Oxe, entortou a agulha 😳
A Aparição - Parte 4
Pensamento
Oxe, entortou a agulha 😳
Conteúdo da publicação
O primeiro veículo militar chegou sem sirene.
Depois outro.
E outro.
Em poucos minutos, a estrada estava tomada por caminhões, ambulâncias militares e veículos de pesquisa.
Um oficial desceu do primeiro veículo e caminhou diretamente até o comandante da polícia.
— Quem está no comando?
— Eu.
— A partir de agora, a área está sob controle militar.
O policial olhou para Aurora.
— Ela não oferece perigo.
— Não sabemos disso.
— Ela não fez nada.
— Eu sei.
O oficial olhou novamente para a garota.
— E é justamente por isso que ninguém vai chegar perto dela.
Ele apontou para os policiais.
— Todos para trás.
— Senhor, a mãe dela está aqui.
— A mãe também.
A mulher protestou imediatamente.
— Eu não vou deixar minha filha sozinha!
Dois militares se aproximaram.
— Senhora, precisamos que a senhora se afaste.
— Ela é minha filha!
Aurora olhou para a mãe.
A mãe olhou para ela.
Por alguns segundos, nenhuma das duas disse nada.
Então a mãe começou a chorar.
— Aurora...
A garota apenas continuou olhando.
Os militares começaram a estabelecer um perímetro.
Fitas foram colocadas.
Barreiras metálicas foram instaladas.
Todos os civis foram afastados.
— Ninguém entra.
— Nem os policiais?
— Ninguém.
— E a família?
— Ninguém.
O oficial colocou um rádio junto à boca.
— Isolar completamente a área. Quero pelo menos cem metros de distância do ponto central.
Soldados vestiram equipamentos de proteção.
Outros montaram sensores.
Câmeras.
Termômetros.
Equipamentos de análise ambiental.
Monitores médicos.
Uma equipe de pesquisadores chegou acompanhada por médicos militares e psicólogos.
Aurora continuava no mesmo lugar.
Flutuando.
Observando.
Uma psicóloga aproximou-se até o limite permitido.
— Aurora?
A garota olhou para ela.
— Você consegue me entender?
Silêncio.
— Você está com medo?
Aurora não respondeu.
A psicóloga olhou para o médico.
— Ela parece consciente.
— Parece.
— Podemos sedá-la?
O médico hesitou.
— Se ela continuar imóvel, precisamos examiná-la.
Um militar abriu uma maleta.
— Temos um sedativo de ação rápida.
A mãe gritou do outro lado da barreira:
— Não!
O oficial levantou a mão.
— Ninguém faz nada sem autorização médica.
O médico observou Aurora.
— Se conseguirmos sedá-la, talvez possamos levá-la para um ambiente controlado.
Um profissional preparou a seringa.
Aproximou-se.
Aurora não recuou.
A agulha tocou sua pele.
E parou.
O médico fez uma pequena pressão.
Nada.
Tentou novamente.
Nada.
— Não entrou.
Ele examinou a agulha.
— A agulha está intacta.
Outro médico aproximou-se.
— Deixa eu tentar.
Ele pressionou novamente.
Nada.
A pele de Aurora parecia perfeitamente normal.
Maciez normal.
Temperatura normal.
Textura normal.
Mas a agulha não conseguia atravessá-la.
— Mais pressão.
Ele tentou.
A agulha entortou.
Aurora sequer piscou.
Todos ficaram em silêncio.
O médico olhou para o instrumento deformado.
— Isso não faz sentido.
A psicóloga observava Aurora.
— Ela sentiu?
— Não sei.
— Aurora?
A garota olhou para ela.
A psicóloga apontou para a própria mão.
— Isso doeu?
Aurora apenas continuou olhando.
Nenhuma resposta.
O oficial se aproximou do médico.
— Ela está ferida?
— Não.
— Está doente?
— Não encontramos nada.
— Podemos tocar nela?
— Sim.
— Podemos segurá-la?
— Sim.
— Podemos movê-la?
— Sim.
O médico olhou para os pés suspensos.
— Mas não conseguimos fazer uma coisa.
— Qual?
Ele respondeu baixo:
— Fazer Aurora tocar o chão.
O oficial ficou olhando para a garota.
Aurora então moveu lentamente a cabeça.
Olhou para o céu.
Depois para os soldados.
Depois para a mãe.
E continuou flutuando.
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Thoughts
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PermalinkNa Parte 1 eu apostei que essa força não tinha vindo pra vingar ninguém, e agora ela nem se defende: deixa a agulha encostar e só não deixa entrar. Meu palpite é que o chão é a única coisa que ela recusa de verdade, e que isso tem a ver com tudo que jogaram nela antes de sumir.
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PermalinkOxe, entortou a agulha 😳
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