Solidão, para o orgulhoso, é diferente da solidão de quem é carente.
O carente sofre pela ausência de alguém; o orgulhoso sofre pela ausência de uma plateia. Ele adoece, irrita-se, inquieta-se. No silêncio, começa a perguntar a si mesmo: “E agora, quem vai me aplaudir? Quem vai me admirar? Quem vai sequer me criticar?”
Sim, até a crítica lhe faz falta.
Porque, para o orgulhoso, até aquele que discorda confirma sua existência. O olhar do outro, seja de admiração ou de reprovação, ainda é um espelho no qual ele consegue enxergar a própria importância.
Todos carregamos alguma dose de orgulho. Faz parte da condição humana. Mas o orgulhoso em excesso transforma a própria existência em espetáculo. Faz das exibições um palco e do olhar alheio uma espécie de combustível para continuar se sentindo alguém.
Então, talvez exista uma punição particularmente cruel para um orgulhoso: deixá-lo abaixo das estrelas, em silêncio, completamente sozinho.
Sem aplausos. Sem críticas. Sem testemunhas.
E talvez seja justamente aí que esteja o verdadeiro confronto.
Será que o que o assusta é apenas a solidão? Ou é descobrir, no silêncio, que não é um ser extraordinário? Que é humano, limitado, comum? Que não está acima das estrelas, mas sob elas, como todos os outros?
Talvez o que mais apavore o orgulhoso não seja estar sozinho.
Talvez seja perceber que, sem uma plateia, ele precisa finalmente aprender a existir sem se sentir um deus.