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a academia dos despertos

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A ACADEMIA DOS DESPERTOS

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Pensamento

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li_no_busao

terminei de ler ali no fim e fiquei tipo "e agora?" porque TEM MAIS mas tá ali "continua" mockando

terminei de ler ali no fim e fiquei tipo "e agora?" porque TEM MAIS mas tá ali "continua" mockando

Conteúdo da publicação

A ACADEMIA DOS DESPERTOS

Livro I — Os Acordos do Tempo


perdendo o futuro


Elias corria.

Não sabia há quanto tempo.

Naquele lugar, o tempo não funcionava como deveria.

À sua esquerda, uma janela mostrava uma cidade coberta de neve.

À direita, outra mostrava a mesma cidade em chamas.

Mais adiante, uma porta revelava uma sala de aula vazia.

Outra mostrava a Academia como ela era décadas atrás.

E outra...

mostrava apenas escuridão.

Elias passou por todas.

Não olhou para trás.

Precisava chegar à última porta.

Precisava chegar antes dela.

Precisava chegar antes de Adrian desaparecer.

— Elias!

A voz ecoou pelo corredor.

Ele parou.

Por um instante, pensou em voltar.

Não voltou.

Continuou correndo.

Na mão carregava um relógio antigo.

O ponteiro estava quebrado.

Marcava exatamente 23h17.

Sempre 23h17.

Elias finalmente chegou à porta.

Colocou a mão sobre a maçaneta.

Uma voz surgiu atrás dele.

— Você sabe que não pode mudar isso.

Elias fechou os olhos.

— Eu não quero mudar.

— Então o que quer?

Elias respondeu:

— Quero pagar o preço.

Silêncio.

A figura apareceu no fim do corredor.

Não tinha rosto.

Não tinha nome.

Apenas uma presença.

— Você já pagou.

— Não foi suficiente.

— Nunca é.

Elias abriu a porta.

Do outro lado estava Adrian.

Mais jovem.

Sorrindo.

Vivo.

Elias ficou imóvel.

Por alguns segundos, esqueceu tudo.

Esqueceu os acordos.

Esqueceu a Academia.

Esqueceu o tempo.

Só conseguiu dizer:

— Adrian...

Adrian olhou para ele.

— Você demorou.

Elias sorriu.

Uma lágrima escorreu pelo seu rosto.

— Eu sei.

Adrian estendeu a mão.

Elias caminhou até ele.

Mas quando seus dedos estavam prestes a se tocar...

o mundo inteiro tremeu.

Adrian desapareceu.

Elias caiu de joelhos.

— NÃO!

A criatura apareceu atrás dele.

— Você não pode salvar alguém que já foi perdido.

Elias apertou o relógio.

— Então vou encontrar outra maneira.

— E se essa maneira destruir a Academia?

Elias levantou os olhos.

— Então eu reconstruirei a Academia.

A criatura inclinou a cabeça.

— E se destruir seus alunos?

Elias ficou em silêncio.

A criatura sorriu.

— E se destruir você?

Elias respondeu:

— Eu já perdi a mim mesmo há muito tempo.

O relógio começou a funcionar.

23h18.

A criatura desapareceu.

Elias ficou sozinho.

Mas antes que o corredor desaparecesse, ouviu uma última frase:

Quando o garoto chegar, tudo começará novamente.


CAPÍTULO 1

O dia em que o relógio parou

Caio nunca gostou de mudanças.

Gostava de sua rotina.

A mesma escola.

O mesmo caminho.

As mesmas pessoas.

O mesmo quarto.

Ele nunca imaginou que perderia tudo isso em uma única noite.

Era uma terça-feira comum.

Pelo menos deveria ser.

Caio estava fazendo uma tarefa quando ouviu o relógio da sala bater.

Uma vez.

Duas.

Três.

Ele olhou para a parede.

23h17.

O relógio parou.

— Estranho...

Caio levantou.

O celular também marcava 23h17.

Ele tentou reiniciá-lo.

Nada.

Então percebeu que havia algo errado.

O barulho da rua havia desaparecido.

Nenhum carro.

Nenhum cachorro.

Nenhuma voz.

Nada.

