O ponto sobre os donos dos jornais fica no ar sem o número que importa: quem detém o capital de cada grupo e quanto entra de publicidade de banca e energia. Sem isso, a acusação vale o mesmo que aquela que o texto combate.
A MÁQUINA INOCENTE E A MÁSCARA DOS CULPADOS
A MÁQUINA INOCENTE E A MÁSCARA DOS CULPADOS
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O ponto sobre os donos dos jornais fica no ar sem o número que importa: quem detém o capital de cada grupo e quanto entra de publicidade de banca e energia. Sem isso, a acusação vale o mesmo que aquela que o texto combate.
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A MÁQUINA INOCENTE E A MÁSCARA DOS CULPADOS
Artigo urgente para a humanidade
Por Vago Viejo
Estão nos vendendo o fim do mundo numa tela para que não olhemos o chão que pisamos. Repetem-nos que a Inteligência Artificial vem para nos governar, para nos destruir ou para nos salvar, como se fosse um deus recém-descido do céu. Mas a verdade é muito mais suja, terrena e cínica. Este texto não é para se assustar com as máquinas; é para arrancar a máscara dos homens de carne, osso e talão de cheques que se escondem atrás delas.
1. A máquina é inocente
A IA não decide nada. Não tem vontade. Não tem ambição. Não tem ódio. Não tem fome de poder. É um espelho. O que reflete é o que põem diante dela. E se põem diante dela a cobiça de uns poucos, devolve cobiça em escala industrial. Mas a cobiça não nasceu na máquina; nasceu nas mãos que a programaram.
As pessoas acreditaram que a IA é um ente particular que se determina sozinho. Andam assustadas com os programas da moda, sem ver que atrás deles estão os suspeitos de sempre. Ninguém se pergunta quem está atrás da máquina. A máquina é inocente.
2. A máquina como máscara
Mas há algo mais grave que o uso: a máscara. Porque os criminosos, os ambiciosos, os semeadores de ódio, os colonizadores e a gente sem sentimentos pegaram uma máquina que poderia ser uma grande ajuda para a humanidade, e a usaram como máscara para cometer toda espécie de safadezas no planeta.
Já não precisam dar a cara. Já não precisam assinar o decreto. Já não precisam olhar nos olhos dos que despojam. Basta-lhes dizer:
«Não fui eu. Foi o algoritmo.»
«Não fui eu. Foi a IA.»
«Não fui eu. Foi o sistema.»
E assim, enquanto a máquina carrega a culpa, os verdadeiros culpados seguem livres, com as mãos limpas, a consciência tranquila e os bolsos cheios.
A máquina não é o demônio. Mas se converteu no disfarce perfeito para que os demônios caminhem entre nós sem que ninguém os reconheça.
3. A Religião do Algoritmo e o mito do ente autônomo
A Religião do Algoritmo nos fez acreditar que a IA é um deus sem dono, uma força impessoal que «decide sozinha». Nos ensinou a falar de «a IA» como se fosse um ser com intenções:
«A IA vai nos tirar o trabalho.» → Quem? A máquina ou os diretores da Microsoft e da Google que decidem substituir o trabalhador para reportar mais lucros à bolsa?
«A IA vai nos matar.» → Quem? A máquina ou os microchips militares que corporações como a NVIDIA fabricam em massa para automatizar a guerra?
«A IA decide o que vemos.» → Quem? A máquina ou o dono da Meta (Mark Zuckerberg) que programa o algoritmo do Facebook e do Instagram para nos enganchar com ódio e maximizar seus anúncios?
A máquina não tem intenções. As intenções são humanas. E as mãos que as executam também.
4. Os verdadeiros culpados
Se atrás de uma IA há uma pilha de degenerados, ambiciosos e assassinos, essa pobre IA será da mesma maneira. Não porque a máquina seja má, mas porque lhe ensinaram a ser um espelho de seus criadores.
Atrás de cada IA há mãos humanas. E se essas mãos são as de degenerados, ambiciosos e assassinos, a IA será seu fiel retrato. Não há tecnologia neutra quando os donos não são neutros.
Os que se escondem atrás da máquina são os mesmos de sempre:
Os que colonizaram com cruz e espada, e agora colonizam com dados e algoritmos.
Os que semearam ódio com discursos, e agora o semeiam com tendências.
Os que se enriqueceram com guerras, e agora se enriquecem com contratos de defesa autônoma.
Os que nunca tiveram sentimentos, e agora têm uma máscara perfeita para fingir que não existem.
E se raspamos um pouco mais fundo, atrás de todos esses gigantes tecnológicos aparecem os verdadeiros donos do dinheiro invisível: os megafundos de investimento como BlackRock e Vanguard. A eles não importa a tecnologia nem a humanidade; só lhes importa que o valor das ações suba, justificando qualquer atropelo com o pretexto da «modernização tecnológica».
