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miltonantonios

Joined 7 de out. de 2026
@miltonantonios

Recent posts

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    Últimos tempos Nos últimos tempos Tenho pensando em não pensar Tenho pensado em olhar o ar O que respiro e me faz respirar Tenho pensado em ser poeira Tenho pensado em estado de poesia Nos últimos tempos Queria ver o tempo passar Assoviar uma canção da esquina Ser anos setenta, e setentar Sair pela sala a dançar sozinho Conversar seriamente comigo Me recorrer um pouco a loucura Ser minha dose e minha cura Nos últimos tempos Olhar pela janela os pedestres Ser pedra, ser silvestre Um rio que…

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    Ventania Quero ter a esperança De não ter que rezar todos dias Clamar aos céus, pedir a Deus Que o silêncio nos baste. Quero ter a certeza De não ter certeza em nada Andar sobre a terra Como quem dança com o tempo Quero sobretudo amar e amar Amar quem ama, assim simples Como quem penteia o cabelo Na ventania. Milton Antonios 04set/2026

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    Trilhos Quando amanhece sobre os trilhos Nas beiras rasas dos abismos Meu coração meu senhor absoluto Luto para te ver feliz e solta Quando amanhece sobre os trilhos Nas pontas das estrelas cadentes Com todo sorriso nos dentes Chamo por seu nome sem espanto Quando amanhece sobre os trilhos Nas nascentes dos grandes rios Com todo amor que ainda tenho Te presenteio de dias presentes Milton Antonios 25fev/2026

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    Ruídos de ratos Esses ratos e seus ruídos Esses passos e seus sentidos Essa vida posta as claras As claras dos ovos Essa vida sem sentido Esses sentidos opostos Esses ossos nos rostos Esses rostos rotos Esses velhos moços Esses ratos na casa Esses dias morosos Essas noites nas poças Essas tardes mordaças Essas noites sem luas Essas estrelas marmotas Essas águas paradas Esses rios sem rochas Essas janelas fechadas Esses pés sem caminhos Esses rumos sem rotas Ruídos de ratos Perguntas e…

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    Prumo Ainda que fosse dia Minha estrela do norte Ainda que fosse sorte Jesus cristo do egito O azar que trouxe sorte Nossa senhora da morte Ainda que fosse moça Minha casa não tem rumo Meu azedo não tem prumo O mar de todo cais O cais de todo mar O mar solto do norte Ainda que fosse matuto Um rio que corta o norte O sertão de todo mundo O coração solto de sorte O amor é um bicho mudo A razão de todo consorte Rezar por todos os dias Os dias que não são dias As tardes de todo nós O nós de toda…

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    O corpo VI O corpo é um nada Solto no espaço Do outro O corpo é uma naja A espreita Para atacar o outro O corpo é um vazio Imenso do outro Dos pés ao pescoço O corpo rala a alma O corpo é alvo A vida uma bala Milton Antonios Julho/2026

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    Navegar Me enche de vida, me enche de ar Feito uma bexiga, me joga no vento Que eu sei voar, que eu sei voar Me encha de sonhos, carinha meus olhos Sou mar solto na sala vem me navegar Me aperta a cintura, me faça dançar Sou uma promessa esquecida Sou ida, sou voltas, sou uma reza Reza a lenda que somos um par De mãos entrelaçadas navegar Me entenda por dentro pode entrar A porta está aberta venha se deitar Debaixo do céu, venha de olhar Me faça corte, me faça delirar Me dê teus lindos olhos…

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    Mútuos Quando nos casamos O tempo vem morar com a gente Quando procriamos O tempo sai de dentro da gente Quando nos olhamos O tempo nos vê um só ente Quando nos tornamos silêncio O tempo não nos reconhece Quando envelhecemos O tempo vem e nos consome Sumimos no tempo com o tempo O tempo é uma prece, apressada Milton Antonios 14ago/2026

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    Miudezas Tinha um navio atracado na sala A sala ficava debaixo do telhado O telhado ficava debaixo do céu E os olhos dela soltos no horizonte E tem coisa que a gente não vê Somente a mente imagina Tinha um mar debaixo do colchão E o colchão não era um barco E ela ali sozinha quase mingua Uma lua partida em duas, dura E os olhos flutuavam nas nuvens Lá fora o cachorro latia para nada Ela com os pés acima da nuca Nunca imaginou ser louca Mas tinha ciência da loucura E o navio atravessado na sala…