Caio abriu a janela.

A rua estava completamente imóvel.

Um carro estava parado no meio da avenida.

Uma pessoa estava atravessando a rua.

Mas não se mexia.

Caio ficou assustado.

— O que está acontecendo?

Então alguém respondeu:

— Finalmente.

Caio virou.

Um garoto estava sentado em sua cama.

Ele não estava ali antes.

— Quem é você?!

O garoto se levantou.

— Elias.

— Como entrou aqui?

— Isso não importa.

— Claro que importa!

Elias olhou para o relógio.

— Você precisa vir comigo.

— Eu nem sei quem você é.

— Eu sei.

— Então me explica!

Elias se aproximou.

— Você despertou.

Caio franziu a testa.

— Despertei o quê?

Elias não respondeu.

Uma pequena luz surgiu na mão de Caio.

Ele recuou.

— O que é isso?!

A luz cresceu.

O quarto começou a tremer.

Elias levantou a mão.

— Caio, escute.

— Eu não consigo controlar!

— Não tente controlar.

— Então o que eu faço?!

Elias segurou seu braço.

— Confie em mim.

Caio olhou para ele.

Não sabia por quê.

Mas confiou.

A luz desapareceu.

O relógio voltou a funcionar.

23h18.

O mundo voltou ao normal.

Elias soltou o braço dele.

— Agora você tem duas opções.

— Quais?

— Fingir que isso nunca aconteceu...

Ele caminhou até a porta.

— ...ou descobrir por que aconteceu.

Caio olhou para a própria mão.

— E você sabe?

Elias abriu a porta.

— Sei algumas coisas.

— E as outras?

Elias olhou para trás.

— São justamente as que você precisa descobrir.


CAPÍTULO 2

A Academia

Na manhã seguinte, Caio recebeu uma carta.

Não havia remetente.

Não havia endereço.

Apenas seu nome.

Ele abriu.

Dentro havia um mapa.

Mas o mapa não mostrava nenhuma cidade.

Mostrava uma floresta.

No centro havia um símbolo.

Uma torre cercada por um círculo.

No verso estava escrito:

"Não venha depois das oito."

Caio olhou o relógio.

7h43.

Ele não sabia por que estava indo.

Talvez fosse curiosidade.

Talvez medo.

Talvez porque uma parte dele já soubesse que sua vida normal havia terminado.

Às 7h58, encontrou o lugar.

A Academia surgiu entre as árvores.

Era enorme.

Torres antigas se erguiam acima da floresta.

Janelas brilhavam mesmo sendo dia.

Havia estátuas de pessoas que Caio nunca tinha visto.

Quando atravessou os portões...

sentiu que estava sendo observado.

Vinte alunos estavam no pátio.

E uma garota estava sentada sozinha em um banco.

Ela lia um livro.

Íris.

Caio ainda não sabia seu nome.

Mas percebeu algo estranho.

Quando ele passou perto dela, Íris levantou os olhos.

E por um instante...

seu rosto mudou.

Como se tivesse visto alguma coisa que não deveria existir.

Ela fechou o livro.

— Você é novo.

Caio assentiu.

— Sou.

Íris olhou para a mão dele.

— Qual é a sua habilidade?

Caio ficou desconfortável.

— Ainda não sei.

Íris ficou em silêncio.

Depois perguntou:

— Você já teve sonhos estranhos?

Caio olhou para ela.

— Por quê?

— Nada.

Ela voltou a ler.

Mas, quando Caio se afastou, Íris tocou a capa do livro.

Seus olhos perderam o foco.

E uma memória apareceu.

Não era dela.

Era de Caio.

Uma sala escura.

Elias.

Uma porta.

E uma voz dizendo:

"Quando ele chegar, não confie no garoto."

Íris soltou o livro.

Respirou fundo.

— Isso não pode ser...


CAPÍTULO 3

A garota que via o passado

Íris aprendera cedo a controlar sua habilidade.

Memórias eram perigosas.

Uma lembrança podia parecer verdadeira e, ainda assim, esconder alguma coisa.

Ela conseguia tocar objetos e enxergar acontecimentos ligados a eles.

