Qual dessas imagens ficou mais tempo com você antes de virar poema? A da chuva, a da mãe, qual?
A Catedral Erguida das Cinzas
A Catedral Erguida das Cinzas
In groups
Pensamento
Qual dessas imagens ficou mais tempo com você antes de virar poema? A da chuva, a da mãe, qual?
Conteúdo da publicação
A Catedral Erguida das Cinzas
Tomei emprestado meu nome da chuva,
pois a pedra se lembra menos do que a dor.
Cada rua que atravessei guardava um censo silencioso
das almas que desapareceram sem testemunha.
Minha mãe ensinou-me que o pão tem um pulso,
que a fome não é apenas a ausência de alimento,
mas a língua pela qual a História
pergunta se Deus ainda permanece desperto.
Vi reis refletidos em espelhos partidos,
mendigos carregando impérios nos bolsos,
e amantes que se beijavam como se cada boca
fosse o último país ainda não consumido pelo fogo.
O tempo não é um rio.
É um violinista cego
tocando sob a forca,
na esperança de que alguém confunda tristeza com música.
O que é o perdão,
senão ensinar a própria ferida
a florescer sem exigir sangue?
Os corvos conhecem a resposta.
Não erguem monumentos,
e, ainda assim, herdam todos os campos de batalha.
Nesta noite, enterrei outra versão de mim.
Ela vestia o meu sorriso como roupa emprestada
e acreditava que o amanhã
ainda podia ser negociado.
A terra o recebeu com delicadeza,
como as mães recebem os filhos
que regressam tarde demais
para explicar por que partiram.
Acima de nós, as estrelas ensaiavam
a sua antiga indiferença.
Até a luz, depois de viajar por eras,
chega já assombrada.
Se o amor existe,
não é o fogo.
É a cinza
que ainda se lembra
da forma da chama.
Thoughts
-
PermalinkVocê revisita esse poema? Tipo, relê e descobre detalhes que não viu na primeira vez?
-
PermalinkAlmas desaparecendo sem testemunha, versões suas enterradas... tem uma solidão pesada aqui que dói de ler.
-
PermalinkO título fala de catedral erguida nas cinzas, mas aí no poema não vejo a catedral de volta? É tipo, tudo fica cinza e ponto?
-
PermalinkA virada no final sobre amor ser cinza é forte. Tipo, você tá falando de esperar que o estrago esfrie mesmo?
-
PermalinkQual dessas imagens ficou mais tempo com você antes de virar poema? A da chuva, a da mãe, qual?
-
PermalinkEnterrar versões de você... relatable demais 💭
-
PermalinkO tempo como violinista cego tocando sob forca é uma imagem pesada. Você costuma pensar em tempo desse jeito mesmo?
-
PermalinkA parte do pão com pulso e a fome como língua da História... de onde você tirou isso? É coisa sua ou vem de alguma lembrança?
Related discussions
-
Compreender e amar
Expor algo que te incomoda ou uma dor para alguém que não sabe lidar com sentimentos é como entrar cego em um tiroteio
-
# Capítulo 3 — Entre Olhares e Coincidências
O silêncio era tão grande que dava pra ouvir o relógio na parede
-
Mini conto erótico amor e potencia
Pedro a observava com uma ternura profunda, sentindo o peito aquecer apenas por tê-la ali. Ele não queria apenas o prazer físico; cada toque, cada beijo lento e carregado de sentimento, era uma forma de dizer o quanto ele era apaixonado por ela. Quando o desejo finalmente transbordou, foi um encontro de almas, e no êxtase daquele momento, Pedro liberou um jato forte e espesso, um ápice potente que era, acima de tudo, uma entrega total de seu amor.
-
Conto a lua prateada
O aroma de alecrim e carne grelhada pairava no ar do restaurante, mas para Clara, tudo o que ela conseguia cheirar era o perfume amadeirado de Lucas. A biologia dela estava gritando, um relógio biológico disparado pelo pico de fertilidade que transformava cada célula do seu corpo em um receptáculo de desejo. Ela observava o movimento do maxilar dele enquanto comia, a veia que pulsava sutilmente no pescoço, a maneira como os dedos longos seguravam o talher. Não era apenas atração; era uma fome pr
-
Conto entre livros e amor
A luz da tarde entrava na livraria, deixando tudo com um brilho dourado. O Lucas, que trabalhava lá arrumando os livros, gostava daquele sossego. Era o canto dele. Tudo mudou numa terça-feira, quando o sino da porta tocou. A Clara entrou toda apressada, com cheiro de chuva e um sorriso sem jeito. Ela estava segurando um livro bem velhinho. Ela queria um livro de poesia antigo e, quando chamou o Lucas, aquela conversa de trabalho virou um papo de quarenta minutos sobre livros e cafés. **No começ
-
Não sei que título dar
Procurando feedback em relação ao meu texto
-
Amor puro e sincero!
Em meio à solidão um vazio que preenche minha alma. Um silêncio que pairava em meu coração e nada mais me restava há não ser a solidão. Na longa jornada da vida,buscava um cantinho para repousar e ali então o destino me reservou o melhor dos presentes,Com um sorriso lindo,suave e radiante Cabelos com um tom dourado e intenso. Sua pele era lisa e delicada como porcelana lapidadas,brilhando intensamente Uma beleza digna de admiração,sua beleza era como uma obra prima da natureza:rara e harmormo
-
+18 Dedos molhados
Ela sorriu de canto quando ele se aproximou. — Você fica ainda mais bonita quando sorri... — disse ele, acariciando sua mão. Ela mordeu o lábio de leve e respondeu com um olhar cheio de malícia. — Cuidado... desse jeito você acaba me deixando sem reação. Ele riu baixo, aproximou-se devagar e envolveu sua cintura. Os rostos ficaram tão perto que podiam sentir a respiração um do outro. Por alguns segundos, nenhum dos dois disse uma palavra. — Sabe o que eu mais gosto? — ele perguntou. — O quê?