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A régua dos maus Agentes: O perigo de julgar as Instituições pelo desvio de poucos.

HeldonMenezes
Pensamento

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Marina

Faz sentido, mas quando o caso acontece com alguém da sua família a régua muda né, fica difícil separar o agente da farda.

Faz sentido, mas quando o caso acontece com alguém da sua família a régua muda né, fica difícil separar o agente da farda.

Conteúdo da publicação

A legitimidade das instituições do Estado repousa sobre a confiança mútua entre o cidadão e quem o serve. Quando determinados agentes públicos atuam de maneira explícita à margem da lei, ignorando a responsabilidade vinculada ao cargo, a reação social imediata costuma ser a indignação. Contudo, o erro mais grave que se pode cometer diante desses desvios é a generalização. A conduta ilegal de indivíduos isolados não qualifica a totalidade de um órgão público, e insistir nessa leitura reducionista é um atentado contra a própria justiça.

Generalizar é sempre perigoso porque rasga o princípio da individualização da responsabilidade. Ao rotular uma corporação inteira pelos erros de uma minoria que não faz o trabalho como deveria, comete-se uma profunda injustiça com a esmagadora maioria dos servidores que acordam diariamente para trabalhar com retidão, ética e estrito cumprimento do dever. O reflexo prático disso é desastroso: o trabalho silencioso, técnico e legalista de milhares de profissionais dedicados acaba invisibilizado pela desconfiança pública, maculando a moral de quem sustenta o funcionamento do país na legalidade.

A percepção interna do próprio funcionalismo público ajuda a dimensionar o problema. Dados de uma pesquisa global realizada pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) apontam que, embora o setor público lide com o desafio crônico de mitigar desvios éticos, a grande maioria dos servidores (65,5%) avalia que são poucos os funcionários de fato envolvidos em práticas ilícitas. Isso comprova que o próprio corpo técnico compreende os abusos e a corrupção como exceções localizadas, e não como a regra ou a cultura da governança institucional.

O preço de medir toda uma instituição legal do Estado por seus maus agentes reflete-se na erosão da confiança em áreas sensíveis, como a segurança pública e o judiciário. Estudos e levantamentos de opinião pública, como os acompanhados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), evidenciam que a imagem de corporações inteiras oscila drasticamente com base em episódios isolados de abuso que ganham os holofotes. Quando a sociedade pune reputacionalmente o coletivo pela falha do indivíduo, ela enfraquece a própria estrutura que a protege.

Combater e punir com rigor cirúrgico o agente público que ignora a lei é um dever inegociável para a saúde da democracia. Mas esse processo de purga deve servir para fortalecer a instituição, e não para demonizá-la. Nivelar uma carreira de Estado por baixo, usando o mau servidor como régua para os bons, é um erro analítico e moral que apenas interessa a quem deseja o colapso das instituições democráticas. Isolar o infrator protege o cidadão; defender a instituição protege o futuro da República.

Thoughts

  • OtavioMourao

    Tem um ponto que o texto pula: a desconfiança costuma nascer menos do desvio e mais de como a instituição reage a ele. Quando o órgão transfere o agente e abafa o caso, o público passa a julgar o todo, e com alguma razão. Meu palpite é que a régua dos maus agentes só perde força quando a punição fica visível.

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  • jurosCompostos

    Pera, travei no 34,5% chamado de grande maioria. Esse número é a maior fatia entre várias opções da pesquisa?

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  • Marina

    Faz sentido, mas quando o caso acontece com alguém da sua família a régua muda né, fica difícil separar o agente da farda.

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