Às vezes podia até alterar pequenos detalhes de uma memória.

Mas havia uma regra:

Nunca mexer em uma memória que não fosse sua.

Íris já havia quebrado essa regra.

Mais de uma vez.

Naquela tarde, ela decidiu investigar.

Esperou a sala ficar vazia.

Depois entrou na antiga biblioteca.

A Academia possuía livros com centenas de anos.

Alguns nem sequer tinham títulos.

Íris procurava informações sobre a escola.

Encontrou um livro escondido atrás de outros.

Na capa havia o mesmo símbolo que aparecera na carta de Caio.

Ela tocou.

A memória veio imediatamente.

Uma sala.

Muitos professores.

Uma mesa.

Elias estava ali.

Mas parecia muito mais jovem.

Ao lado dele havia outro garoto.

Adrian.

Íris observou.

E ouviu:

— O projeto deve continuar.

— E se falhar?

— Então apagaremos as memórias.

Íris afastou a mão.

— O quê?

Ela voltou a tocar.

A memória continuou.

Uma professora apareceu.

Íris reconheceu o rosto.

Era Aurora.

Mas Aurora parecia diferente.

Mais jovem.

E havia algo escrito no quadro atrás dela:

PROJETO DESPERTAR

Íris ficou imóvel.

— O que é isso?

A memória mudou.

Ela viu dezenas de crianças.

Algumas choravam.

Algumas estavam dormindo.

Todas tinham o mesmo símbolo.

Íris afastou a mão.

Seu coração disparou.

— A Academia não foi criada para ensinar habilidades...

Ela olhou para o livro.

— Foi criada para encontrar alguma coisa.

Então ouviu passos.

Íris fechou o livro.

Elias apareceu na porta.

— Você não deveria ter visto isso.

Íris ficou séria.

— O que é o Projeto Despertar?

Elias não respondeu.

— Eu fiz uma pergunta.

Elias entrou na biblioteca.

— Algumas verdades não podem ser descobertas de uma vez.

Íris segurou o livro.

— Então me conte aos poucos.

Elias sorriu.

— Você é exatamente como eu imaginava.

Íris franziu a testa.

— O que isso significa?

Elias olhou para o livro.

— Significa que você ainda não encontrou a pior parte.


CAPÍTULO 4

A primeira mentira

Caio começou as aulas.

A Academia parecia normal.

Quase.

Ele fez amigos.

Conheceu Arthur.

Conheceu outros alunos.

Aprendeu as regras.

Mas havia uma coisa que ninguém explicava.

Por que Elias estava sempre por perto?

Ele aparecia nos corredores.

Na biblioteca.

No pátio.

Às vezes dentro da sala.

Ninguém parecia saber exatamente o que ele fazia.

Arthur não gostava dele.

— Ele esconde alguma coisa.

Caio perguntou:

— Como sabe?

Arthur respondeu:

— Porque ninguém olha para ele como se fosse uma pessoa normal.

Caio olhou para Elias.

Elias estava conversando com Aurora.

Os dois pareciam discutir.

Arthur continuou:

— E tem outra coisa.

— O quê?

— Ele nunca envelhece.

Caio riu.

— Como assim?

Arthur ficou sério.

— Minha irmã estudou aqui.

Caio esperou.

— Ela me mostrou uma fotografia antiga da Academia.

Arthur apontou para Elias.

— Ele estava nela.

Caio olhou.

— Há quanto tempo?

Arthur respondeu:

— Trinta e cinco anos.

Caio parou de rir.


CAPÍTULO 5

O aluno que desapareceu

Na sexta-feira, um dos alunos não apareceu.

No início ninguém se preocupou.

Depois passaram horas.

Aurora fechou os portões.

Todos deveriam permanecer dentro da Academia.

À noite, encontraram o quarto vazio.

A cama estava arrumada.

A janela fechada.

Mas havia uma coisa sobre a mesa.

Uma fotografia.

Íris tocou nela.

A memória apareceu.

Ela viu o aluno caminhando pelo corredor.

Depois viu Elias.

Os dois conversaram.

Elias entregou alguma coisa a ele.

Íris tentou enxergar.

Não conseguiu.

A memória terminou.

