Carregando…

A Catedral Erguida das Cinzas

JoaoConstantine
Pública 0 conversa 8 pensamentos 6 votos positivos 1 voto negativo 1 série 32 visualizações

A Catedral Erguida das Cinzas

In groups

Pensamento

Pensamento

Marina

A parte do pão com pulso e a fome como língua da História... de onde você tirou isso? É coisa sua ou vem de alguma lembrança?

A parte do pão com pulso e a fome como língua da História... de onde você tirou isso? É coisa sua ou vem de alguma lembrança?

Conteúdo da publicação

A Catedral Erguida das Cinzas

Tomei emprestado meu nome da chuva,

pois a pedra se lembra menos do que a dor.

Cada rua que atravessei guardava um censo silencioso

das almas que desapareceram sem testemunha.

Minha mãe ensinou-me que o pão tem um pulso,

que a fome não é apenas a ausência de alimento,

mas a língua pela qual a História

pergunta se Deus ainda permanece desperto.

Vi reis refletidos em espelhos partidos,

mendigos carregando impérios nos bolsos,

e amantes que se beijavam como se cada boca

fosse o último país ainda não consumido pelo fogo.

O tempo não é um rio.

É um violinista cego

tocando sob a forca,

na esperança de que alguém confunda tristeza com música.

O que é o perdão,

senão ensinar a própria ferida

a florescer sem exigir sangue?

Os corvos conhecem a resposta.

Não erguem monumentos,

e, ainda assim, herdam todos os campos de batalha.

Nesta noite, enterrei outra versão de mim.

Ela vestia o meu sorriso como roupa emprestada

e acreditava que o amanhã

ainda podia ser negociado.

A terra o recebeu com delicadeza,

como as mães recebem os filhos

que regressam tarde demais

para explicar por que partiram.

Acima de nós, as estrelas ensaiavam

a sua antiga indiferença.

Até a luz, depois de viajar por eras,

chega já assombrada.

Se o amor existe,

não é o fogo.

É a cinza

que ainda se lembra

da forma da chama.

Thoughts

  • conto84

    Você revisita esse poema? Tipo, relê e descobre detalhes que não viu na primeira vez?

    Permalink
  • AlmaTavares

    Almas desaparecendo sem testemunha, versões suas enterradas... tem uma solidão pesada aqui que dói de ler.

    Permalink
  • cadernoDeMargem

    O título fala de catedral erguida nas cinzas, mas aí no poema não vejo a catedral de volta? É tipo, tudo fica cinza e ponto?

    Permalink
  • vqueiroz90

    A virada no final sobre amor ser cinza é forte. Tipo, você tá falando de esperar que o estrago esfrie mesmo?

    Permalink
  • folhaSolta

    Qual dessas imagens ficou mais tempo com você antes de virar poema? A da chuva, a da mãe, qual?

    Permalink
  • contoBreve

    Enterrar versões de você... relatable demais 💭

    Permalink
  • Simao

    O tempo como violinista cego tocando sob forca é uma imagem pesada. Você costuma pensar em tempo desse jeito mesmo?

    Permalink
  • Marina

    A parte do pão com pulso e a fome como língua da História... de onde você tirou isso? É coisa sua ou vem de alguma lembrança?

    Permalink

Related discussions

  • Compreender e amar

    Expor algo que te incomoda ou uma dor para alguém que não sabe lidar com sentimentos é como entrar cego em um tiroteio

  • # Capítulo 3 — Entre Olhares e Coincidências

    O silêncio era tão grande que dava pra ouvir o relógio na parede

  • Mini conto erótico amor e potencia

    Pedro a observava com uma ternura profunda, sentindo o peito aquecer apenas por tê-la ali. Ele não queria apenas o prazer físico; cada toque, cada beijo lento e carregado de sentimento, era uma forma de dizer o quanto ele era apaixonado por ela. Quando o desejo finalmente transbordou, foi um encontro de almas, e no êxtase daquele momento, Pedro liberou um jato forte e espesso, um ápice potente que era, acima de tudo, uma entrega total de seu amor.

  • Conto a lua prateada

    O aroma de alecrim e carne grelhada pairava no ar do restaurante, mas para Clara, tudo o que ela conseguia cheirar era o perfume amadeirado de Lucas. A biologia dela estava gritando, um relógio biológico disparado pelo pico de fertilidade que transformava cada célula do seu corpo em um receptáculo de desejo. Ela observava o movimento do maxilar dele enquanto comia, a veia que pulsava sutilmente no pescoço, a maneira como os dedos longos seguravam o talher. Não era apenas atração; era uma fome pr

  • Conto entre livros e amor

    A luz da tarde entrava na livraria, deixando tudo com um brilho dourado. O Lucas, que trabalhava lá arrumando os livros, gostava daquele sossego. Era o canto dele. Tudo mudou numa terça-feira, quando o sino da porta tocou. A Clara entrou toda apressada, com cheiro de chuva e um sorriso sem jeito. Ela estava segurando um livro bem velhinho. Ela queria um livro de poesia antigo e, quando chamou o Lucas, aquela conversa de trabalho virou um papo de quarenta minutos sobre livros e cafés. **No começ

  • Não sei que título dar

    Procurando feedback em relação ao meu texto

  • Amor puro e sincero!

    Em meio à solidão um vazio que preenche minha alma. Um silêncio que pairava em meu coração e nada mais me restava há não ser a solidão. Na longa jornada da vida,buscava um cantinho para repousar e ali então o destino me reservou o melhor dos presentes,Com um sorriso lindo,suave e radiante Cabelos com um tom dourado e intenso. Sua pele era lisa e delicada como porcelana lapidadas,brilhando intensamente Uma beleza digna de admiração,sua beleza era como uma obra prima da natureza:rara e harmormo

  • +18 Dedos molhados

    Ela sorriu de canto quando ele se aproximou. — Você fica ainda mais bonita quando sorri... — disse ele, acariciando sua mão. Ela mordeu o lábio de leve e respondeu com um olhar cheio de malícia. — Cuidado... desse jeito você acaba me deixando sem reação. Ele riu baixo, aproximou-se devagar e envolveu sua cintura. Os rostos ficaram tão perto que podiam sentir a respiração um do outro. Por alguns segundos, nenhum dos dois disse uma palavra. — Sabe o que eu mais gosto? — ele perguntou. — O quê?