Em fúria eu permaneci longa data.
A voz de quem um dia foi terra molhada hoje, era areia seca.
Nunca foi importante meus anseios, prazeres e sofrimento,
Mas estagnei em silêncio.
Tive medo da retaliação.
Na fuga me confortava.
Tive medo do desdém.
A doçura me aliviava.
Tive medo da pena.
Gaia me escutava.
Mas o jogo não se dera como vencido.
Na palavra fui comedido.
Porém na intenção fui sem moralismo.
Naquele pequeno código humano.
Joguei chorume podre desumano.
E mais uma vez fui tratado como sub-humano.
Nas mazelas do meu coração eu já sabia da resposta.
Te reconheci em um abutre em meio a sucata.
O que alguns fariam graça você mostrou escárnio.
O que seriam momentos ternos você transformou em cenário.
Porém neste presente ensejo deixo claro.
O ensaio recebeu lampejo.
Foi criado reflexo neste poluído vitral sangrento.
Em meio a fissuras geladas, vós fostes acalento.
Em lamento, fostes peito sereno.
Em águas turvas, fostes céu claro esplendido.
Reconheci o que havia esquecido.
Era força motriz, geradora de esperança sonhadora.
Era nutrição, caridade e unidade motora.
Me religava ao que há de mais belo.
A natureza implacável do cuidado em pequenos atos singelos.
Mãe era proteção.
Vó, aconchego.
Em seus ventres, força absoluta.
Há quem negue,
Mas eles estão confusos em covardes marés de tola convicção.
E vós não esqueças.
O sagrado e o profano andam juntos.
Tomem tenência.
O velho barbudo nunca existiu.
Há mães em tudo o que você viu.