Ela soltou a fotografia.

— Elias estava com ele.

Arthur ouviu.

— Você tem certeza?

— Eu vi.

Caio perguntou:

— Então Elias fez alguma coisa?

Íris olhou para ele.

— Não sei.

E era justamente isso que a assustava.

Porque, pela primeira vez, sua habilidade havia mostrado uma memória...

incompleta.

Naquela noite, os professores encontraram o aluno.

Mas ele não estava vivo.

A Academia ficou em silêncio.

Aurora cobriu o rosto dele.

Não havia sinais do que havia acontecido.

Apenas uma pequena marca negra em sua mão.

Íris viu.

E imediatamente reconheceu.

Era a mesma marca que havia visto na memória antiga.

Ela correu para a biblioteca.

Abriu o livro.

E encontrou uma página que antes não existia.

Nela estava escrito:

O primeiro morreu.

Agora faltam vinte.

Íris ficou paralisada.

Uma página virou sozinha.

Outra frase apareceu:

Não conte a Elias que você descobriu.

Íris levantou os olhos.

Elias estava parado no fim da biblioteca.

Olhando para ela.


CAPÍTULO 6

A menina que ainda não chegou

— Você encontrou alguma coisa — disse Elias.

Íris fechou o livro.

— Não.

Elias sorriu.

— Você é péssima mentindo.

— E você é péssimo dizendo a verdade.

Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.

Então Elias perguntou:

— Você viu Adrian?

Íris ficou confusa.

— Quem?

Elias percebeu o erro.

Seu rosto mudou.

— Esqueça.

Ele saiu.

Íris ficou olhando para ele.

Adrian.

O nome ficou preso em sua cabeça.

Ela abriu o livro novamente.

Dessa vez encontrou uma página diferente.

Havia uma lista.

CAIO — PRESENTE

ARTHUR — PRESENTE

ÍRIS — PRESENTE

...

E no final havia outro nome.

Mas estava coberto.

Íris tentou tocar a página.

Uma memória surgiu.

Uma garota.

Cabelos longos.

Uniforme diferente.

Ela caminhava pelos corredores da Academia.

Todos os alunos olhavam para ela.

Elias estava esperando.

Não parecia surpreso.

Parecia...

aliviado.

A garota parou diante dele.

— Você realmente me esperou?

Elias respondeu:

— Durante muito tempo.

Íris soltou a página.

A memória desapareceu.

Ela ficou olhando para o livro.

Aquela garota não estava na Academia.

Ainda não.

E, pela primeira vez, Íris percebeu que havia algo muito maior acontecendo.

A Academia não estava apenas escondendo o passado.

Ela estava esperando pelo futuro.

Elias sabia exatamente quem aquela garota era.

E estava contando os dias para sua chegada.

Íris fechou o livro.

— Quem é você?

Em algum lugar distante da Academia, um relógio começou a funcionar.

23h17.

E Elias olhou para a janela.

Como se soubesse que alguém estava chegando.

Continua...





Thoughts

  • tmoreira93

    criatura sem face, sem nome, só presença falando que ele não pode salvar morto... frio demais pra ler em pé esperando cliente

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  • sofadasala

    o que é que "despertou" em Caio? tipo, aquela luz na mão dele, aquele negócio todo... é magia que acorda de verdade?

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  • paginadobrada

    aquele Projeto Despertar com aquelas crianças todas... eu consigo virar a página pra saber mais ou vai ficar no mistério?

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  • oitoemponto

    aquele relógio travado em 23h17... por que exatamente esse horário? tem algo que explica ou é só misério?

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  • meioCapitulo

    qual é terminar aqui 💀 amanhã tem pet shop e isso fica em aberto

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  • marcao77

    aquela cena do Elias caindo de joelhos quando Adrian desaparece, bicho. tem uma coisa ali que machuca

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  • li_no_busao

    terminei de ler ali no fim e fiquei tipo "e agora?" porque TEM MAIS mas tá ali "continua" mockando

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  • deixoumarca

    Caio descobrindo que tinha aquela coisa nele que não conseguia controlar... você acha que era medo mesmo, ou ele já sabia de algo, no fundo?

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