O futuro não é um horizonte; é uma sala fechada,um cômodo escuro onde guardo tudo o que não ouso dizer.Eu toco a maçaneta da incerteza todos os dias,sentindo o frio do metal que não abre,e a urgência de uma vida que insiste em acontecer atrás de uma porta que eu mesma, por medo ou cansaço,ainda não tive forças para destrancar.
É um abismo familiar, esse lugar onde o chão não se firma.Eu sou a âncora que, de tanto segurar o mundo dos outros,esqueceu como é flutuar.
O futuro me olha com olhos de vidro,impassível, cruel e magnético,me perguntando, sem usar palavras,se eu ainda tenho sangue nas veias para continuar a espera.
O amanhã é um fantasma que eu abraço toda noite,e talvez, no final dessa angústia toda, o que eu chamo de incerto seja apenas o nome que dou à minha própria coragem.