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A Aparição - Parte 1

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Pensamento

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Toda semana a mesma coisa, desde a escola, e ninguém da comunidade nunca fez nada. Isso também assusta, de outro jeito.

Toda semana a mesma coisa, desde a escola, e ninguém da comunidade nunca fez nada. Isso também assusta, de outro jeito.

Conteúdo da publicação

A jovem albina corria pela floresta.

Corria sem olhar para trás.

As vozes vinham de longe, mas se aproximavam.

— Corre!

Risadas.

— Pega ela!

Ela já conhecia aquelas vozes.

Não era a primeira vez.

Quase toda semana acontecia a mesma coisa. Eles a cercavam, zombavam de sua pele, de seu cabelo, de seus olhos. Jogavam lama, galhos, qualquer coisa que encontrassem pelo caminho.

Aquilo acontecia desde a escola.

Ela morava depois da floresta, em uma pequena comunidade do interior. Um lugar simples, agradável e seguro. A floresta era apenas o caminho mais curto para chegar em casa.

Durante o dia, não havia nada de especial nela.

À noite, porém, ficava diferente.

Mais silenciosa.

Mais escura.

Misteriosa.

Mas nunca havia acontecido nada de anormal ali.

Até aquela noite.

Ela continuava correndo.

As lágrimas misturavam-se ao suor.

Não queria ser diferente.

Não queria ser albina.

Só queria chegar em casa.

Atrás dela, os garotos riam.

Eles já a haviam cercado outras vezes.

Era uma brincadeira para eles.

Para ela, não.

As vozes ficaram mais próximas.

— Vai fugir pra onde?

Ela tropeçou, recuperou o equilíbrio e continuou.

O céu já estava quase escuro.

Então aconteceu.

Um clarão.

Por um instante, a floresta inteira ficou branca.

O céu pareceu se rasgar.

Não como um raio.

Como tecido.

Uma abertura impossível surgiu acima das árvores.

A garota parou.

Olhou para cima.

Outro clarão.

Dessa vez, alguma coisa caiu.

Ou atravessou.

Ela não teve tempo de entender.

Atingiu seu corpo.

A garota caiu de joelhos.

Seu corpo começou a tremer.

Depois se contorceu.

Os dedos se fecharam.

Os braços estremeceram.

Ela tentou gritar.

Nenhum som saiu.

Então seu corpo se ergueu.

Meio metro acima do chão.

Parado.

Estático.

Suspenso no ar.

Os garotos chegaram alguns segundos depois.

Ainda rindo.

Até perceberem.

A garota estava flutuando.

Ninguém falou nada.

Ela estava de costas para eles.

Imóvel.

Com os cabelos brancos suspensos ao redor do rosto.

Um dos garotos deu um passo para trás.

— Que porra é essa?

Ela virou lentamente a cabeça.

Olhou para eles.

Os garotos correram.

Dessa vez, ninguém ria.

Um caiu.

Outro começou a chorar.

Um terceiro gritou enquanto corria sem sequer olhar para trás.

Ninguém foi ferido.

Ninguém foi tocado.

Nada aconteceu com eles.

Foi apenas um susto.

Um daqueles momentos que, anos depois, cada um contaria de uma maneira diferente.

Mas todos se lembrariam da mesma coisa.

A garota.

Flutuando.

Parada.

Estática.

Quietíssima.

O corpo não se mexia.

Não respirava.

Não piscava.

Não parecia sentir frio, medo ou dor.

Estava viva.

Ou viva era a palavra que ainda fazia sentido.

E permaneceu ali, suspensa no meio da floresta.

Como se alguma coisa tivesse entrado naquele corpo.

E agora estivesse esperando.

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Thoughts

  • homeOfficeFake

    Toda semana a mesma coisa, desde a escola, e ninguém da comunidade nunca fez nada. Isso também assusta, de outro jeito.

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  • Csm_martins

    Que suspense com essa garota! E eu amei o fato de ela ser albina. É tão difícil encontrar personagens albinos nas histórias. Agora fiquei curiosa: se a proposta é terror, o que será que ela vai fazer?

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  • HelenaSampaio

    Fiquei presa no detalhe de que ninguém foi ferido. Anos de lama jogada nela, e a primeira coisa que essa força faz é só olhar pra eles. Aposto que o que entrou ali não veio pra vingar a menina, e que ela ainda vai ter que escolher se usa aquilo contra eles.

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