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A Aparição - Parte 17

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Pensamento

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terceiraVia

O comandante mandou manter distância dos civis, e aí um civil armado esvazia o carregador na frente da tropa sem ninguém tomar a arma dele. Essa parte diz mais sobre o Exército da história do que sobre a Aurora. Chuto que, com tudo ao vivo, alguém vai ter

O comandante mandou manter distância dos civis, e aí um civil armado esvazia o carregador na frente da tropa sem ninguém tomar a arma dele. Essa parte diz mais sobre o Exército da história do que sobre a Aurora. Chuto que, com tudo ao vivo, alguém vai ter que explicar isso numa CPI, e vai sobrar pro soldado que gritou.

Conteúdo da publicação


Aurora continuou pela rua.

O Exército seguia atrás.

Não tentava mais impedir seu caminho.

Apenas acompanhava.

Ela dobrou uma esquina.

Depois outra.

Entrou em um bairro residencial.

As pessoas observavam pelas janelas.

Algumas fechavam as portas.

Outras filmavam.

A transmissão continuava.

Um soldado recebeu uma informação pelo rádio.

— Temos civis à frente.

O comandante respondeu:

— Mantenham distância. Ninguém se aproxima.

Aurora continuou.

Então um homem apareceu na rua.

Era adulto.

Segurava uma arma.

Antes que alguém pudesse reagir, começou a atirar.

Os disparos ecoaram entre as casas.

As balas atingiram Aurora.

Caíram.

Nenhuma a feriu.

Ela continuou andando.

O homem atirou novamente.

Mais tiros.

Nada.

— PARE! — gritou um soldado.

O homem continuou.

— ABAIXE A ARMA!

Aurora não parou.

O homem disparou até a arma ficar vazia.

Silêncio.

Ele olhou para o carregador.

Vazio.

Então largou a arma.

Entrou correndo em uma caminhonete estacionada.

O motor ligou.

— NÃO! — gritou um soldado.

A caminhonete avançou em direção a Aurora.

Ela não desviou.

O veículo atingiu seu corpo.

E se desfez.

A frente da caminhonete se dobrou como papel.

O motor foi comprimido.

O capô levantou.

Vidros explodiram.

O veículo parou completamente destruído.

O homem saiu dos destroços.

Estava ferido.

Cambaleou alguns metros.

Depois caiu.

Começou a rastejar.

Aurora continuava avançando.

Ele alcançou suas pernas.

Tocou nela.

— Você não vai tocar meu filho.

Aurora parou.

Pela primeira vez naquela rua, ficou completamente imóvel.

Atrás dela estava a casa do homem.

Na janela do segundo andar, havia um menino.

Ele observava tudo.

Aurora olhou para a janela.

O homem percebeu.

Tentou se levantar.

Pegou um galão.

— Não!

Um soldado avançou.

Mas o homem jogou a gasolina.

O líquido atingiu Aurora.

Parte caiu sobre o próprio homem.

Ele percebeu tarde demais.

O cheiro tomou o ar.

Ele acendeu o fogo.

As chamas subiram imediatamente.

O homem gritou.

Seu corpo caiu no chão.

Aurora também pegou fogo.

As chamas envolveram seu corpo.

A roupa que ainda restava queimou.

As câmeras continuavam transmitindo.

O helicóptero registrava tudo.

O mundo inteiro assistia.

O homem rolava desesperadamente pelo chão.

Aurora permanecia de pé no ar.

Flutuando.

Em silêncio.

As chamas envolviam seu corpo, mas não havia ferimento.

Não havia reação.

Nenhuma tentativa de apagar o fogo.

Depois de alguns segundos, as chamas diminuíram.

O homem permaneceu no chão.

Aurora começou a avançar novamente.

Em direção à casa.

Os soldados ficaram imóveis.

Ninguém sabia o que fazer.

— Ela está entrando na casa.

Aurora atravessou a parede.

O concreto se deformou ao redor dela.

A parede foi comprimida.

A casa começou a ceder.

Portas quebraram.

Móveis foram esmagados.

Mas Aurora continuou sem mudar o ritmo.

Subiu.

Entrou no quarto do garoto.

Ele estava chorando.

Encolhido contra a parede.

Aurora ficou diante dele.

O menino tremia.

— Por favor...

Ela não respondeu.

— Eu não fiz nada.

Aurora apenas olhou.

— Eu não sabia...

O garoto começou a chorar ainda mais.

— Por favor, me perdoa.

Aurora continuou olhando.

Não havia raiva em seu rosto.

Nem satisfação.

Nem ameaça.

Apenas aquele olhar calmo.

O menino ficou completamente paralisado.

Do lado de fora, ninguém falava.

Os soldados observavam através das câmeras.

O helicóptero permanecia sobre a casa.

A transmissão estava ao vivo.

Aurora virou lentamente a cabeça.

Depois virou o corpo.

E saiu.

Sem tocar no garoto.

Sem dizer uma palavra.

Atravessou novamente a casa destruída.

Saiu para a rua.

Os soldados abriram passagem.

Ninguém tentou detê-la.

Aurora continuou andando.

Voltou pela mesma rua.

Passou pelos veículos.

Pelos soldados.

Pelas câmeras.

Pela multidão que agora estava muito mais distante.

Ninguém se aproximou.

Ninguém tentou tocá-la.

Apenas observavam.

Aurora voltou pelo caminho por onde havia vindo.

Passou novamente pela estrada.

Os fiéis estavam afastados.

Alguns ainda rezavam.

Outros simplesmente olhavam.

Ela entrou novamente na floresta.

Os soldados a acompanharam até onde puderam.

Depois ficaram para trás.

Aurora continuou sozinha.

Entre as árvores.

Devagar.

Na mesma velocidade de antes.

Até chegar ao lugar onde tudo havia começado.

Ela parou.

Exatamente onde estava naquela manhã.

O mesmo ponto.

A mesma distância do chão.

Cerca de meio metro.

Ficou imóvel.

O rosto voltado para a frente.

Sem dizer nada.

Sem olhar para trás.

Sem demonstrar cansaço.

Como se nada tivesse acontecido.

E, depois de algumas horas de caos, tiros, fogo, multidões, soldados, câmeras, religiosos e destruição, Aurora simplesmente voltou ao lugar onde estava havia semanas.

E ficou lá.

Flutuando.

Como sempre.

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  • terceiraVia

    O comandante mandou manter distância dos civis, e aí um civil armado esvazia o carregador na frente da tropa sem ninguém tomar a arma dele. Essa parte diz mais sobre o Exército da história do que sobre a Aurora. Chuto que, com tudo ao vivo, alguém vai ter que explicar isso numa CPI, e vai sobrar pro soldado que gritou.

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