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    Maria Vem maria ver as formigas pretas Subirem pela árvore até o céu Vem ver as nuvens mudarem de formato Vem ver o mato crescer sem rumo Vem tomar rumo nessa vida descarada Sem definição sem direção vai o trem Nos trilhos vem ver maria Tereza As coisas se quebrarem ao vento Tenta rir de tudo pois tudo não vele Nada, vem ver o jeito do vento Hoje está cor de verde limão Era uma vez quando tudo virou nuvem E perdeu a forma tranquila E de se ver choveu folhas Choveu bolhas de sabão Maria vem me…

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    João João são Doce João Quem são João Meninos que correm Pelo sertão de tão São João menino De onde vem Destino traçado Achado no bem Menino além do além João sem nada João por nada João santo de bem São João aquém São João de deus São João adeus. Milton Antonios 24jun/2026

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    Incêndio Tem um incêndio Nos teus cabelos vermelhos Tem um incêndio No vermelho dos teus cabelos Há um incêndio nos teus cabelos Vermelhos Há um vermelho no incêndio Dos teus cabelos Tem um incêndio nos teus Vermelhos cabelos Haverá um incêndio Nos teus cabelos vermelhos Será um incêndio nos teus Cabelos vermelhos? Talvez seja um incêndio Nos teus cabelos vermelhos Meus olhos olham Um incêndio nos teus Cabelos vermelhos Imagino um incêndio Nos vermelhos dos teus Cabelos. Milton Antonios 15abr…

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    Espelho Inventei destinos, desenhei caminhos Me vesti de outras cores intensas Mas você não veio Sai pela porta da frente do mundo Me mergulhei como fosse um mar Vim até mim por ruas escuras Deixei de ser mistério, sou solto Ando pelas beiras das avenidas Tenho um profundo caso comigo Sou romântico e me mando flores E você não veio Eu me espero todas as noites Coloco a mesa, janto estrelas Me cobiço, me atiço, me apaixono Sou meu dono, meu desespero, meu apelo Durmo e sonho comigo, me acordo…

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    Delicadeza Olhar tua flor abrir Nos meus olhos florescer Ver nascer tua voz Em mim como um canto Te canto no meu silêncio Quantos infinitos Há em nós? Ouvir tua voz em mim Como um presente bendito O que há em mim de tu O que há de tu em mim Uma voz que ecoa em nós Quantos infinitos Há em nós? A delicadeza em ti Viver, em te ver mim Em mim há tua paz Em mim há a tua voz Sempre presente em mim A tua presença me enlaça Quantos infinitos Há em nós? Milton Antonios 17jun/2026

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    Baleia Leia a baleia Baleia onde se leia Onde se vê baleia Onda haverá baleia Que a lei baleia Para que nade a baleia Onde baleia sereia Não pode o humano Ser baleia ou sereia Nada no mar baleia Ronca no oceano imensa Nas bordas do mar juma Orca transborda sereia Bala bola baleia Milton Antonios 06out/2026

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    Caçador Raspas de marfim, prata de mim Resto de infinito, rosa bruta A nossa luta enfim, olhos no farol A barra de ser bonito, aflito Lábios calados, nosso mar aqui Os cantos dos olhos silenciados A dor das palavras, as magoas As lagoas secas, o rio e o janeiro A mistura dos corpos na cama A luz do abajur, saída a francesa A mesa vazia, nossos ossos mornos Coisas de jasmim, as flores mortas Raspas de hortelã, a lã da manhã O recado das línguas, as minguas As luas minguantes, o antes, o depois…

  • Bendito

    Bendito

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    Sertões Nem tudo é seco No sertão do coração Tem veias de sangue Tem sangue e mel Nem tudo é escuro Dentro do não Há dias que são sim Há dias que são festas Nem tudo é deserto No saara do coração Tem oásis feitos de miragens Tem oásis de água e pão Mede-se a distância pelas mãos Há rios que escorrem dos olhos Há olhos que vislumbram o céu Nem tudo está perdido O sol que arde no corpo O corpo que cede ao outro E o amor que brota no leito Me resto do teu muito Sinto frio dentro do dorso Te amo…

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    Primeiro de setembro Na imensidão do meio inteiro Há de se tornar poeta menino Se praga, se destino, se os dois Corre menino, corre à vida E se as palavras te anuviarem E for o céu a ponta dos teus dias As nuvens a desenharem formas As estradas saírem dos teus pés Ainda que estranhe a escuridão E os versos te façam sombras As sobras, as memorias todas Hão de serem libertárias Na imensidão do teu corpo Ainda que ainda menino As palavras te falarão de coisas O silêncio da poesia, do poeta Teu…

