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A Cor Que Não Pode Ser Julgada.

guimaraes
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Antes de você olhar para a minha pele, olhe para os meus olhos.

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HeldonMenezes

Costumo defender dois pontos de vista a respeito deste assunto. Primeiramente, questiono o uso conceitual da palavra , visto que a única raça existente é a raça humana . Em segundo lugar, entendo que a discriminação por características físicas reflete uma

Costumo defender dois pontos de vista a respeito deste assunto. Primeiramente, questiono o uso conceitual da palavra, visto que a única raça existente é a raça humana. Em segundo lugar, entendo que a discriminação por características físicas reflete uma ignorância intrínseca do próprio indivíduo, evidenciando a necessidade de suporte psicológico e de reconexão espiritual.

Conteúdo da publicação

Antes de você olhar para a minha pele,
olhe para os meus olhos.

Antes de decidir quem eu sou,
escute a minha história.

Eu não escolhi a cor
que carrego no corpo,
assim como você não escolheu
a cor que carrega no seu.

Mas alguém, algum dia,
decidiu que uma cor valia mais que outra.

E desse pensamento nasceram
olhares que machucam,
palavras que ferem,
portas que se fecham
e sonhos que algumas pessoas
foram ensinadas a acreditar
que não poderiam alcançar.

Eu já vi uma criança
baixar a cabeça
porque alguém riu do seu cabelo.

Já vi alguém esconder o sorriso
porque disseram que sua pele
era motivo de vergonha.

Mas que mundo é esse
em que uma criança precisa aprender
a ter vergonha de quem ela é?

Quem ensinou isso?

E por que continuamos ensinando?

Não.

Chega.

Nenhuma criança deveria crescer
acreditando que sua cor diminui seu valor.

Nenhum menino deveria ouvir
que não pode sonhar alto
por causa da sua pele.

Nenhuma menina deveria olhar no espelho
e desejar nascer diferente
para ser aceita.

Porque cabelo crespo é história.

Porque pele negra é beleza.

Porque cada rosto carrega uma história
que merece respeito.

E porque ninguém deveria ser julgado
pela cor que existe em sua pele,
mas reconhecido
pela humanidade que existe em seu coração.

A escola deveria ser lugar de descoberta,
não de humilhação.

Deveria ensinar a criança
a levantar a mão,
não a esconder o rosto.

Deveria abrir livros
para abrir caminhos.

E cada professor que ensina,
cada aluno que aprende,
cada família que conversa sobre respeito,
pode ajudar a construir
um Brasil diferente.

Um Brasil onde a diferença
não seja motivo de medo,
mas motivo de aprendizado.

Onde ninguém seja obrigado
a provar que merece respeito.

Porque respeito não se conquista
pela cor da pele.

Respeito é direito.

E talvez o futuro comece
dentro de uma sala de aula.

Comece quando uma criança
aprende que o colega ao lado
não é melhor nem pior que ela.

Comece quando alguém presencia uma ofensa
e decide não ficar em silêncio.

Comece quando um professor diz:

“Não é brincadeira.
Isso machuca.”

Comece quando uma criança negra
abre um livro
e encontra pessoas que se parecem com ela
sendo protagonistas de suas próprias histórias.

Comece quando ensinamos
que a história do Brasil
também foi construída
pelas mãos, pela inteligência,
pela resistência e pela cultura
de milhões de pessoas negras.

E talvez um dia
uma criança pergunte:

“Professor, por que antigamente
as pessoas eram julgadas pela cor?”

E o professor possa responder:

“Porque a humanidade errou.

Mas aprendeu.

E decidiu mudar.”

Que esse dia chegue.

Que nossas escolas sejam sementes.

Que nossos livros sejam pontes.

Que nossas palavras sejam cura.

E que nenhuma criança precise crescer
lutando para convencer o mundo
de que merece existir.

Porque antes de sermos
brancos, negros, indígenas
ou de qualquer outra origem,

somos pessoas.

Temos sonhos.

Temos medo.

Temos lágrimas.

Temos esperança.

Temos uma vida inteira
pela frente.

Então, quando você encontrar alguém
que tenha uma cor diferente da sua,

não procure uma diferença
para separar.

Procure uma história
para conhecer.

Porque talvez você descubra
que aquilo que parecia tão diferente
é apenas outra maneira
de ser humano.

E quando finalmente entendermos isso,
talvez deixemos para trás
o mundo que julgava pela pele

para construir um mundo
que reconhece pelo coração.

Que a cor da nossa pele
seja motivo de orgulho,
nunca de preconceito.

Que nossas diferenças
sejam ensinadas nas escolas
não para nos separar,
mas para nos ensinar
a caminhar juntos.

E que a próxima geração
não precise perguntar
quando o racismo vai acabar.

Que ela possa simplesmente dizer:

“Acabou.”

Autor: João Guilherme Guimarães de Souza

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  • HeldonMenezes

    Costumo defender dois pontos de vista a respeito deste assunto. Primeiramente, questiono o uso conceitual da palavra, visto que a única raça existente é a raça humana. Em segundo lugar, entendo que a discriminação por características físicas reflete uma ignorância intrínseca do próprio indivíduo, evidenciando a necessidade de suporte psicológico e de reconexão espiritual.

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