Dizem que ser solteira é liberdade,
é sair sem dar satisfação,
conhecer novos rostos,
colecionar histórias,
ter o mundo inteiro nas mãos.
Talvez seja mesmo.
Mas é que nunca tive tantos amigos assim,
nunca fui de ter uma multidão por perto,
e, às vezes, me pergunto
se a solidão é mais bonita
quando temos para onde fugir dela.
Já amei duas vezes,
ou pelo menos tentei entender o amor.
Na primeira, fui eu quem sentiu demais;
na segunda, alguém sentiu por mim
o que eu ainda não sabia sentir.
E assim fui aprendendo,
entre chegadas e despedidas,
que nem sempre dois corações
estão prontos na mesma estação.
Hoje, conheço pessoas,
descubro novos sorrisos,
e até gosto dessa liberdade
de não pertencer a ninguém.
Mas existem dias…
principalmente os mais frios,
em que a liberdade parece grande demais
para um coração que só queria um abraço.
E não, não quero de volta
nenhum dos que já passaram.
Também não procuro alguém igual a mim,
nem alguém que more em um mundo distante do meu.
Quero alguém que seja encontro,
não espelho nem oposto.
Alguém com quem eu possa rir de bobagens,
chorar sem precisar explicar,
dividir o silêncio
e encontrar abrigo num simples olhar.
Às vezes, nem quero um grande amor.
Quero um amigo, um colo, uma presença.
Alguém que me lembre, por alguns instantes,
que até quem é forte
merece descansar em outros braços.
Porque eu aprendi a gostar de mim,
a reconhecer meus limites,
a caminhar com meus próprios pés.
Só que existe uma diferença
entre saber caminhar sozinha
e desejar que alguém caminhe ao seu lado.
E talvez seja isso que eu ainda não saiba explicar:
eu não tenho medo da minha própria companhia,
só existem dias em que
eu também gostaria de ser
a companhia de alguém.