Hoje eu decidi parar de me espancar por ainda querer voltar. Percebi que quanto mais eu tentava esmagar essa vontade, mais forte ela ficava, como se tudo o que eu proibisse dentro de mim ganhasse uma urgência desesperada. Então, quando o pensamento de nós dois apareceu de tarde, eu não me desesperei. Não me chamei de fraco. Só respirei fundo e disse para mim mesmo "Tudo bem, a saudade está aqui e a vontade de voltar também está. E não tem problema".
Aprender a acolher esse sentimento foi o que me salvou hoje. Entendi que sentir essa vontade é apenas a prova de que o que vivemos foi real e grande, e que o meu coração ainda lembra do conforto que a gente tinha. Mas o segredo, a grande virada de chave, foi perceber que eu posso deixar essa vontade sentar comigo sem necessariamente agir baseado nela. Eu posso sentir o desejo de mandar mensagem e, ainda assim, manter o seu número bloqueado. Posso chorar de saudade e, mesmo assim, continuar caminhando na direção oposta. Os meus sentimentos não são ordens. Eles são apenas ondas. Elas vêm, quebram na praia da minha mente, fazem um baita barulho, mas depois recuam. Eu sou o oceano, não a onda.