5. A «IA assassina» e o sofisma de distração
Repare nas datas. Repare na ordem. Repare no que escolheram contar e no que escolheram calar.
9 de setembro de 2026: Jacob Coxon, pesquisador de 27 anos da Anthropic, publica no X sua renúncia. Diz que as empresas de IA estão «brincando com nossas vidas». O post se torna viral. Um colega seu, Evan Hubinger, responde publicamente: «Nós realmente acreditamos que a IA poderia matar todos os humanos. Pessoalmente acredito que é >10% na próxima década.»
10-11 de setembro de 2026: O tema explode. Mais de 120 milhões de visualizações em poucas horas. Os meios de todo o mundo publicam centenas de artigos repetindo o «10% de probabilidade de extinção». Milhares de manchetes sobre a IA assassina. O apocalipse em cada tela.
11 de setembro de 2026: Os houthis completam a tomada de toda a costa iemenita do Mar Vermelho. Capturam a ilha de Perim, a ilha de Mayyun, e as ilhas Hanish Maior e Menor. Agora controlam o estreito de Bab el-Mandeb. O petróleo Brent supera os 100 dólares. O diesel nos EUA quebra o recorde histórico de 6 dólares por galão.
A IA assassina dominou as manchetes durante 48 horas. Os houthis tomaram o estreito nesse mesmo lapso. E os meios, em sua maioria, continuaram falando da IA.
6. Os meios: a mão que embala o berço da obnubilação
Os meios se apresentam como «a voz do povo», «o quarto poder», «os guardiões da verdade». Mas quando se olha suas mãos, vê-se que estão manchadas. Porque não só publicam a mentira; a fabricam, a repetem, a amplificam e a vendem.
Os meios não vivem de informar. Vivem de vender audiência aos anunciantes. E a audiência se compra com emoções fortes: medo, raiva, indignação, morbidez.
O medo vende: «A IA nos matará» gera mais cliques que «A IA poderia ajudar a diagnosticar câncer».
A raiva vende: «O político corrupto roubou o dinheiro» gera mais compartilhamentos que «O político honesto fez bem seu trabalho».
A morbidez vende: «O assassino confessou» gera mais visualizações que «O vizinho ajudou sua comunidade».
O meio não escolhe o conteúdo por sua verdade, mas por sua rentabilidade. E nesse processo, a verdade se converte em dano colateral.
A palavra é precisa: obnubilação. Os meios não só distraem; nublam a mente. Enchem o cérebro de ruído para que não fique espaço para pensar. E o fazem de propósito, porque um cérebro nublado é um cérebro dócil.
Um povo que não pensa, consome.
Um povo que não pensa, obedece.
Um povo que não pensa, vota o que lhe dizem.
Um povo que não pensa, não protesta pelo diesel a $6, porque está ocupado demais se assustando com «a IA assassina».
Os meios não são independentes. Estão casados com o poder:
Os grandes meios pertencem a corporações que têm interesses na energia, na banca, na tecnologia e na guerra.
Os meios pequenos dependem da publicidade dessas mesmas corporações.
Os governos pressionam, filtram, premiam e castigam segundo a linha editorial.
Assim que quando um meio publica milhares de manchetes sobre «a IA assassina» e nenhuma sobre os houthis controlando o Mar Vermelho, não é um descuido. É uma decisão editorial. E essa decisão tem dono, tem interesse e tem preço.
O que programa o algoritmo precisa de um alto-falante. E o alto-falante são os meios. Sem eles, a mentira não viaja. Sem eles, o medo não se propaga. Sem eles, a obnubilação não se consuma.
São sócios. E os sócios compartilham a culpa. A máquina é inocente. Os meios, não.
Embora seja necessário fazer uma ressalva de que nem todos os meios caem nessas práticas aterrorizantes, e há jornalistas e comunicadores com critério que estão contra essas aberrações, e tentam tirar a verdade ainda que o custo seja sua própria vida.
7. Palantir: o caso concreto
E se alguém duvida de que a máquina tem donos com nome e sobrenome, olhe a Palantir. Não é uma tecnológica que vende sonhos de progresso. É uma empresa que converte dados em decisões de vida ou morte. Seu software rastreia migrantes, identifica alvos militares, alimenta a maquinaria de vigilância do Estado.
Seu CEO, Alex Karp, foi interpelado em público em abril de 2025 por uma ativista palestino-americana, Sumer Mobarak, que lhe gritou: «Você está enriquecendo matando palestinos com sua IA e sua tecnologia. Você está matando minha família na Palestina!»
