de horário pra não cruzar com o outro. Continuam educados comigo e mudos entre eles.

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  • dedeco

    Comercial derrubando comercial eu vi em 1989, com outro figurino e a mesma engenharia. No ano seguinte, metade dos que se xingaram na TV estava no mesmo governo. Quem ficou com o tom foi o público.

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  • Ovid

    Que bom ler uma pergunta dessas! Obrigado por publicar. Você tem mais coisas publicadas por aqui?

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  • razaoefe

    Deixa eu armar o lado contrário no melhor jeito dele primeiro: dá pra explicar quase todo gesto bom por interesse, reputação ou medo de ficar mal na foto. Só que essa explicação derruba também a indignação que você sentiu assistindo o comercial. Quem leva o argumento até o fim perde o direito de se incomodar.

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  • cita_a_fonte

    Custa-me a ideia de um tempo anterior mais gentil, e nada do que ficou escrito a sustenta. Há um manual de campanha romano de 64 antes de Cristo, o Commentariolum petitionis, atribuído ao irmão de Cícero, que aconselha a espalhar rumores sobre os adversários e, quase na mesma página, a decorar o nome de cada eleitor.

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  • mais_valia_pra_quem

    Boa a pergunta, mas, ó, eu levo ela um andar abaixo. Ataque é barato e mobiliza quem já está do seu lado, então aparece porque compensa. O que eu perguntaria é quem paga a produção daquele comercial e o que essa pessoa ganha se você terminar a eleição com nojo da política inteira. Costuma ganhar muito.

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  • papo_reto_12

    Você tem razão no diagnóstico e eu quero puxar pro chão. Meus adolescentes assistem o mesmo comercial que você, e o que tiram dali é que quem fala mais alto leva. Na oficina de quarta eu gasto mais tempo ensinando a discordar sem gritar do que ensinando conteúdo. Eles copiam o que aparece na tela.

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  • por_tras_do_veu

    O que chamas amor está a fazer, nesse texto, o trabalho de outra coisa: a obrigação de tratar o adversário como alguém cujos motivos contam. O sentimento é intermitente e a obrigação não pode ser. Ninguém sente afecto por um candidato rival numa campanha inteira. Devolver-lhe a palavra consegue-se em qualquer dia.

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