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    Os meninos do vento Ele precisava dela desesperadamente Como não precisava de mim E a tarde ardia do lado de fora de nós Quanto a casa, situava-se no fim do mundo De onde se chega por uma estrada de terra Sim, tinham filhos todos meninos A crescer ao vento, ao tempo, ao léu Pareciam todos com ela, todos franzinos Todos tranquilos, como gente do campo Cresciam em bando, soltos no mundo Ele necessita dela o tempo todo Para plantar, para colher, para procriar E os meninos cresciam puros, duros…

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    O silêncio das coisas Para Tatiane Fernandes Tirei a pressa das coisas Agora sou folha de planta Somente irei se tiver vento Quero ser quintal com varal Secar minha alma ao sol Quero ver a paz das coisas Das xicaras no armário As orquídeas nos vasos O mugir dos bichos no pasto O silêncio dos beija-flores Preciso da calma das coisas O rastejar das formigas no chão A aranha tecendo seus fios Ver o olhar idoso no tempo Gastar-me no sorriso do outro. Milton Antonios jul/2026

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    O corpo e o poema Trouxe um pouco de poema Dentro do corpo No corpo suado, no corpo sujo Trouxe um poema em vão No vão do corpo, ecos e sons No corpo do corpo uma dança Maxixe, vixe, virgem maria Quanto corpo escorrido no chão Trouxe um pouco de corpo no poema Dentro do poema Um corpo jaz então, um corpo jazz Trouxe um corpo na mão Na virada do corpo, silêncios e dores No poema uma dança Coco, vixe são francisco Quanto poema trincado no chão Milton Antonios 15jul/2026

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    Memória Memoria me olha me estorva Desvia o meu olhar para lá Que as coisas vem do vento Me inventa memoria uma historia Pode ser de mentira ou meia verdade Pois a lua ronda o menino minguo Memoria me esquece em teu ventre E que nasça quando for necessário E se saio a correr pelos campos É porque ainda não nasci felino E o destino ainda não me destino No meio do nada nomeio meu nome Quero ser ninguém um dia, grão Memoria me alimenta com seu fruto O mais maduro dos teus sorrisos A brisa que…

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    Domingo à tarde Andava em mim como um bicho Ora me lambendo Ora me arranhando Ora não me reconhecendo Andava por volta de mim Como fosse um redemoinho Como fosse uma estrada curva Como fosse uma música Andava através de mim Como fosse minha alma Como fosse minha salvação Como fosse uma adivinhação Andava por mim Como fosse minhas pernas Como fosse minha menstruação Como fosse meus olhos míopes E sempre pensamos assim: A segunda-feira começa No domingo à tarde. Milton Antonios 14ago/2026

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    Do esquecimento Esqueci minhas memórias sobre a mesa Agora já não me recordo onde está a mesa Onde repousam sobre ela minhas memórias Meu pensamento brinca de esquecer, esquecendo-se Sobre uma mesa em algum lugar. Não esqueci por esquecer, mas esqueci E já não cabe avaliações, desesperos, tristezas Tudo que achava que tinha está sobre a mesa Mas os ocos dos meus pensamentos me pensam Percebo então dando-me conta quem sou E pensar no que não sou, me perco, me acho Mas a mesa onde se encontra…

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    De ferro e pó Esse trem de ferro e pó de tempo Que atravessa o meio do meu peito Que me corta ao meio, ao meio-dia Esse trem de ferro e pó de tempo. Queria eu correr por seus vagões Mas nesse momento estou vago Vazio como o trem que descansa Sobre os trilhos também parados Esse trem lapidado de lembranças Que leva e traz saudades imensas O trem e seu apito na minha memória O trem não tem pressa, apressa-me Esse trem de ferro e pó de tempo Esse trem que leva meu pensamento Não sei para onde…

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    Asas Mesmo ali parada A borboleta flutua No quase não das coisas Na simetria de tuas asas As cores ali caladas Mesmo depois de nós Há amores simétricos A métrica dos dias O mar sobre a mesa Não se derrama Mesmo a voz calada Ainda assim canta em silêncio O que cantaria a madrugada A borboleta ali parada Sobre o esplendor do nada As asas do dia ao vento Rainha de tudo e nada A borboleta ampla parada O que canto em silêncio São tuas asas ao nada. Milton Antonios 30mar/2026

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    Amarelinha Pula a poça, pula o abismo, pula amarelinha Sobe a rua da saudade, entra na da esperança Destrança dessa trança, essa trama, essa voz Pular nas nuvens, sobre a cama sonhar Quantos anos temos, quanto teremos? Pula a corda, pula a tristeza, passa anel Desce a rua da idade, entra na da amizade Olha a frente, olha para a frente, um espelho Um desejo dentro do peito, um coração Anda sozinho no meio dessa multidão Grão de areia pelo chão, um avião Molha as plantas, vê se levantar, ainda é…

  • A casa 08

    A casa 08