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Subliminar

Kamel

Conteúdo da publicação

Um dia desses, eu estava pensando sobre como ninguém sabe de fato o que está fazendo.

Sobre como as pessoas fingem ser especialistas.

De um tempo para cá, comecei a admirar pessoas sinceras quanto aos seus defeitos.

Comecei a achar isso um trunfo diante de pessoas que “fingem ser o que não são”.

Algumas pessoas gostam disso; outras podem achar ingenuidade.

O problema da ingenuidade é que ela é vista como uma oportunidade para pessoas que buscam manipular, mas também pode ser vista como empecilho quando o “ingênuo” não age de acordo com aquilo que essas pessoas querem.

O ingênuo pode não ser odiado abertamente. Muito pelo contrário, ele causa pena.

Mas ele pode se tornar uma ameaça.

Uma vez, ouvi falar que o ser mais poderoso que existe em uma comunidade é o bebê.

O bebê é um ser indefeso. Ele precisa de cuidados especiais e de ajuda para tudo.

Essa fraqueza absoluta o torna o mais poderoso.

Esse é um dos poderes do ingênuo.

Era assim que Eva era vista. Ingênua. Fraca. Impotente.

Todos ao seu redor tinham cuidado ao falar com ela.

Tinham receio de magoá-la e das consequências que isso traria.

Thoughts

  • Ovid

    Esse ingênuo que causa pena e depois vira ameaça me lembrou o príncipe Míchkin, de O Idiota, do Dostoiévski. Todo mundo tem dó dele, ninguém leva a sério, e ele bagunça uma sala inteira só por ser sincero. Se ainda não leu, aposto que vai gostar. Quero ver a Eva ganhar esse tamanho também!

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  • fsantos1307

    Gostei da volta que o texto dá, da fraqueza do bebé até chegar à Eva só no fim. Fiquei com vontade de saber quem anda com tanto cuidado à volta dela.

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Um dia desses, eu estava pensando sobre como ninguém sabe de fato o que está fazendo.

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