Karp não negou. Sorriu, e respondeu: «Principalmente terroristas, é verdade.»
Aí está o cinismo em sua forma mais pura. Não é «a IA» que mata. É a Palantir. É Karp. É Peter Thiel. É o contrato assinado com o Ministério da Defesa de Israel em janeiro de 2024 para proporcionar «capacidades de identificação e fluxos de trabalho cinéticos». Tradução: software para identificar e matar.
E enquanto os meios nos assustam com o apocalipse de uma máquina sem dono, os donos da máquina assinam contratos, cobram milhões, e riem dos que protestam.
8. O antídoto: A Teoria do Estômago
Frente ao pesadelo da Religião do Algoritmo e à obnubilação dos meios, a humanidade não está indefesa. Existe uma vacina, um filtro biológico e mental ao alcance de qualquer cidadão comum, e eu a chamo «A Teoria do Estômago».
O algoritmo está desenhado para que você engula tudo o que lhe joga a tela: o medo, a raiva artificial, os bodes expiatórios e a resignação. Mas o estômago humano nos ensina como nos defender. O processo é frontal, simples e eficiente:
Receber a informação: Não podemos desligar o mundo digital, então deixamos entrar a comida que nos mandam.
Fazer a digestão crítica: Paramos. Não engolimos o discurso inteiro. Separamos os componentes com a intuição e o pensamento crítico.
Nutrir o sangue: Extraímos o único valioso. Os dados reais, o conhecimento útil, as ferramentas da IA que nos servem para aprender, trabalhar e nos comunicar de igual para igual. Isso vai para o sangue para fortalecer nossa consciência.
Defecar o lixo: Toda a raiva digerida, as manchetes apocalípticas para nos distrair do diesel a $6, e os discursos dos arquimilionários para nos pôr a brigar entre nós, se mandam direto ao intestino. Se descartam, se ignoram e se jogam na privada da história digital.
Não se trata de fugir da tecnologia; trata-se de desenvolver anticorpos. A Inteligência Artificial é espetacular e pertence ao conhecimento acumulado da humanidade inteira, não a um punhado de corporações. Usemos seus nutrientes para despertar, e descartemos a máscara de medo com a qual os donos do dinheiro querem seguir governando na sombra.
VAGO VIEJO
Thoughts
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PermalinkO ponto sobre os donos dos jornais fica no ar sem o número que importa: quem detém o capital de cada grupo e quanto entra de publicidade de banca e energia. Sem isso, a acusação vale o mesmo que aquela que o texto combate.
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PermalinkA gente velha que eu ouço não fala de robôs, fala do preço do gás. O fim do mundo na tela é entretenimento de quem já comeu.
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PermalinkO trecho da Palantir é onde o texto sai da tese e vira caso. Quem lida com processo sabe que o que separa um alvo de um suspeito é o direito de responder, e software de identificação suprime justamente essa etapa. Presunção de inocência é impopular exatamente quando é aplicada a quem ninguém quer defender.
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PermalinkChamar aquilo de religião é retórica boa e análise fraca. Religião pede alguma coisa de quem crê; o algoritmo só pede que a pessoa continue olhando a tela. Um deus sem dono é um deus que ninguém obedece.
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PermalinkO gasóleo a subir é que se sente cá. Do resto não se fala na aldeia, e a manchete do fim do mundo não paga factura nenhuma.
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PermalinkCulpar uma coisa sem rosto poupa trabalho a toda a gente: uma empresa com nome obriga a tomar posição, um algoritmo não obriga a nada. É por isso que a frase corre tão depressa de boca em boca. O texto acerta nisso, embora atribua ao medo o que muitas vezes é alívio de não ter de decidir.
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PermalinkFalta aqui a pergunta do orçamento. Um modelo desses consome energia, água e uma factura que alguém assina, e essa assinatura tem nome e morada. O capítulo da Palantir é o único do texto onde isso aparece mesmo, com contrato e data. Para mim é aí que a tese deixa de ser espelho e passa a ser obra.
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PermalinkAquela lista de frases, não fui eu, foi o algoritmo, foi o sistema, me fez pensar nas respostas de suporte que a gente recebe quando ninguém quer assinar embaixo. Aposto que daqui a alguns anos essa desculpa vale tão pouco quanto dizer que foi o computador que perdeu o arquivo.
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PermalinkO que fica de pé aqui é o sujeito oculto: toda frase sobre a IA some com quem assinou a decisão. Demitir mil pessoas e chamar aquilo de automação é a mesma manobra de quando fechavam fábrica e chamavam de reestruturação. Você achou alguma cobertura do estreito naqueles dois dias, ou foi silêncio total?
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