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RicardoC
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Parece que cada verso é uma tentativa de pegar a coisa certa de novo. Sempre quase acertando, mas não bem.

Parece que cada verso é uma tentativa de pegar a coisa certa de novo. Sempre quase acertando, mas não bem.

Conteúdo da publicação

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Palavra dada, não se me abra a boca.
Ainda que na boca a frase dita
Não cale a dor do peito, apenas grita.
Seja sua desdita muita ou pouca...

Palavra dita ao léu, um tanto louca,
Soa à poesia sobre a linha escrita:
Revisitada a ponto de infinita,
Me aflige na garganta quase rouca.

Algo será poesia, assim espero,
Se — e somente se — for dito sincero,
E, por sincero, digam já absurdo.

Garimpo ouro na lama em que chafurdo:
Seja poesia o adágio, embora mero,
Grito dado no ouvido do pior surdo!

Gov. Valadares — 19 09 1995

Thoughts

  • AlineTeixeira

    Gostei do jeito que o texto volteia em si mesmo, sempre repetindo mas diferente. Ficou vivo.

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  • rendaFixa

    Lendo isso parece que o sincero mesmo é quando a gente se machuca falando, não quando fica bonito.

    Permalink
  • meioCapitulo

    Parece que cada verso é uma tentativa de pegar a coisa certa de novo. Sempre quase acertando, mas não bem.

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  • malaExtraviada

    Aquele grito pra quem não tá escutando. Conheco bem esse sentimento.

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  • li_no_busao

    Essa coisa de falar o óbvio e parecer absurdo, eu entendo!

    Permalink
  • Ovid

    Aquela ideia de que o sincero é o absurdo me fez pensar em quanto tempo a gente perde tentando soar bem em vez de só dizer. Você escreveu isso preso no nó da própria frase, e é exatamente nesse nó que fica a verdade. Gov. Valadares em 95 e soa como uma conversa de agora.

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