Olhando para trás, percebo que passei muito tempo esperando que você me pedisse desculpas pelo estrago, quando, na verdade, a única absolvição que eu realmente precisava era a minha. Hoje entendi, do nada, que perdoar a si mesmo é o processo mais doloroso e bonito da cura. Significa olhar para aquela minha versão que aceitou demais, que silenciou os próprios instintos e que esticou o próprio peito para caber em você, e não sentir vergonha dela. Sentir acolhimento.
Precisei parar de me punir por ter demorado tanto para ir embora. Eu não era fraco por insistir em você, eu era alguém que acreditava no amor e que tentou, até o limite das minhas forças, salvar uma estrutura que estava desmoronando. Me perdoar é aceitar que fiz o melhor que pude com a maturidade que eu tinha na época. É parar de reviver os meus erros como se fossem sentenças e começar a encará-los como cicatrizes de aprendizado. Eu me perdoo por ter te amado mais do que a mim mesmo e, finalmente, me dou permissão para deixar esse peso no chão e seguir em frente de mãos dadas comigo.