Tenho dezenove, quase vinte,
mas, às vezes, me sinto com quinze.
Como se a vida estivesse me chamando para dançar,
enquanto alguém segura minha mão
e me diz que ainda não é hora de sair.
Eu queria viver os meus quase vinte,
sair sem culpa, conhecer gente,
fazer algumas besteiras,
rir de coisas que amanhã nem lembrarei,
errar por conta própria
e aprender com os meus próprios tropeços.
Mas, por aqui, até a liberdade precisa de autorização.
Eu sei que é cuidado,
que o medo deles tem nome de amor,
mas, às vezes, me pergunto
se proteger tanto alguém
não é também ensiná-lo a ter medo do mundo.
Porque eu não quero deixar de ser filha,
só queria deixar de me sentir criança.
Queria que confiassem em mim
como quem abre a porta de casa
sabendo que o passarinho pode voar,
mas que também sabe o caminho de volta.
E o que mais me assusta
não é desobedecer, nem decepcionar.
É acordar daqui a alguns anos
e perceber que passei tanto tempo esperando permissão
que a vida aconteceu inteira
do lado de fora.
Eu não quero uma juventude perfeita.
Quero histórias, encontros, noites memoráveis,
alguns arrependimentos e boas gargalhadas.
Quero ter o direito de descobrir quem sou
sem precisar pedir licença
para cada versão de mim que ainda não conheço.
Porque eu amo meus pais,
mas também preciso aprender a ser minha.
E, por mais que eles ainda enxerguem a menina
que um dia precisou de suas mãos,
existe uma mulher nascendo aqui dentro,
cansada de esperar que alguém lhe diga:
pode ir, agora você já cresceu.