Sertões
Nem tudo é seco
No sertão do coração
Tem veias de sangue
Tem sangue e mel
Nem tudo é escuro
Dentro do não
Há dias que são sim
Há dias que são festas
Nem tudo é deserto
No saara do coração
Tem oásis feitos de miragens
Tem oásis de água e pão
Mede-se a distância pelas mãos
Há rios que escorrem dos olhos
Há olhos que vislumbram o céu
Nem tudo está perdido
O sol que arde no corpo
O corpo que cede ao outro
E o amor que brota no leito
Me resto do teu muito
Sinto frio dentro do dorso
Te amo, feitos um para outro
E do silêncio brota nosso canto.
Milton Antonios
24jun/2026