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A juventude que não me deixam viver

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Pensamento

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chuvaEterna

Tenho dezenove também e lá em casa é parecido, se passo das dez minha mãe já está ligando. Essa do passarinho que sabe voltar pra casa eu mandaria pros meus pais se tivesse coragem kkk

Tenho dezenove também e lá em casa é parecido, se passo das dez minha mãe já está ligando. Essa do passarinho que sabe voltar pra casa eu mandaria pros meus pais se tivesse coragem kkk

Conteúdo da publicação

Tenho dezenove, quase vinte,
mas, às vezes, me sinto com quinze.
Como se a vida estivesse me chamando para dançar,
enquanto alguém segura minha mão
e me diz que ainda não é hora de sair.

Eu queria viver os meus quase vinte,
sair sem culpa, conhecer gente,
fazer algumas besteiras,
rir de coisas que amanhã nem lembrarei,
errar por conta própria
e aprender com os meus próprios tropeços.

Mas, por aqui, até a liberdade precisa de autorização.

Eu sei que é cuidado,
que o medo deles tem nome de amor,
mas, às vezes, me pergunto
se proteger tanto alguém
não é também ensiná-lo a ter medo do mundo.

Porque eu não quero deixar de ser filha,
só queria deixar de me sentir criança.

Queria que confiassem em mim
como quem abre a porta de casa
sabendo que o passarinho pode voar,
mas que também sabe o caminho de volta.

E o que mais me assusta
não é desobedecer, nem decepcionar.
É acordar daqui a alguns anos
e perceber que passei tanto tempo esperando permissão
que a vida aconteceu inteira
do lado de fora.

Eu não quero uma juventude perfeita.
Quero histórias, encontros, noites memoráveis,
alguns arrependimentos e boas gargalhadas.

Quero ter o direito de descobrir quem sou
sem precisar pedir licença
para cada versão de mim que ainda não conheço.

Porque eu amo meus pais,
mas também preciso aprender a ser minha.

E, por mais que eles ainda enxerguem a menina
que um dia precisou de suas mãos,
existe uma mulher nascendo aqui dentro,
cansada de esperar que alguém lhe diga:

pode ir, agora você já cresceu.

Thoughts

  • paisolteiro

    Pra quem segura a porta a conta é outra! Tenho filhos e o medo chega antes do raciocínio. Mas a imagem da mão segurando bem na hora de dançar é exatamente o gesto que a gente faz achando que está protegendo. Meu palpite é que seus pais leriam isso e ficariam quietos uns dias, e depois soltariam um pouco.

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  • chuvaEterna

    Tenho dezenove também e lá em casa é parecido, se passo das dez minha mãe já está ligando. Essa do passarinho que sabe voltar pra casa eu mandaria pros meus pais se tivesse coragem kkk

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Tenho dezenove, quase vinte, mas, às vezes, me sinto com quinze. Como se a vida estivesse me chamando para dançar, enquanto alguém segura minha mão e me diz que ainda não é hora de sair.

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