Tem dias que, me pego a observar o comportamento humano e me faço uma pergunta: será que o acolhimento que oferecemos ao outro é realmente para aliviar a dor dele ou, muitas vezes, para aliviar o desconforto que sentimos ao presenciar o seu sofrimento?
Quando uma tragédia acontece, quando alguém recebe um diagnóstico difícil ou perde um ente querido, é comum vermos pessoas se aproximando. Palavras de conforto são ditas, abraços são dados e promessas de apoio são feitas. Mas o tempo passa... e, com ele, quase todos vão embora.
O curioso é que a dor de quem sofreu não vai embora junto com o tempo. Ela muda de forma, aprende a caminhar em silêncio, mas continua existindo. Enquanto a vida de muitos segue seu curso, quem ficou com a ausência aprende, todos os dias, a conviver com uma saudade que não tem prazo para terminar.
Talvez o verdadeiro acolhimento não esteja apenas em aparecer nos dias mais difíceis, mas em permanecer quando o silêncio toma o lugar das visitas, quando as mensagens deixam de chegar e quando o mundo acredita que "já passou". Porque, para quem ama, nunca passa completamente.
O amor verdadeiro não se mede pela intensidade da presença em um único momento, mas pela constância da companhia ao longo do caminho. Permanecer é uma das formas mais profundas de amar.
Que possamos aprender a não esquecer a dor do outro apenas porque ela deixou de ser visível. Algumas feridas não aparecem nos olhos de quem vê, mas continuam vivas no coração de quem as carrega.
Edidania 🌹