O amanhã não é um lugar. É o deserto que me espera quando a luz do dia morre.Não vejo caminhos; vejo apenas o rastro de tudo o que eu poderia ser e que, pela crueldade do tempo, talvez nunca seja.
O incerto não é uma névoa, como dizem os poetas; é uma lâmina. Ele corta a pele da minha esperança,deixando à mostra o nervo exposto de um medo que eu não ouso confessar nem para mim mesma.
Quero escrever o destino, mas a caneta treme. O futuro me olha com olhos famintos,querendo devorar os retalhos de energia que ainda me restam entre o trabalho que me consome e o sonho que desidrata. É uma melancolia suja, pesada, densa:a de saber que a incerteza não é sobre o que vai acontecer, já me deixar com angústia,e ainda me deixa com a dúvida se o amanhã irá chegar