A dor do luto é diferente para todos
Não me diga como devo viver o meu luto.
Você não estava comigo
naquela noite em que o mundo perdeu o sentido.
Não sentiu o silêncio que ficou na casa,
nem ouviu a voz de quem partiu
ecoando dentro da minha cabeça.
Você não sabe quantas vezes
eu ainda pego o celular para ligar,
quantas vezes quase chamo pelo nome,
quantas vezes vejo alguém de longe
e, por um segundo, meu coração acredita
que aquela pessoa voltou.
O luto não é apenas chorar.
Às vezes é sorrir sem vontade.
É conversar normalmente
enquanto por dentro tudo dói.
É levantar da cama porque a vida exige,
mesmo quando a alma implora
para ficar ali, parada,
tentando entender o que aconteceu.
Tem dias em que parece que passou.
E tem dias em que a saudade chega
como se a perda tivesse acontecido ontem.
Porque o calendário avança,
mas o coração não obedece datas.
Algumas pessoas choram.
Outras se calam.
Algumas guardam fotografias.
Outras não conseguem sequer olhar para elas.
Algumas falam sobre quem partiu o tempo inteiro.
Outras evitam o assunto porque,
se começarem a falar,
talvez não consigam parar de chorar.
E tudo isso é luto.
Então, antes de dizer
“você precisa seguir em frente”,
lembre-se:
seguir em frente não significa deixar para trás.
Quem amamos não desaparece
só porque o tempo passou.
A pessoa continua nas histórias,
nos cheiros, nas músicas,
nas lembranças inesperadas,
naquele canto da casa,
naquela comida,
naquela frase que só ela dizia.
E continua, principalmente,
naquilo que deixou dentro de nós.
Talvez essa seja a parte mais cruel do luto:
ter tanto amor para dar
e não ter mais onde colocar.
Por isso, não julgue a lágrima de quem ainda chora.
Não julgue o sorriso de quem parece bem.
Não pergunte por que ainda dói.
Você não conhece a profundidade
da ausência que aquela pessoa carrega.
Porque a dor do luto é diferente para todos.
Mas existe uma verdade que ninguém pode mudar:
quanto maior foi o amor,
maior pode ser a saudade.
E algumas ausências
a gente não supera.
A gente aprende, com o coração quebrado,
a continuar vivendo com elas.