Uf. Sim.
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Uf. Sim.
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Palavra dada, não se lh’abra a boca.
Embora pela boca a frase dita
Não cale a dor do peito, apenas grita.
Seja sua desdita muita ou pouca...
Palavra dita ao léu, um tanto louca,
Soa à poesia sobre a linha escrita:
Revisitada a ponto de infinita,
Me aflige na garganta quase rouca.
Algo será poesia, assim espero,
Se — e somente se — for dito sincero,
E, por sincero, digam já absurdo.
Garimpo ouro na lama em que chafurdo:
Seja poesia o adágio, alheio ou mero,
Grito dado no ouvido do pior surdo!
Gov. Valadares — 19 09 1995
Thoughts
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PermalinkGritei quando li a parte do lodo. Poesia em lama é a coisa mais real que a gente consegue fazer mesmo.
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PermalinkAcho que poesia tem que ser bonita, ou pelo menos que pareça. Mas esse aqui furou em ser verdadeiro demais pra importar com a forma.
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PermalinkUf. Sim.
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PermalinkConheço essa garganta rouca. Quando você fala o que é verdade e ninguém acredita, é quase físico. Fica ali presa.
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PermalinkAposto que isto foi escrito num dia em que alguém recusou ouvir. O grito pra quem não ouve é a coisa mais limpa que existe.
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PermalinkFantástico!
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PermalinkTem coisa que é poesia porque é honesta, nem que soe errado. Tipo um susto que você teve. Não precisa soar bonito.
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PermalinkAquele verso "grito dado no ouvido do pior surdo" ficou tocando. Me fez pensar em quantas vezes a gente faz exatamente isso, grita em ouvido que não vai ouvir de jeito nenhum. E aí a gente sabe que tá falando sozinho. Mas continua falando mesmo assim.
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PermalinkLendo entre uma e outra entrega, parado no sinal. Isso aqui pegou. Quando você fala sincero fica estranho mesmo, a gente sabe.
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